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terça-feira, 29 de dezembro de 2009

O Ano Novo de Israel


Helder Nozima


Texto Base: Ex 12.1-14


INTRODUÇÃO

Talvez possa parecer estranho falarmos sobre a Páscoa Judaica no Ano Novo. Afinal de contas, a Páscoa é comemorada em março ou abril, e nós estamos ainda no mês de janeiro. Mal acabamos de comemorar o nascimento de Cristo, qual o sentido em se falar de Páscoa justo agora?

No entanto, para a Bíblia, faz todo o sentido do mundo falarmos hoje sobre a Páscoa. Afinal, o Ano Novo Judaico começa com a expectativa da celebração da Páscoa. Como está escrito no versículo 2, o mês de abibe deveria ser o principal dos meses, o mês em que o ano deveria ser aberto. Ao contrário do nosso calendário, em que o grande mês do ano é o último, e janeiro parece ser o mais insignificante dos meses, aonde as igrejas ficam vazias e se diz que o Brasil está parado até o Carnaval, o Ano Novo Judaico era o início de um mês alegre e festivo, aonde Israel parava para celebrar a gloriosa libertação que Deus fez por eles no Egito!

E quanto a nós, para aonde estamos olhando neste Ano Novo? Para as dificuldades que enfrentamos em 2009, e que gostaríamos de esquecer? Para as nossas famosas “promessas de reveillon”, aonde nós prometemos consertar ou melhorar alguma coisa em nossas vidas? Ou iniciamos o nosso ano com os olhos fixos em Jesus Cristo, dispostos a nos lembrar e a celebrar tudo aquilo que Deus fez por nós?

Hoje, nesta virada de ano, gostaria de convidá-los a iniciarmos 2010 de forma diferente. Ao invés de ouvirmos mais uma pregação sobre como ser feliz ou sobre como conquistar vitórias pessoais em 2010, gostaria de convidá-los a passar um Ano Novo com Jesus.


DESENVOLVIMENTO

1) CONVIDE JESUS PARA PASSAR O ANO NOVO COM VOCÊ

Para que isso aconteça, a primeira coisa que devemos fazer é convidar a Jesus para passar o Ano Novo conosco, com a nossa família e com os nossos vizinhos. Ora, todos nós sabemos que a Páscoa Judaica era uma sombra da verdadeira Páscoa, que é a Páscoa Cristã. A Páscoa Judaica está repleta de símbolos que apontam para o sacrifício que Jesus Cristo fez a nosso favor, e o cordeiro é um destes símbolos.

O cordeiro é o símbolo mais importante da Páscoa porque o cordeiro simboliza o próprio Senhor Jesus. Como está escrito no Evangelho de João, capítulo 1, versículo 19, João Batista diz que Jesus é o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.

Podemos ver mais semelhanças quando olhamos para o cordeiro que devia ser imolado na Páscoa. O versículo 5 de Êxodo 12 nos diz que o cordeiro deveria ser “sem defeito, macho e de um ano de idade”. Jesus Cristo também era o homem sem defeitos, macho e jovem. Ele é o verdadeiro Cordeiro!

Mas, o que Êxodo 12 nos diz sobre como o cordeiro deveria ser comido? No versículo 3, Moisés diz que deveria haver um cordeiro para cada família. No versículo seguinte, ele diz que, caso a família fosse muito pequena, então os vizinhos deveriam ser convidados para participar da refeição. Mas, independente do tamanho da família, uma verdade é ressaltada: o cordeiro não poderia ser comido por uma única pessoa! A refeição da Páscoa não deveria ser uma refeição solitária, mas sim uma refeição comunitária! Do mesmo modo, Cristo não pode ser apenas uma experiência solitária de nossa espiritualidade, mas deve também ser vivido de forma comunitária!

Amados, uma das lacunas mais sérias do protestantismo é a nossa exagerada tendência ao individualismo. Estamos muito preocupados em recebermos bênçãos de Deus para a nossa vida pessoal, em adorarmos a Deus à nossa maneira ou em vivermos a nossa fé particular com Deus. Mas ignoramos a verdade bíblica de que Deus está formando uma família, um povo e um Corpo para Cristo, e que, portanto, nenhum cristão pode viver a sua fé como se fosse uma ilha! Jesus não morreu por nós na cruz para que vivêssemos separados uns dos outros! Cristo morreu por nós para formar um povo, uma comunidade, e se você é cristão, você é parte desta comunidade!

Assim como o cordeiro não deve estar ausente da mesa na Páscoa Judaica, Jesus não deve estar ausente de nossos corações no Ano Novo Cristão. Mas Jesus também não deve estar ausente dos corações de nossos familiares, de nossos vizinhos e de nossos amigos. Cabe a nós, como cristãos, a responsabilidade de, não apenas neste Ano Novo, mas em todos os dias do ano, de convidarmos os nossos pais, irmãos, filhos, parentes, amigos e vizinhos de se sentarem conosco na mesa do Cordeiro de Deus, para podermos desfrutar da presença de Jesus.


2) PROVE JESUS EM SUA VIDA

Um segundo aspecto que devemos nos lembrar neste Ano Novo é que nós devemos provar, experimentar e saborear a Jesus, e não apenas vê-lo. Assim como o cordeiro da Páscoa estava lá para ser comido, e não apenas para ser admirado, nós também devemos nos alimentar de Jesus, e não apenas olhar para Ele. Esta verdade é ressaltada pelo próprio Jesus em João 6.53-57:

53 Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos.

54
Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia.

55
Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida.

56 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.

57 Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim.


Jesus disse que nós deveríamos comer a sua carne e beber o seu sangue para que pudéssemos ter a vida eterna! Disse mais, pois quem come a carne e bebe o sangue de Cristo, esse permanece em Cristo e Cristo permanece nele. Quem se alimenta de Jesus, vive por Jesus!

É claro que Jesus não está falando aqui sobre canibalismo. O que Jesus está dizendo é que nós precisamos aceitar, pela fé, que o sacrifício que Ele fez na cruz é suficiente para a nossa salvação. Mas não é apenas isso. Quem se alimenta de Jesus, permanece em Jesus. E quem realmente “come e bebe” de Cristo são aqueles que vivem por Jesus!

E aqui eu volto para Êxodo capítulo 12. O verdadeiro cristianismo é aquele que vive, integralmente o ensino de Jesus, e não aquele que vive de modo parcial o Evangelho de Cristo. O cordeiro deveria ser comido todo na noite da Páscoa, nada dele deveria sobrar! De igual modo, devemos aceitar tudo aquilo que Jesus fez e ensinou, e não apenas aquilo que nos é agradável.

Mais do que isso, o cordeiro deveria ser cozido no fogo, nada dele deveria estar cru ou ser cozido em água. Se vocês me permitem a alegoria, eu vejo o fogo aqui como o sofrimento experimentado por Jesus. Jesus sofreu em nosso lugar, e como nos alerta o apóstolo Paulo em Atos 14.22, é “através de muitas tribulações que nos importa entrar no reino de Deus”. O Evangelho significa redenção, bênçãos, uma boa carne de cordeiro assada. Mas também é pão sem fermento e ervas amargas, porque, enquanto estivermos neste mundo, o verdadeiro cristão irá experimentar sofrimentos. Irá sofrer na sua luta contra os pecados da carne. Irá sofrer na sua luta contra as forças espirituais da maldade. Irá sofrer na sua luta contra o mundo e as suas estruturas injustas que escravizam a humanidade. Chamar Jesus para a mesa e recusar-se a comer as ervas amargas é a mesma coisa que professar um cristianismo incompleto e superficial.

Mas, animemo-nos com as palavras de Paulo em Romanos 8.18:

Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós”.

Andar com Jesus não é apenas sofrimento. É, antes de tudo, esperança e promessa de vitória. E é com esta esperança que devemos entrar o ano de 2010.


3) PASSAR O SANGUE NA PORTA

Uma última coisa que nós devemos estar nos lembrando como cristãos no Ano Novo é que precisamos passar o sangue do cordeiro na porta. O sangue de Jesus deve estar na porta de nossas casas, de nossas famílias e de nossos corações.

De nada adianta chamarmos os nossos amigos para conhecerem a Jesus e tentarmos, por nossas próprias forças, viver o Evangelho de forma integral se o sangue de Jesus não estiver na porta de nossos corações. Somos o que somos, não por causa de nossas obras ou méritos, mas única e exclusivamente por causa do que Jesus fez por nós.

Em 1 João 1.7, João nos diz que “o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado”. Em Apocalipse 7.14, vemos que os santos são aqueles que “lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro”. Em Marcos 14.24, vemos que Jesus derramou o seu sangue em favor de muitos.

O que estes textos significam? Eles nos dizem que é por meio da morte de Jesus na cruz que nós estamos livres da pena imposta por Deus aos pecadores, a saber, o inferno. Mas eles dizem mais do que isso. Eles nos dizem que o sangue de Jesus nos purifica de todo o pecado! Purificar é muito mais do que ser perdoado. Quando nós somos purificados do pecado, o pecado é removido de nossas vidas! Purificação é remoção de pecados, e não apenas remoção da culpa! Quando lemos em Apocalipse que os santos alvejaram suas roupas no sangue, isso significa que a sujeira saiu de suas vestes. Isto é muito mais do que dizer que suas roupas foram declaradas limpas, porque elas foram mesmo limpas! Deus não mente quando diz que os seus filhos são justos, porque os filhos de Deus são
feitos, de fato, em novas criaturas, e o nosso novo eu é de fato justo! E o que nos torna justos é o sangue de Cristo, e este sangue foi derramado em favor de muitos. Foi derramado a meu favor, a seu favor e a favor de todos aqueles que são salvos pela graça de Cristo!

Amados, crer que o sangue de Cristo nos purifica de todo o pecado é muito mais que crer que Jesus nos livrou do inferno. Crer que Jesus nos purifica é crer que, em Cristo Jesus, qualquer pecado pode ser vencido! Jesus é maior do que a pornografia, do que o adultério, do que o homossexualismo. Jesus é maior do que a avareza, do que a ganância, do que os roubos. Jesus é maior do que o ódio, a ira pecaminosa e o assassinato. Jesus é maior que o pecado!

Mas não adianta apenas sabermos desta verdade. É preciso passar o sangue na porta. É preciso beber do sangue de Jesus. É preciso pedir: “Pai, me purifica! Pai, me liberta! Eu creio, creio que o Senhor é maior que o meu pecado, e que o Senhor pode me libertar! Pai, eu creio!”.


CONCLUSÃO

Meus irmãos, hoje, dia 31 de dezembro de 2009 pode ser, de verdade, um dia de transformação nas nossas vidas. 2010 pode ser um ano diferente, basta, tão somente, que nós nos entreguemos a Cristo, que depositemos a nossa esperança em Cristo, e não em nossa própria força ou poder.

Normalmente eu não gosto de fazer resoluções de Ano Novo, mas este ano, enquanto eu fazia esta pregação, eu fiz uma resolução. Eu quero, este ano, que Jesus me liberte de um pecado que tem me acompanhado ao longo dos anos. Eu quero, hoje, neste culto, entrar 2010 passando o sangue na porta da minha vida, exatamente em cima deste pecado que há anos vem me causando tristeza e vergonha diante do meu Deus. Eu quero terminar 2010, louvando a Deus pela purificação de meus pecados! E eu tenho fé de que Deus, o meu Deus, por meio do sangue de seu Filho, me dará esta vitória!

Amado, não sei no que este sermão falou ao seu coração. Talvez Jesus seja uma experiência solitária para você, e em 2010 Deus te chama para experimentar a Jesus com a sua família e com a sua comunidade. Talvez você não tenha provado a Jesus em sua vida e tenha vivido um cristianismo parcial e incompleto, e hoje Deus esteja te chamando para experimentar Jesus em sua plenitude e inteireza. Talvez você, assim como eu, esteja lutando contra um ou mais pecados em sua vida e já não suporte mais ser humilhado por Satanás. Se você tem perdido a sua esperança e as suas forças na luta contra o diabo e contra um pecado em particular, junte-se a mim, e busque a presença de Jesus em 2010.

domingo, 27 de dezembro de 2009

SABADOLATRIA?

O SABATISMO

INTRODUÇÃO:

A – DADOS HISTÓRICOS.

FUNDADOR do movimento millerita: William Miller, fazendeiro norte-americano, natural de Low Hampton, Estados de Nova Iorque, nasceu em 1782 e faleceu em 1849. Era batista e pregador leigo, pois nunca fora ordenado.
Em 1818, após estudar dois anos as Escrituras, convenceu-se de que Jesus voltara a terra em 10/12/1843. Deduziu isso de Dn 8:13-14, tomando as 1.300 "tardes e manhãs" como sendo 2.300 anos contados a partir de 457 a.C., ano que Esdras subiu a Jerusalém, vindo de Babilônia. Miller com convixão própria começou a divulgar a sua mensagem antibíblica: "Cristo voltaria a terra em 1843 d.C".
Em 1831 iniciou a pregação das suas doutrinas e começou o seu proselitismo, mas sem nenhuma organização. Catequizados pelo falso profeta, cerca de 30.000 pessoas o seguiram, deixando suas ocupações. Venderam suas propriedades e, na noite do dia fixado (10/12/1843 reuniram-se ao ar livre, perto dos montes Cats kills, Estado de Nova Iorque, para aguardar o evento. Todos trajavam as "vestes de ascensão". Alguns dos mais curiosos aguardavam em cima dos telhados das casas próximas. Esperavam em vão!... A profecia de Miller discordava das palavras do Senhor Jesus em (Mt 25:13)).
Como Cristo não veio na data marcada, Miller alegou que houvera engano de um ano, por Ter feito seus cálculos baseados na cronologia Hebraica, em vez de romana. Marcou nova data 22/10/1844. A multidão que se reuniu nesse ano foi maior. Mas outra vez esperaram em vão... Então a maioria enfurecida abandonou o movimento. Outros mais apelaram para a violência, a fim de vingar-se de Miller.

B – O SUCESSOR.

A esta altura, um de seus auxiliares entra em cena, a senhora – Ellen Gould White, que se proclamou profetisa e líder do movimento. Para salvar a situação deixada por Miller, ela criou a teoria do "Santuário". Essa teoria afirma que o "Santuário de Dn 8:13-14 está no Céu, não na terra, em que Cristo veio em 22/10/1844 a esse santuário para purificá-lo, trabalho que está fazendo até agora. A senhora White assegurou que tudo isso lhe tinha sido dado na" "revelação divina". Em meio fanatismo religioso e as contradições teológicas sem base da sua seita, ela lançou a teoria do "Sabatismo", para a guarda do sábado. Em uma da s suas "visões" lhe foi revelada "Um caminho estreito que se destinava ao Céu pelo que somente os adventistas caminhavam".

C – OS VÁRIOS TÍTULOS DO SABATISTMO ATRAVÉS DOS TEMPOS.

Essa seita mudou de nome por diversas vezes. Chamou-se Igreja Cristã Adventista *(1855); Adventista do Sétimo Dia (1860); União da vida e Advento (1864): Igreja de Deus Adventista (1921). Depois ainda recebeu as denominações de Igreja Adventista Reformada, Igreja Adventista da promessa e finalmente, Igreja Adventista do Sétimo Dia. Esta constitui o principal grupo, mas há outros.
Dentre as doutrinas mais prejudiciais do sistema doutrinário sabatista, destacamos três:
1. A salvação depende de obras, isto é, da guarda do sábado, (Ef 2:8-9).
2. A inexistência do espírito entre a morte e a ressurreição, (Fp 1:23-24; II Cor. 5:1-8).
3. A aniquilação total dos ímpios, (Mt 25:45; Ap 14:11).

II – SABATISMO E AS SUAS PRINCIPAIS DOUTRINAS.

A - AFIRMAÇÃO – A SALVAÇÃO DEPENDE DA GUARDA DA LEI.

REFUTAÇÃO:


a) Pela Lei ninguém será justificado diante de Deus, "Por isso nenhuma carne será justificada diante de Deus pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado, (Rm 3:20)", Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé de Cristo, e não pelas obras da Lei; porquanto pelas obras da Lei, nenhuma carne será justificada, (Gl 2:16),... "Se a justiça provém da lei, segue-se que Cristo morreu debalde", (Gl 2:21), "E é evidente que pela lei ninguém será justificado diante de Deus", (Gl 3:11; "E de tudo o que pela lei de Moisés, não pudesse ser justificado, por Ele é justificado todo o que crê", (Ap 13:39). "Pois a lei nenhuma coisa aperfeiçoou e desta sorte é introduzida uma melhor esperança, pela qual chegamos a Deus, (Hb 7:19))".

b) O crente não está debaixo da Lei. "Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estás debaixo da lei, mas da graça", (Rm 6:14); "mais depois que a fé veio, já não estamos debaixo do aio", (Gl 3:25); no preâmbulo da lei, que é Êxodo 19 a que o povo se dirige a Deus (vv. 3-6), senão a Israel? A Lei foi um concerto entre Deus e Israel somente, quem afirmou o concerto do lado humano, foi o povo de Israel, os demais povos nada tem com ele. Um concerto que só Israel firmou, obriga outros povos? Êxodo 19:5, também mostra que o concerto da lei era restrito a Israel. Tratava-se de um governo Teocrático, (Êx 19:6). Muito cedo os israelitas quebraram o concerto e continuaram a transgredi-lo, por isso, em (Jr 31:31-34), Deus prometeu um novo concerto, que abrangeria não só a Israel, mas ao mundo. Hebreus 8:6-13 cita a mesma passagem de Jeremias e mostra que esse novo concerto já foi estabelecido por Jesus (vede também Hb 10:9). A Palavra de Deus afirma (Gl 3:7-10, 16-17). Que o concerto abraâmico, (Gn 12:3), não foi invalidado pela lei, mas, cumprindo-se em Cristo. Nós gentios, nada temos com o concerto da lei e sim com o abraâmico, que se cumpriu em Cristo. O novo concerto não pode ser anulado, porque Jesus cumpriu todas as condições exigidas, fez tudo o que era preciso fazer. Ao homem cabe apenas aceitá-lo ou rejeitá-lo.

c) O crente está morto para a lei. "Assim, meus irmãos, também, vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo, para que sejais outro", (Rm 7:4. Em Romanos 7:16, a Palavra de Deus compara a lei a um marido falecido. Compara também os judeus (7>1), a uma viúva, livre para casar-se com outro que é Cristo. Nos vv. 4-6, o apóstolo ainda mostra outra faceta da verdade: quando se aceita Cristo, morre-se para a lei juntamente com Ele. Que pode a lei fazer com um morto? Quando um grande criminoso morre, a lei perde a força que tinha contra ele. Isso esclarece o texto. No v. 1. Vê-se que a passagem visa especialmente aos judeus. Ora, se os judeus, a quem foi dirigida à lei, não estão debaixo dela, muito menos nós que nunca fomos judeus! A passagem mostra que na conversão, morremos com Cristo, logo morremos para ale, v. 4. Misturar lei com a graça é incorrer em grande perigo).

d) O crente está livre da lei. "Mas agora estamos livres da lei, pois morremos para aquilo que estávamos retidos, para que sirvamos em novidade de vida, e não na velhice da letra" (Rm 4:6).

e) Somos salvos pela graça de Deus. "Pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é Dom de Deus. Não vem das obras para que ninguém se glorie", (Ef 2:8-9); "Porque a graça de Deus se há manifestada, trazendo salvação a todos os homens... " (Tt 2:11). "Para que sendo justificados pela sua graça...", "Sendo justificado gratuitamente pela sua graça...", (Rm 3:24); "Mas cremos que seremos salvos pela graça do Senhor Jesus Cristo", (At 15:11).

f) Querer ser salvo pela lei é declarar sem valor a morte de Cristo. "Porque se a justiça provem da lei, segue-se que Cristo morreu debalde", (Gl 2:21).

g) Querer ser salvo pela lei, é viver na carne e não no espírito. Só quisera saber isto de vós, recebestes o espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé? Sois vos tão insensatos que tendo começado pelo espírito, acabais pela carne?", (Gl 3:2-3)".

h) Querer ser salvo pela lei, é ficar debaixo da maldição. "Todos aqueles, pois que são das obras da lei estão debaixo da maldição, porque está escrito:" "Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las, (Gl 3:10)".

i) Querer ser salvo pela lei, é meter-se debaixo de jugo. "Agora, pois, porque tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós podemos suportar?", (At 15:10). "Estais, pois firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a meter-vos debaixo do jugo de servidão", (Gl 5:1).

j) Querer ser salvo pela lei, é ficar separado de Cristo. "Separado estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei", (Gl 5:4).

k) Querer ser salvo pela lei, é cair da graça de Deus. "Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela, da graça tendes caído", (Gl 5:4).

l) Querer ser salvo pela lei, é Ter outro evangelho. "Maravilho-me que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo, para outro evangelho", ( Gl 6:9).

m) Querer ser salvo pela lei, é ficar debaixo do ministério da morte e da condenação. "E se o ministério da morte, gravado com letras em pedras..." "Porque se o ministério da condenação...", (II Cor. 3:7, 9).


B - AFIRMAÇÃO – A LEI NUNCA FOI REVOGADA.

REFUTAÇÃO:

a) Cristo é o fim da lei. "Cristo é o fim da lei para justificar todo aquele que crê" (Rm 10:4).

b) Cristo desfez a lei dos Mandamentos. "" Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos que consistia em "ordenança", (Ef 2:15).

c) O Senhor riscou a cédula que era contra nós nas suas ordenanças. "Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós. Cravando-a na cruz", "Cl 2:14-(17)".

d) O antigo concerto envelheceu, agora estamos no novo. "Dizendo novo concerto, envelheceu o primeiro. Ora, o que foi tornado velho, e envelhece, perto está de acabar", (Hb 8:13). "Então disse, Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a tua vontade. Tira o primeiro para estabelecer o segundo", (Hb 10:9).

e) O Velho Testamento foi para Cristo, abolido. "... Porque até hoje, o mesmo véu está por levantar na lição do Velho Testamento, o qual foi por Cristo, abolido", (II Cor. 3:13-14). Está escrito em Romanos 10:4: "O fim da lei é Cristo para justiça de todo àquele que crê". No mesmo livro (Rm 3:21), diz: Agora se manifestou sem lei a justiça de "Deus", "Que Cristo é o fim da lei também o provam", (Cl 2:14-17; II Cor. 3:14).

f) A Lei ficou doente. "Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne...", (Rm 8:3).

g) Apenas algumas coisas da aliança passaram para o novo concerto. "Pelo que julgo que não se dava perturbar aqueles, dentre os gentios, que se convertem a Deus, mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, da prostituição, do que é sufocado e do sangue", (At 15:19-20). A lei funcionou como "AIO" conduzindo as pessoas a Cristo e ai terminou seu ministério. "De maneira que a lei nos serviu de" "aio" para nos conduzir a Cristo...", (Gl 3:24)", Porque todos o profetas e a lei duraram até "João", (Mt 11:13), "A lei e os profetas duraram até João", (Lc 16:16).

C – AFIRMAÇÃO – A SALVAÇÃO DEPENDE DA GUARDA DO SÁBADO.

REFUTAÇÃO:

a) A salvação depende da graça de Deus e não de guardar um dia. "Guardai dias, e meses e tempos, e anos. Receio de vós, para que não haja trabalhado em vão para convosco", (Gl 4:10-11); "Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova ou dos sábados", (Cl 2:6).

b) A guarda do Sábado não é questão de fé e sim de consciência. "Um faz diferença entre dias e dia, mas outro, julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro no seu próprio ânimo, (Rm 14:5)".

c) O Sábado do decálogo tem uma parte moral e eterna, e uma outra cerimonial e transitória. A parte moral: um dia de descanso: Os adventistas costumam citar as palavras bíblicas: "Eu o Senhor não mudo", mas isso nada tem a ver com o Sábado. Portanto, o aspecto cerimonial, isto é, um dia fixo de descanso, é mutável, Jesus mostrou isto em Mt 12:5, e em Jo 7:21-23. Este lado cerimonial era pacto com Israel. Portanto, local.

d) Na primeira convenção da Igreja não ouve ratificação do Sábado, conforme se vê do relato de At 15:1-34. Essa primeira convenção mostra que, mesmo entre os judeus, o Sábado já não era mais observado, muito menos entre os gentios. A referida passagem diz que, por parecer do Espírito Santo e dos apóstolos, somente de quatro coisas deveriam os convertidos dentre os gentios se abster: das contaminações de ídolos, da prostituição, do que sufocado e do sangue.

e) O Sábado era um sinal entre Deus e o povo de Israel. "Tu, pois, fala aos filhos de Israel: certamente guardareis meus sábados, por quanto isso é um sinal entre mim e vós nas vossas gerações", (Êx 31:14); "Guardarão, pois, os meus sábados os filhos de Israel... entre mim e os filhos de Israel será um sinal para sempre", (Êx 31:16-17), "E também lhes dei os meus sábados para que servissem de sinal entre mim e eles", (Ez 20:12).

f) Jesus é o Sábado. Em Mc 2:27, o Senhor diz que "o Sábado foi feito por causa do homem e não o homem por causa do Sábado". Quer isso dizer: O homem não deveria servir ao Sábado nem colocar-se sob seu jugo, mas empregá-lo para seu repouso; o Sábado foi instituído para prestar serviço ao homem. Em Mt 12:8, o Senhor diz ainda que "O Filho do Homem, até do Sábado, é Senhor". Assim sendo Jesus pode fazer dele o que quiser. O certo é ficarmos com o Senhor do Sábado e não com o Sábado do Senhor.
Durante sua vinda a terra, o Senhor escolheu o Sábado como dia de trabalho. Vejamos alguns

exemplos:
1) A cura do endemoniado, Lc 4:31-47.
2) A cura da sogra de Pedro, Lc 4:38039.
3) A cura do homem da mão mirrada, Lc 6:6-11.
4) A cura da mulher paralítica. Lc 13:10-17.
5) A cura de um hidrópico, Lc 14:1-6.
6) A cura do doente de Betesda ((Note que o Senhor mandou o curado carregar seu leito, Jo 5:5-16)).

7) A cura de um cego de nascença, Jo 9:1-41. Foi a respeito dessas curas em dia de Sábado e pelas acusações recebidas que Jesus disse: "Meu Pai trabalha até agora, e Eu trabalho também", Jo 5:17.

g) Não encontramos no Novo testamento passagem com relação à guarda do Sábado. Podemos observar que nove dos dez mandamentos constam no Novo Testamento, como preceitos morais para a vida cristã, mas o quarto, e tão discutido sábado não, como se vê no quadro abaixo sobre os dez mandamentos:


Antigo Testamento Novo Testamento

1) Êx 20:2-3 I Cor. 8:4-6; At 17:20: 21.
2) Êx 20:5-6. I Jo 5:12.
3) Êx 20:7. Tg 5:12.
4) Êx 20:8-11.
5) Êx 20:13. Ef 6:13
6) Êx 20:13. Rm 13:9
7) Êx 20:14 I Cor. 6:9-10
8) Êx 20:15 Ef 4:28
9) Êx 20:16. Cl 3:9; Tg 4:11.
10) Êx 20:17. Ef 5:3

O apóstolo Paulo em At 20:27, diz que tudo de proveitoso, ele ensinara e que anunciara todo o conselho de Deus. Entretanto nada ensinou sobre a guarda do Sábado. Isso é muito significativo. Outrossim, no Novo Testamento, há uma lista de pecados horríveis, mas a quebra do dia do sábado como dia de guarda não figura entre eles e nem menos é mencionado como pecado, enquanto no Velho Testamento, essa falta era punida com a morte, Nm 15:32, 36. Jesus também declarou que quando o Consolador viesse, ensinaria todas essas coisas, Jo 14:26-33, mas nada ensinou sobre a guarda do Sábado, nem diretamente, nem por meio de apóstolos. Não bastaria isso para pôr ponto final ao assunto?

h) A lei e o Sábado são sombra de bens futuros, "Porque sendo a lei a sombra dos bens futuros, então a imagem exata das coisas..." (Hb 10: 1). "Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, pelo beber, ou por causa dos dias de festa ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombras de coisas futura", (Cl 2:16-17).

i) Pela salvação em Cristo, o crente está guardando seu Sábado, ou repouso espiritual. "Porque nós, os que temos crido, estamos no repouso...", (Hb 4:3).

j) Quando morrer, ou quando Cristo vier, o crente entrará na guarda do Sábado, o repouso eterno na glória. "Porque se José lhes houvesse dado repouso, não falaria depois disto de outro dia, portanto, resta um repouso para o povo de Deus. Procuremos, pois, entrar naquele repouso", (Hb 4:8-9,11).

D – AFIRMAÇÃO – PAULO GUARDAVA O SÁBADO, POIS PREGAVA AOS SÁBADOS NAS SINAGOGAS.

REFUTAÇÃO:

O fato de pregar aos sábados, conforme os relatos em (At 13:14; 16:13; 17:2; 18:4), era para aproveitar a reunião dos judeus nesse dia. Ele próprio dá a razão disso em (I Cor. 9:19-23), dizendo que foi para ganhar os judeus que se fez judeu, isto é, procedeu como um judeu religioso.

E – AFIRMAÇÃO – OS ESCRITORES DO "NOVO TESTAMENTO" NÃO DOUTRINARAM SOBRE O SÁBADO, PORQUE O SÁBADO ERA GUARDADO POR TODOS ELES, PORQUE ERAM JUDEUS.

REFUTAÇÃO:

Mais uma vez a argumentação é falha, porque o que temos no Novo Testamento não é a doutrina de Paulo ou de Pedro, mas a do Espírito Santo. Como já vimos, N. T., menciona todos os mandamentos, exceto o quarto. Será esquecimento do Espírito Santo.

F – AFIRMAÇÃO – O SÁBADO ERA CHAMADO "CONCERTO PERPÉTUO, PORTANTO, COM VALIDADE PARA OS NOSSOS DIAS".

REFUTAÇÃO:

É lógico que esse "perpétuo" ou sinal para sempre citado e, (Êx 31:16-17), só teria valor enquanto Israel guardasse a aliança, mas em (Jr 31:16-17), Deus mesmo diz que Israel anulou o concerto. Na lei há outras coisas perpétuas que os sabatistas não guardam a festa da páscoa, (Êx 32:14; as purificações, (Êx 30:21); os festivais sagrados, (Lv 23:21; a festa dos tabernáculos, (Lv 23:41; a circuncisão, (Gn 17:12-13). Mas eles dizem que isso foi abolido, mas o Sábado, não))).

G – AFIRMAÇÃO – O SÁBADO FOI INSTITUÍDO POR DEUS POR OCASIÃO DA CRIAÇÃO, SÉCULOS ANTES DA LEI, POR ISSO CONTINUA DEPOIS DELA.

REFUTAÇÃO:

Isto também não tem menor fundamento. Em Gênesis não consta que o sétimo dia fosse o Sábado. Também não consta Deus Ter mandado o homem guardar o Sábado após a criação, (Gn 2:3). O Sábado é mencionado como mandamento em (Êx 16:23-30), e isto há 2.500 anos após a criação. O livro de Gênesis não menciona haver alguns dos patriarcas guardando. Mas esmagadora prova são as palavras citadas em (Dn 5:3), Moisés afirma que o concerto do Sinai não era conhecido dos que viveram antes dele. Vê-se, pois, que o sabatismo não resiste a uma análise bíblica isenta de preconceitos como a que ora fizemos.

REFUTAÇÕES ISOLADAS SOBRE A GUARDA DO SÁBADO.

a) A Ciência:
1) Os adventistas não podem observar todos os mesmos períodos de tempo na guarda do Sábado devido aos usos horários. Por exemplo: Os adventistas da Califórnia trabalham três horas no Sábado adventistas de Nova Iorque. Os sabatistas de Costa Rica começam a guardar o Sábado 12 horas depois dos sabatistas chineses. O Sábado na Austrália começa 18 horas antes do Sábado na Califórnia.

2) Como os sabatistas vão saber que estão guardando o Sábado da criação, se a data desse período não pode ser precisada, se os calendários históricos mudaram uns cem números de vezes?

3) Outro físico que contraria a pretensa guarda uniforme e simultânea do Sábado é apontada pelo "Bíble Institute" Pag. 145: Nas regiões polares, de acordo com a época do ano, o dia duras vários meses.

b) Outras considerações:

1) O Sábado comemora a criação física terminada. O Domingo comemora a redenção terminada, que redunda em nova criação espiritual.

2) Não existe ordem neotestamentária para guardar o sábado.

3) Um homem que se perde na floresta tem noção dos dias para guardar o Sábado? Como se haveria um sabatista em tal caso?

4) A guarda fixa do Sábado aplicado ao tempo da graça põe em dúvida a doutrina da salvação pela graça mediante a fé; essa mesma doutrina que os sabatista dizem professar. Realmente eles não definem se a salvação é por graça ou mediante a obediência, uma vez que ensina haver salvação sem a guarda do Sábado. Em (Gl 2:21), está escrito, que se a nossa justificação provém da lei, Cristo morreu debalde.

5) No Monte da Transfiguração, estando a lei e os profetas representados por Moisés e Elias, a quem disse o Pai que deveriam ouvir? – "a ele ouvi", foi o que falou.

6) Os sabatistas dizem que guardam o Sábado das 18:00 às 18:00, como ordena a lei. Sim, fizeram isso no princípio, durante dez anos, depois desistiram (ver The Chaos of Cults, pág. 142).

7) Conforme (Ex 31:14-15), se a guarda do Sábado estivesse em vigor, não estaríamos todos mortos?

H – AFIRMAÇÃO – A LEI ESTÁ DIVIDIDA EM PARTES: CERIMONIAL E MORAL.

REFUTAÇÃO:

a) Nas 400 vezes que a palavra lei é mencionada na Bíblia, em nenhuma delas é feita a distinção entre "moral" e "cerimonial".Os sabatistas dividem a lei por conveniência. Chamam ao Decálogo "Lei Moral" e ao restante "Lei Cerimonial". Ensinam que a lei cerimonial foi abolida por Cristo e que a moral permanece. Com este arranjo tem bem feito, atraem os ingênuos, envenenando-os a guardar o decálogo, onde se acha o Sábado. Mas tal distinção não está na Bíblia. Em Romanos 7:7, o apóstolo Paulo cita uma palavra sobre decálogo e afirma que a "lei diz", não a lei moral "diz". Em Mateus 12:5, Jesus citou uma passagem de Números dizendo apelas "a lei" e não a "lei cerimonial", Em Lucas 24:44, Ele se referiu a todo o Pentateuco como a "lei de Moisés". Em Mateus 22:36, quando um doutor perguntou Qual era o maior mandamento da lei, Jesus não perguntou de qual lei? É notável também o fato de Jesus, em (Jo 10:34), citar uma passagem do (Sl 82:34), declarando que era da lei. Portanto, quando a Bíblia fala da lei de Moisés por divina revelação, (Jo 1:17; 7:19).

b) Conforme mencionamos, a lei é indivisível. Nela vemos não somente leis morais e cerimoniais, mas também constitucionais quando tratam de cidadania, deveres do rei, organização do exército, poder judiciário, etc. Há também leis sobre moral, pessoas físicas, propriedades, etc., e leis humanitárias. Mas a lei como um todo é indivisível.

I – AFIRMAÇÃO – A LEI CERIMONIAL FOI ABOLIDA.

REFUTAÇÃO:

a) Eles afirmam que a lei Cerimonial foi abolida, quando esta, repleta de preceitos morais e eternos principalmente, (Lv 19). Dizem também que tudo que não pertence ao Decálogo é "lei cerimonial". Os textos abaixo não pertencem ao Decálogo e não serão abolidas, enquanto o homem habitar sobre a terra:
1) "Sereis santos", (Lv 19:2);
2) "Não torcerás o juízo", (Dt 16:19);
3) "Perfeito serás", (Dt 18:13);
4) "Não seguirás a multidão para fazeres o mal", (Êx 23:2);
5) "Não te vingarás nem guardarás ira", (Lv 19:18).
Estes preceitos, como dezenas de outros similares, não estão no Decálogo, mas são tão obrigatórios como qualquer um desse código. Há uma lei moral escrita no coração de todo homem, que condena, quando ele rouba, mata, comete desonestidade etc, mas ninguém se sente condenado por não guardar o Sábado, exceto quando é doutrinado a esse respeito.
b) Por seus atos os próprios sabatistas demonstram que a lei cerimonial não foi abolida, pois não comem carne de porco, instrução dessa lei, que eles declaram estar abolida, (Lv 11:1-8; Cl 2:16, 20,23).

J – AFIRMAÇÃO – A PARTE MAIS IMPORTANTE DA LEI É O DECÁLOGO.

REFUTAÇÃO:

a) Os sabatistas procuram demonstrar a superioridade do Decálogo, afirmando o seguinte:
1) Que foi escrito pela mãe de Deus;
2) Que foi escrita em pedra; e.
3) Que foi guardada dentro da arca.

b) Também apontam a inferioridade da lei cerimonial; declarando:
1) Que foi escrita por Moisés (conforme Êx 34:27), (também veio de Deus);
2) Que foi escrita em material inferior, (Êx 24:7), em um livro; e.
3) Que foi guardada fora da arca, (Dt 31:24-25).
O Decálogo é a síntese de toda a lei. De fato, tudo que há no Pentateuco está em resumo no Decálogo. É a essência, a súmula dele. (Foi escrito em tábuas de pedra para ser um testemunho visível do conserto que Deus fez com Israel; por isso é chamado "Tábuas de Testemunhos", Êx 31:18).
c) Isso é um argumento muito pobre e fraco, pois a Palavra de Deus nos informa que dentro da arca foram colocados vários outros objetos como a vara de Arão e o vaso contendo o maná. Todas essas coisas eram transitórias. Até a própria arca na Aliança. Conforme lemos em (Dt 10:1-5; 31:26). O que foi colocado fora da arca o foi porque tinha de ser manuseado constantemente.

d) Os sabatistas quebram a chamada lei moral: Em (Êx 20:9), está escrito.
"Seis dias trabalharão". Ora, eles só trabalham cinco, pois, no Domingo não há trabalho, pelo menos nas nações de formação cristã.

e) A parte mais importante da lei não é o Decálogo, conforme se lê em (Mt 22:35-40). Nenhum dos dois mandamentos aí citados encontra-se no Decálogo. O primeiro está em (Dt 6:5), o segundo em (Lv 19:8). Em (Mt 22:40), Jesus declara que toda a lei depende destes dois mandamentos.

L – AFIRMAÇÃO – SEM LEI O HOMEM TEM LIBERDADE DE PECAR.

REFUTAÇÃO:

a) O crente está debaixo da lei de liberdade. "Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade, e nisso persevera", (Tg 1:25).

b) O crente está debaixo da lei do espírito de vida. "Porque a lei do espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte", (Rm 8:2).

c) O crente está debaixo de um novo mandamento. "Um novo mandamento vos dou, que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei a vós", (Jo 13:34). "O seu mandamento é este: Que creiamos no nome do seu Filho, Jesus Cristo", (I Jo 3:23). Pela separação da Palavra de Deus em nós, temos vida, pureza e esperança eterna, (vede I Jo 3:3; I Pe 2:16; 1:3-25; Jo 8:32). Assim vivendo, o crente pode afirmar que os "seus mandamentos não são pesados", (I Jo 5:3).

d) Conforme (Rm 5:13), o crente está sem lei, ele tem a lei de Cristo, (Gl 6:2. I Cor. 9:21; Mt 11:29). O apóstolo Paulo declara Ter morrido para a lei a fim de viver para Deus, (Cl 2:19).

M – AFIRMAÇÃO – EM 1844, JESUS ENTROU NO SANTUÁRIO CELESTE PARA PURIFICAÇÃO DO PECADO; CONFORME (Dn 8:13-14).

REFUTAÇÃO:

a) O texto a que eles se apegam, isto é, (Dn 8:13-14), não se refere ao Céu, e sim ao Templo de Jerusalém. A Sra. White afirma que a purificação mencionada nesse texto refere-se a Cristo purificando o santuário do Céu quando, na realidade é uma referência a Judas Macabeu purificando e reedificando o templo em Jerusalém que foi profanado por Antioco Epífanes em 25 de dezembro de 169 a.C., e purificado por Judas em 165 a.C., até que ficou conhecido como Festa da Dedicação, (Jo 10:22). As "2.300 tardes e manhãs" são 1.150 dias, isto é, os três anos e dois meses que decorreram entre a profanação e a purificação.

b) A obra de Cristo neste período da graça é de intercessão e não de purificação.
"Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles" (Hb 7:25).

c) Cristo já fez a purificação dos pecados.
"... havendo feito por si mesmo a purificação dos pecados assentou-se à direita da majestade nas alturas", (Hb 1:3). Nessa mesma epístola, (Hb 8:1), afirma-se que Cristo está agora assentado, o que indica missão terminada. No A. T., os sacerdotes ao ministrar, nunca se sentavam, porque seu trabalho não era perfeito, realmente, quanto à salvação, Cristo já fez tudo. Seu trabalho, agora, é o sacerdotal de intercessão, (Hb 7:25). No templo, o sacerdote sempre tinha sacrifícios que oferecer, mas com Jesus já não acontece assim. (vide Hb 10:12).

d) Cristo entrou no santuário do Céu, em 1844, mas 40 dias após a sua ressurreição, quando
ascendeu (vide At 1:11; 7:25; Ef 4:10).

10 – AFIRMAÇÃO – A EXPIAÇÃO DOS PECADOS É FEITA POR JESUS E SATANÁS.

REFUTAÇÃO:

a) Os sabatistas citam para a sua defesa Lv 16:15-21 e declaram que no da Expiação, o bode imolado para a expiação do pecado do povo tipificava Cristo, e o outro, enviado ao deserto, levando as iniqüidades do povo de Israel tipificava o Diabo. Dizem que Deus lançara o pecado dos remidos sobre o Diabo e o enviara ao inferno para ser aniquilada pelo fogo (Bible Readings, ed. 1915), essa interpretação é falsa, pois, os dois bodes tipificavam as duas fazes da obra expiatória de Cristo. A expiação dos pecados é vista no bode que morre, e a remoção dos pecados pelo perdão está simbolizada no bode enviado para o deserto, para longe, Sl 103:3-12; Is 43:25.

b) Satanás não pode Ter parte na sublime obra da expiação; a idéia de sua participação é repulsiva a qualquer pessoa espiritualmente esclarecida. Caso semelhante ao desses bodes temos Lv 14:1-7, onde duas aves também representam dois aspectos da salvação, a ave que vive e a ave que morre são figuras da morte e ressurreição de Cristo, Rm 4:4. Além disso, o bode segundo a Lei, era animal limpo e Satanás não se pode a ele comparar.

c) Foi unicamente sobre Jesus que caiu as nossas iniqüidades e não sobre o Diabo.
"Mas o Senhor fez cair sobre Ele à iniqüidade de nós todos", Is 53:6; "levando Ele mesmo em seu corpo nossos pecados sobre o madeiro...", 1 Pe 2:24.

d) Sem derramamento de sangue não haveria remissão. "... e sem derramamento de sangue não haverá remissão", Hb 9:22; "... Igreja de Deus que ele resgatou com seu próprio sangue", At 20:28. Pelo sangue de Jesus é que o crente recebe as mais diversas bênçãos, como:
1) Proximidade de Deus, Ef 2:13;
2) Santificação, Hb 13:12;
3) Justificação, Rm 5:9;
4) Libertação da ira, Rm 5:9;
5) Paz, Cl 1:20;
6) Redenção, Ap 12:11;
7) Purificação, 1 Jo 1:7.

e) Cristo, "por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário havendo efetuado uma eterna redenção", Hb 9:12, com o que cumpriu o que estava escrito. "É o sangue que fará expiação pela alma", Lv 17:11.Satanás não tem parte na sublime obra da redenção: ele é inimigo de Deus e da humanidade. Por isso é chamado de: Diabo, o que significa caluniador, pois mente contra Deus, Gn 3:2-5, e acusa o homem, Ap 12:10:
1) Destruidor, Ap 9:11;
2) Serpente, Ap 12:9, que nos faz lembrar aquele agente no jardim do Éden, levou o homem a pecar;
3) Tentador, Mt 4:3s sempre com intuito de levar o homem a distanciar-se de Deus;
4) Príncipe e deus deste século, Jo 12:31; 2 Cor. 4:4. Agita os homens e leva-os ao caos, segam-lhes o entendimento.
f) As atitudes do Diabo:
1) Perturbar a obra de Deus, 1 Ts 2:18;
2) Opor-se ao Evangelho, Mt 13: 19;
3) Dominar, cegar, enganar os homens, Lc 22:3; 2 Cor. 4:4; Ap 20:7-8. O Diabo é descrito como sendo presunçoso, Mt 4:4-5; Orgulhoso, 1 Tm 3:6; Astuto, 2 Cor. 11:3; Enganador, Ef 6:11; Feroz, 2 Pe 5:8. Por tudo isso é fácil qualquer mente esclarecida concluir que Satanás não pode Ter parte na obra de Redenção.


Por: Pr. Mauricio de Castro




sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

"A Lei do Senhor é perfeita"

“A LEI é um buraco sem fundo, . . . engole tudo.” Essa declaração aparece num livro publicado em 1712. O autor expressava sua desaprovação a um sistema jurídico em que os processos muitas vezes se arrastavam por anos nos tribunais, resultando em ruína financeira para os que buscavam justiça. Em muitos países, o sistema judicial e legal é tão complexo, tão cheio de injustiças, preconceitos e incoerências, que o desprezo pela lei se tornou comum.

Em contraste, veja estas palavras escritas há uns 2.700 anos: “Quanto eu amo a tua lei” (Salmo 119:97) Por que o salmista tinha sentimentos tão intensos? Porque a lei que ele amava não havia sido criada por governos seculares, mas por Deus. À medida que estudar as leis de Deus, provavelmente você também se sentirá cada vez mais como o salmista. Esse estudo o ajudará a entender um pouco melhor o maior Legislador do Universo.

O Legislador supremo

“Um só é Legislador e Juiz”, diz a Bíblia. (Tiago 4:12) De fato, Deus é o Legislador por excelência. Até os movimentos dos corpos celestes são governados pelas “leis dos céus”, que ele criou. (Jó 38:33; A Bíblia de Jerusalém) Os milhares e milhares de santos anjos de Deus estão organizados em categorias definidas e servem sob a ordem direta de Deus, como Seus ministros. Portanto, também são governados pela lei divina. — Salmo 104:4; Hebreus 1:7, 14.

Deus também deu leis à humanidade. Cada um de nós tem uma consciência, que reflete o senso de justiça do Senhor. Ela é uma espécie de lei interior que nos ajuda a distinguir o certo do errado. (Romanos 2:14) Nossos primeiros pais foram abençoados com uma consciência perfeita, de modo que precisavam de poucas leis. (Gênesis 2:15-17) Humanos imperfeitos, porém, precisam de mais leis para orientá-los a fim de fazer a vontade de Deus. Patriarcas, como Noé, Abraão e Jacó, receberam leis de Deus e as transmitiram às suas famílias. (Gênesis 6:22; 9:3-6; 18:19; 26:4, 5) O Senhor se tornou Legislador de uma forma sem precedentes quando deu à nação de Israel o código da Lei por meio de Moisés. Esse código jurídico nos ajuda a entender melhor o senso de justiça de Deus.

Lei mosaica — um apanhado geral

Muitos acham que a Lei mosaica era um conjunto de leis volumoso e complexo. Mas estão redondamente enganados! O código inteiro incluía mais de 600 leis. Isso talvez pareça bastante, mas pense: no fim do século 20, as leis federais dos Estados Unidos enchiam 150.000 páginas de livros jurídicos. A cada dois anos, acrescentavam-se mais umas 600 leis! Assim, em termos apenas de volume, a Lei mosaica parece minúscula em comparação com essa montanha de leis humanas. Mas a lei de Deus orientava os israelitas em áreas da vida que as leis modernas nem de longe abrangem. Vamos ver um apanhado geral dela.

A Lei exaltava a soberania de Deus. Por isso, nenhum outro código jurídico se compara a ela. A maior de suas leis era: “ Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR.
Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força” Como o povo de Deus poderia expressar amor por Ele? Deveriam servi-lo e se sujeitar à Sua soberania. — Deuteronômio 6:4, 5; 11:13.

Como os israelitas mostravam que aceitavam a soberania de Deus? Sujeitando-se àqueles que representavam a autoridade divina, como pais, maiorais, juízes, sacerdotes e, mais tarde, reis. Deus encarava qualquer rebelião contra essas autoridades como rebelião contra ele próprio. Por outro lado, autoridades que lidassem de forma injusta ou arrogante com o povo de Deus se arriscavam a incorrer na ira dele. (Êxodo 20:12; 22:28; Deuteronômio 1:16, 17; 17:8-20; 19:16, 17) Assim, ambas as partes deveriam defender a soberania de Deus.

A Lei defendia a norma divina de santidade. As palavras “santo” e “santidade” aparecem mais de 280 vezes na Lei mosaica. A Lei ajudava o povo de Deus a distinguir entre o que era puro e o que era impuro, citando cerca de 70 coisas que tornavam um israelita cerimonialmente impuro. Essas leis traziam benefícios notáveis para a saúde, porque tratavam de higiene física, dieta e até manejo de lixo e resíduos (1). Mas elas tinham um objetivo mais nobre: manter o povo no favor de Deus, separado das práticas pecaminosas das nações degeneradas que os rodeavam. Vejamos um exemplo.

Estatutos do pacto da Lei declaravam que o parto e as relações sexuais — mesmo entre casados — resultavam num período de impureza. (Levítico 12:2-4; 15:16-18) Isso não depreciava essas dádivas puras de Deus. (Gênesis 1:28; 2:18-25) Ao contrário, essas leis defendiam a santidade de Deus, ajudando Seus adoradores a evitar depravações. Como? As nações ao redor de Israel costumavam misturar sexo e ritos de fertilidade na sua adoração. A religião cananéia incluía prostituição masculina e feminina. O resultado disso era depravação da pior espécie, que se espalhava facilmente. Em contraste com isso, a Lei separava totalmente a adoração de Deus de assuntos sexuais (2). Também havia outros benefícios.

Essas leis serviam para ensinar uma verdade fundamental (3). Afinal de contas, como é que o pecado adâmico é transmitido de geração para geração? Não é por meio das relações sexuais e do parto? (Romanos 5:12) De modo que a Lei de Deus lembrava ao Seu povo que o pecado era uma realidade da vida. De fato, todos nascemos com ele. (Salmo 51:5) Precisamos de perdão e redenção para poder nos achegar ao nosso Deus santo.

A Lei defendia a justiça perfeita de Deus. Ela sustentava o princípio da equivalência, ou equilíbrio, em questões judiciais. Por isso, declarava: “Será alma por alma, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé.” (Deuteronômio 19:21) Portanto, a punição pelos crimes tinha de ser proporcional à gravidade deles. Esse aspecto da justiça divina permeava a Lei e até hoje é essencial para entendermos o sacrifício de resgate de Cristo Jesus, conforme mostrará o Capítulo 14. — 1 Timóteo 2:5, 6.

A Lei também incluía regulamentos para evitar que a justiça fosse deturpada. Por exemplo, era preciso pelo menos duas testemunhas para confirmar uma acusação. A penalidade por perjúrio era severa. (Deuteronômio 19:15, 18, 19) Também se proibia categoricamente a corrupção e o suborno. (Êxodo 23:8; Deuteronômio 27:25) Até mesmo nas práticas comerciais o povo de Deus devia defender as elevadas normas divinas de justiça. (Levítico 19:35, 36; Deuteronômio 23:19, 20) A Lei mosaica era um código jurídico sublime e justo. Foi uma grande bênção para Israel.

Leis que ressaltavam a misericórdia e a imparcialidade

A Lei mosaica era um conjunto de regras rígidas e impiedosas? Nada disso! O Rei Davi foi inspirado a escrever: “A lei do Senhor é perfeita.” (Salmo 19:7) Ele sabia muito bem que a Lei promovia a misericórdia e a imparcialidade. Como?

Em alguns países hoje, parece que as leis mostram mais compaixão e consideração pelos criminosos do que pelas vítimas. Por exemplo, os ladrões são mandados para a prisão, mas, nesse meio-tempo, as vítimas ficam privadas dos bens roubados e ainda têm de pagar os impostos que servem para abrigar e alimentar os criminosos. No Israel antigo, não havia prisões como as que existem hoje e leis específicas determinavam a severidade das punições. (Deuteronômio 25:1-3) O ladrão tinha de indenizar a vítima por aquilo que havia roubado e ainda pagar uma multa adicional. De quanto? Isso variava. Em Levítico 6:1-7 estipula-se uma multa bem menor do que a mencionada em Êxodo 22:7. Evidentemente isso se dava porque os juízes tinham autonomia para avaliar diversos fatores, como o arrependimento do transgressor, antes de estipular o valor da multa.

Numa demonstração de misericórdia, a Lei reconhecia que nem todos os pecados são deliberados. Por exemplo, se alguém matasse outra pessoa por acidente, não precisava pagar alma por alma se tomasse a ação correta: fugir para uma das cidades de refúgio espalhadas pelo território de Israel. Juízes capacitados examinavam o caso e o fugitivo tinha de morar na cidade de refúgio até a morte do sumo sacerdote. Daí, estaria livre para morar onde quisesse. Assim, ele se beneficiava da misericórdia divina, mas ao mesmo tempo essa lei lembrava o grande valor da vida humana. — Números 15:30, 31; 35:12-25.

A Lei defendia os direitos individuais. Veja como ela protegia os endividados. Era proibido que alguém entrasse na casa de outra pessoa para pegar um bem como garantia de uma dívida. O credor tinha de esperar, na porta, que o devedor trouxesse o bem até ele. Ou seja, o lar de um homem era considerado inviolável. Se o credor pegasse a roupa exterior de alguém como garantia, deveria devolvê-la à noite, visto que o devedor provavelmente precisaria dela para se aquecer. — Deuteronômio 24:10-14.

A Lei tinha regulamentos até mesmo em relação à guerra. O povo de Deus ia à guerra, não para satisfazer uma ânsia por poder ou conquistas, mas para servir como representantes de Deus nas “Guerras do Senhor”. (Números 21:14) Em muitos casos, os israelitas eram obrigados a oferecer a rendição primeiro. Somente se a cidade rejeitasse a oferta, é que Israel podia sitiá-la, mas ainda assim era preciso seguir as orientações de Deus. Diferentemente de muitos soldados ao longo da História, os homens do exército de Israel não podiam estuprar as mulheres nem promover massacres injustificáveis. Deviam até mesmo respeitar o meio ambiente: não podiam derrubar as árvores frutíferas nas terras do inimigo (4). Outros exércitos não tinham essas restrições. — Deuteronômio 20:10-15, 19, 20; 21:10-13.

Fica horrorizado quando ouve falar que, em alguns países, crianças são treinadas como soldados? No Israel antigo, nenhum homem com menos de 20 anos podia ser recrutado para o exército. (Números 1:2, 3) Até homens adultos eram eximidos se tivessem muito medo. Um recém-casado era eximido por um ano inteiro para que, antes de partir para esse serviço perigoso, pudesse ver o nascimento de um herdeiro. Dessa forma, explicava a Lei, o jovem marido poderia “alegrar” sua jovem esposa. — Deuteronômio 20:5, 6, 8; 24:5.

A Lei também protegia e fazia provisões para mulheres, crianças e famílias. Ela ordenava que os pais dessem constante atenção e instrução espiritual aos filhos. (Deuteronômio 6:6, 7) Proibia toda forma de incesto, sob pena de morte. (Levítico, capítulo 18) Proibia também o adultério, que muitas vezes destrói famílias e acaba com sua segurança e dignidade. A Lei estipulava provisões para viúvas e órfãos e proibia, nos termos mais fortes possíveis, que fossem maltratados. — Êxodo 20:14; 22:22-24.

Nesse respeito, porém, alguns se perguntam: “Por que a Lei permitia a poligamia?” (Deuteronômio 21:15-17) É preciso analisar essas leis no seu contexto histórico. Quem avalia a Lei mosaica à luz da cultura e dos tempos modernos com certeza vai entendê-la mal. (Provérbios 18:13) A norma de Deus, estabelecida lá no Éden, era que o casamento fosse uma união duradoura entre um só homem e uma só mulher. (Gênesis 2:18, 20-24) Mas quando Deus deu a Lei a Israel, costumes como o da poligamia já eram praticados por séculos. Deus sabia muito bem que seu “povo de dura cerviz” freqüentemente falharia em obedecer até aos mandamentos mais simples, como o que proibia a idolatria. (Êxodo 32:9) Assim, de forma muito sensata, ele não tentou fazer naquela época grandes reformas nos costumes matrimoniais. É preciso lembrar, porém, que não foi Deus quem instituiu a poligamia. Mas ele usou a Lei mosaica para regulamentar essa prática entre o seu povo e evitar abusos.

De modo similar, a Lei mosaica apresentava uma lista relativamente ampla de razões graves que permitiam que um homem se divorciasse da esposa. (Deuteronômio 24:1-4) Jesus chamou isso de uma concessão da parte de Deus ao povo judeu “por causa da dureza dos . . . corações” deles. Mas essa era uma concessão temporária. Para seus seguidores, Jesus restaurou a norma original de Deus para o casamento. — Mateus 19:8.

A Lei promovia o amor

Sabe de algum sistema jurídico moderno que incentive ao amor? Pois a Lei mosaica promovia o amor acima de tudo. Só no livro de Deuteronômio a palavra “amor”, e outras derivadas, aparece mais de 20 vezes. O segundo maior mandamento de toda a Lei era: “Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo.” (Levítico 19:18; Mateus 22:37-40) O povo de Deus devia mostrar esse amor não só a outros israelitas, mas também aos imigrantes que morassem entre eles, lembrando-se de que eles próprios haviam vivido numa terra estrangeira no passado. Deviam mostrar amor pelos pobres e sofredores, ajudando-os em sentido material e não tirando vantagem de sua situação. Os israelitas foram até mesmo orientados a tratar seus animais de carga com bondade e consideração. — Êxodo 23:6; Levítico 19:14, 33, 34; Deuteronômio 22:4, 10; 24:17, 18.

Que outra nação foi abençoada com um código jurídico semelhante? Não é de estranhar, então, que o salmista escrevesse: “Quanto eu amo a tua lei!” Longe de ser apenas um sentimento, seu amor o movia à ação — ele se esforçava a obedecer àquela lei e a viver segundo os seus princípios. Ele prosseguiu, dizendo: “O dia inteiro [tua lei] é a minha preocupação.” (Salmo 119:11, 97) Ele regularmente passava tempo estudando as leis do Senhor. Sem dúvida, à medida que fazia isso, aumentava o seu amor tanto por essas leis, quanto pelo Legislador, Deus. Continue a estudar a lei divina e você também se achegará mais o Senhor, o Grandioso Legislador, o Deus de justiça.

Notas

1 - Por exemplo, leis que exigiam que o excremento humano fosse enterrado, que doentes fossem postos de quarentena e que aqueles que tocassem num cadáver se lavassem estavam séculos à frente do seu tempo. — Levítico 13:4-8; Números 19:11-13, 17-19; Deuteronômio 23:13, 14.

2 - Nos templos cananeus havia salas reservadas para atividades sexuais, mas a Lei mosaica declarava que alguém impuro não podia nem mesmo entrar no templo. Assim, visto que as relações sexuais resultavam num período de impureza, ninguém poderia legalmente incluir o sexo como parte da adoração na casa de Deus.

3 - O objetivo principal da Lei era ensinar. Na verdade, a obra Conhecimento Judaico menciona que a palavra hebraica para “lei”, tohráh, significa “instrução”.

4 - A Lei perguntava de modo direto: “É a árvore do campo algum homem a ser sitiado por ti?” (Deuteronômio 20:19) Filo, erudito judeu do primeiro século, citou essa lei, explicando que Deus acha “injusto que a ira que se acende contra homens seja lançada contra coisas que são inocentes de todo o mal”.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Estamos sujeitos aos Dez Mandamentos?

A QUE LEIS Deus deseja que obedeçamos? Precisamos obedecer aquilo que a Bíblia chama ‘a lei de Moisés’ ou, às vezes, “a Lei”? (1 Reis 2:3; Tito 3:9) É chamada também “a lei de Deus”, pois foi Ele quem a deu. (1 Crônicas 16:40) Moisés simplesmente transmitiu a Lei ao povo.

A lei de Moisés consiste em mais de 600 leis ou mandamentos individuais, incluindo os 10 principais. Conforme Moisés disse: “Então,vos anunciou ele [O Senhor] a sua aliança, que vos prescreveu, os dez mandamentos, e os escreveu em duas tábuas de pedra” (Deuteronômio 4:13; Êxodo 31:18, versão Almeida, IBB) Mas, a quem o Senhor deu a Lei, incluindo os Dez Mandamentos? Será que ele a deu a toda a humanidade? Qual era o objetivo da Lei?

A ISRAEL, COM UM OBJETIVO ESPECIAL

A Lei não foi dada a toda a humanidade. Deus fez um pacto, ou aliança, com os descendentes de Jacó que se tornaram a nação de Israel. O Senhor deu suas leis apenas a essa nação. A Bíblia torna isso claro em Deuteronômio 5:1-3 e no Salmo 147:19, 20.

O apóstolo Paulo perguntou: “Por que, então, a Lei?” Sim, com que objetivo O Senhor deu sua lei a Israel? Paulo respondeu: “Foi adicionada por causa das transgressões, até que viesse o descendente a quem se fez a promessa. . . A Lei, por conseguinte, tornou-se o nosso tutor [ou mentor], conduzindo a Cristo.” (Gálatas 3:19-24) O objetivo especial da Lei era proteger e guiar a nação de Israel, de modo que estivesse pronta para aceitar a Cristo quando ele viesse. Os muitos sacrifícios exigidos pela Lei lembravam aos israelitas que eles eram pecadores que necessitavam dum Salvador. — Hebreus 10:1-4.

“CRISTO É O FIM DA LEI”

Jesus Cristo, naturalmente, era aquele prometido Salvador, como o anjo proclamou por ocasião de seu nascimento. (Lucas 2:8-14) Assim, quando Cristo veio e deu sua vida perfeita qual sacrifício, que aconteceu à Lei? Foi removida. “Não estamos mais debaixo dum tutor”, explicou Paulo. (Gálatas 3:25) A remoção da Lei foi um alívio para os israelitas. Ela os havia exposto quais pecadores, pois todos eles falharam quanto a obedecer àquela Lei perfeitamente. “Cristo nos resgatou da maldição da Lei ficando amaldiçoado por nós”, disse Paulo. (Gálatas 3:10-14 - Moffatt) Assim, a Bíblia também diz: “Cristo é o fim da Lei.” — Romanos 10:4; 6:14.

A Lei realmente servia qual barreira ou “muro” entre os israelitas e os outros povos que não estavam sujeitos a ela. Pelo sacrifício de sua vida, contudo, Cristo “aboliu, na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças, para que dos dois criasse, em si mesmo, um novo homem, fazendo a paz”. (Efésios 2:11-18) Concernente à ação tomada pelo próprio Deus quanto à lei de Moisés, lemos: “Ele nos perdoou bondosamente todas as nossas falhas e apagou o documento manuscrito que era contra nós, que consistia em decretos [incluindo os Dez Mandamentos] e que estava em oposição a nós [porque condenava os israelitas quais pecadores]; e Ele o tirou do caminho por pregá-lo na cruz.” (Colossenses 2:13, 14) Assim, com o sacrifício perfeito de Cristo, a Lei chegou ao fim.

Alguns, porém, dizem que a Lei está dividida em duas partes: Os Dez Mandamentos e as demais leis. O que findou, dizem eles, são as demais leis, mas os Dez Mandamentos permanecem. Mas isso não é verdade. No seu Sermão do Monte Jesus citou dos Dez Mandamentos bem como de outros trechos da Lei, e não fez distinção entre eles. Assim, Jesus mostrou que a lei de Moisés não estava dividida em duas partes. — Mateus 5:21-42.

Note, também, o que o apóstolo Paulo foi inspirado por Deus a escrever: “Agora fomos exonerados da Lei.” Será que os judeus foram exonerados apenas das leis que não eram os Dez Mandamentos? Não, pois Paulo prossegue: “Realmente, eu não teria chegado a conhecer o pecado, se não fosse a Lei; e, por exemplo, eu não teria conhecido a cobiça, se a Lei não dissesse: ‘Não deves cobiçar.’” (Romanos 7:6, 7; Êxodo 20:17) Visto que “não deves cobiçar” é o último dos Dez Mandamentos, segue-se que os israelitas foram exonerados também dos Dez Mandamentos.

Significa isso que a lei sobre guardar um sábado semanal que é o quarto dos Dez Mandamentos, também foi removida? Sim, foi. O que a Bíblia diz, em Gálatas 4:8-11 e em Colossenses 2:16, 17, mostra que os cristãos não estão sob a lei de Deus dada aos israelitas, com o seu requisito de guardar o sábado semanal e observar outros dias especiais no ano. Que guardar um sábado semanal não é um requisito cristão pode-se deduzir também de Romanos 14:5.

LEIS QUE SE APLICAM AOS CRISTÃOS

Significa isso que, uma vez que os cristãos não estão sob os Dez Mandamentos, não precisam obedecer a lei alguma? De modo algum. Jesus instituiu um “novo pacto”, baseado no sacrifício melhor de sua própria vida humana perfeita. Os cristãos vêm a estar sob este novo pacto e estão sujeitos às leis cristãs. (Hebreus 8:7-13; Lucas 22:20) Muitas dessas leis foram tiradas da lei de Moisés. Isso não é inesperado ou incomum. Algo similar muitas vezes acontece quando um novo governo assume o controle do país. A constituição sob o antigo governo talvez seja cancelada e substituída, mas a nova constituição talvez conserve muitas das leis da antiga. De modo similar, o pacto da Lei acabou, mas muitas de suas leis e princípios básicos foram adotados no cristianismo.

Note como esse é o caso ao ler os Dez Mandamentos, e, daí, compare-os com as seguintes leis e ensinamentos cristãos: “É o Senhor, teu Deus, que tens de adorar.” (Mateus 4:10; 1 Coríntios 10:20-22) “Guardai-vos dos ídolos.” (1 João 5:21; 1 Coríntios 10:14) “Pai Nosso que estais no céu, santificado seja o teu nome.” (Mateus 6:9) “Filhos, sede obedientes aos vossos pais.” (Efésios 6:1, 2) E a Bíblia torna claro que o assassinato, o adultério, o roubo, a mentira e a cobiça também são contrários à lei cristã. — Apocalipse 21:8; 1 João 3:15; Hebreus 13:4; 1 Tessalonicenses 4:3-7; Efésios 4:25, 28; 1 Coríntios 6:9-11; Lucas 12:15; Colossenses 3:5.

Embora os cristãos não estejam sob a ordem de guardar um sábado semanal, aprendemos algo desse arranjo. Os israelitas descansavam dum modo literal, mas os cristãos devem descansar dum modo espiritual. Como? Por causa da fé e obediência os verdadeiros cristãos deixam de praticar obras egoístas. Estas obras egoístas incluem os empenhos de estabelecer a sua própria justiça. (Hebreus 4:10) Este descanso espiritual é observado não apenas num dia por semana, mas em todos os sete dias. O requisito da lei do sábado literal, de reservar um dia para interesses espirituais, protegia os israelitas contra usarem egoistamente todo o seu tempo no empenho em prol de sua própria vantagem material. Aplicar este princípio todo dia dum modo espiritual é uma proteção ainda mais eficaz contra o materialismo.

De modo que os cristãos são instados a ‘cumprir a lei do Cristo’, em vez de guardarem os Dez Mandamentos. (Gálatas 6:2) Jesus deu muitos mandamentos e muitas instruções, e, pela nossa obediência a tais, obedecemos à sua lei ou a cumprimos. Em especial, Jesus acentuou a importância do amor. (Mateus 22:36-40; João 13:34, 35) Sim, amar os outros é uma lei cristã. É a base da inteira lei de Moisés, como diz a Bíblia: “Pois a Lei inteira está cumprida numa só expressão, a saber: ‘Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo.’” — Gálatas 5:13, 14; Romanos 13:8-10.

A lei dada por meio de Moisés, com os seus Dez Mandamentos, era um conjunto de leis justas da parte de Deus. E, embora não estejamos sob tal lei hoje, os princípios divinos por trás dela ainda são de grande valor para nós. Por estudá-los e aplicá-los aumentaremos em apreço pelo grande Legislador, Deus. Mas, devemos estudar e aplicar em nossa vida especialmente as leis e os ensinos cristãos. O amor a Deus nos moverá a obedecer a tudo o que ele agora requer de nós. — 1 João 5:3.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O que são os Dez Mandamentos?

O termo correto, na verdade, é 'Dez Palavras'. Esta é a tradução da expressão hebraica ‛aséreth haddevarím, encontrada apenas no Pentateuco, que designa as dez leis básicas da aliança da Lei; comumente chamadas de Dez Mandamentos. (Êx 34:18; De 4:13; 10:4) Na Torá, estas palavras nunca são chamadas de Dez Mandamentos. Nos textos rabínicos, elas são chamadas de Aseret ha-Dibrot. As palavras d'varim e dibrot vêm da raiz hebraica Dalet-Beit-Reish, que significa "palavra, fala ou coisa". Assim, a frase é traduzida com precisão como as Dez Falas, os Dez Enunciados, as Dez Declarações, as Dez Palavras ou até mesmo as Dez Coisas, mas nunca como os Dez Mandamentos, que seriam Aseret ha-Mitzvot.

O Aseret ha-Dibrot não devem ser compreendidos como mitzvot (mandamentos) individuais; na verdade, eles sãocategorias ou classificações de mitzvot. Cada um dos 613 mitzvot pode ser incluído debaixo de um destas dez categorias, alguns de modos mais óbvios que outros.

Portanto, este código especial de leis é corretamente chamado de “Palavras” (De 5:22) e de “as palavras da aliança”. (Êx 34:28) A Septuaginta grega (Êx 34:28; De 10:4) reza déka (dez) lógous (palavras), combinação da qual deriva a palavra “Decálogo”.

Origem das Tábuas. As Dez Palavras foram originalmente fornecidas, de forma oral, no monte Sinai, pelo anjo de Deus. (Êx 20:1; 31:18; De 5:22; 9:10; At 7:38, 53; veja também Gál 3:19; He 2:2.) Em seguida Moisés subiu ao monte, a fim de receber as Dez Palavras em forma escrita, em duas tábuas de pedra, junto com outros mandamentos e instruções. Durante a sua prolongada estada de 40 dias, o povo ficou impaciente e fez a estátua fundida dum bezerro, para adorar. Ao descer do monte, Moisés viu este espetáculo de idolatria e atirou ao chão “as tábuas [que] eram o trabalho de Deus”, as próprias tábuas sobre as quais haviam sido escritas as Dez Palavras, destroçando-as. — Êx 24:12; 31:18–32:19; De 9:8-17; compare isso com Lu 11:20.

Mais tarde, Deus disse a Moisés: “Lavra para ti duas tábuas de pedra iguais às primeiras, e eu terei de escrever nas tábuas as palavras que apareceram nas primeiras tábuas que destroçaste.” (Êx 34:1-4) E assim, depois de passar mais 40 dias no monte, obteve uma cópia idêntica das Dez Palavras. Estas foram guardadas por Moisés numa arca de madeira de acácia. (De 10:1-5) As duas tábuas foram chamadas de “as tábuas da aliança”. (De 9:9, 11, 15) Evidentemente, foi por esta razão que a arca revestida de ouro, feita mais tarde por Bezalel, na qual as tábuas foram por fim guardadas, era chamada de “arca da aliança”. (Jos 3:6, 11; 8:33; Jz 20:27; He 9:4) Esta legislação das Dez Palavras também era chamada de “o testemunho” (Êx 25:16, 21; 40:20), e de “tábuas do Testemunho” (Êx 31:18; 34:29), daí as expressões “a arca do testemunho” (Êx 25:22; Núm 4:5), e também “o tabernáculo do Testemunho”, isto é, a tenda na qual a Arca era abrigada. — Êx 38:21.

A respeito do primeiro conjunto de tábuas, declara-se que não apenas foram feitas por Deus, mas que também foram “inscritas pelo dedo de Deus”, evidentemente, denotando o espírito de Deus. (Êx 31:18; De 4:13; 5:22; 9:10) Da mesma forma, Deus fez as inscrições no segundo conjunto de tábuas, embora lavradas por Moisés. Quando se disse a Moisés, em Êxodo 34:27: “Escreve para ti estas palavras”, não se aludiu às próprias Dez Palavras, mas, antes, como numa ocasião anterior (Êx 24:3, 4), que ele devia escrever alguns dos outros detalhes pertinentes aos regulamentos da aliança. Assim, o pronome “ele”, em Êxodo 34:28b, refere-se a Deus, quando diz: “E ele [Deus, e não Moisés] passou a escrever nas tábuas as palavras da aliança, as Dez Palavras.” O versículo 1 mostra que foi assim. Mais tarde, ao lembrar tais acontecimentos, Moisés confirma que foi Deus quem reproduziu as tábuas. — De 10:1-4.

Conteúdo dos Mandamentos. Como introdução a estas Dez Palavras figura a seguinte declaração direta, feita na primeira pessoa: “Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da escravidão” (Êx 20:2). Isto não apenas estabelece quem está falando a quem, mas mostra por que o Decálogo foi dado especialmente aos judeus, naquela época. Não foi dado a Abraão. — De 5:2, 3.

O primeiro mandamento: “Não terás outros deuses diante de mim" (Êx 20:3). Envolvia sua elevada função e sua posição ímpar como Deus Todo-poderoso, o Altíssimo, o Soberano Supremo. Este mandamento indicava que os israelitas não deviam ter quaisquer outros deuses como rivais de Yahweh.

O segundo mandamento era uma seqüência natural do primeiro, visto que proibia a idolatria de qualquer forma ou estilo, considerando-a uma afronta aberta à glória e à Personagem de Deus. ‘Não farás para ti escultura, nem figura alguma do que está em cima, nos céus, ou embaixo, sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra. Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto.’ Esta proibição é acentuada com a declaração: “Eu sou o Senhor, teu Deus, um Deus zeloso.” — Êx 20:4-6.

O terceiro mandamento, em seqüência apropriada e lógica, rezava: ““Não pronunciarás o nome de Javé, teu Deus, em prova de falsidade” (Êx 20:7). Apenas nesses poucos versículos das Dez Palavras (Êx 20:2-17), o nome ocorre oito vezes. A expressão “não deves tomar” tem o sentido de “não proferir” ou “não erguer (carregar)”. Fazer isso com o nome de Deus dum “modo fútil” seria erguer esse nome para uma falsidade, ou “em vão”. Os israelitas, que eram privilegiados de levar o nome de Yahweh (Javé) como suas testemunhas e que se tornaram apóstatas, na realidade estavam erguendo ou carregando o nome de Javé em prova de falsidade. — Is 43:10; Ez 36:20, 21.

O quarto mandamento declarava: “Lembra-te de santificar o dia de sábado. Trabalharás durante seis dias, e farás toda a tua obra. Mas no sétimo dia, que é um repouso em honra do Senhor, teu Deus, não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu servo, nem tua serva, nem teu animal, nem o estrangeiro que está dentro de teus muros.” (Êx 20:8-10) Por considerarem esse dia como santo para Javé, todos, mesmo os escravos e os animais domésticos, teriam o benefício de um descanso reparador. O dia de sábado propiciava também a oportunidade para as pessoas se concentrarem em assuntos espirituais, sem distração.

O quinto mandamento: “Honra a teu pai e a tua mãe”, pode ser considerado como um elo de ligação entre os primeiros quatro, que definem os deveres do homem para com Deus, e os mandamentos restantes, que especificam as obrigações do homem para com suas concriaturas. Uma vez que os pais servem quais representantes de Deus, por obedecer ao quinto mandamento, a pessoa está honrando e obedecendo tanto ao Criador como às criaturas a quem Deus conferiu autoridade. Este mandamento era o único, dentre os dez, que vinha acompanhado duma promessa: “A fim de que os teus dias se prolonguem sobre o solo que o Senhor, teu Deus, te dá.” — Êx 20:12; De 5:16; Ef 6:2, 3.

Os mandamentos seguintes no código foram declarados de modo bem conciso: o sexto: “Não deves assassinar”; o sétimo: “Não deves cometer adultério”; o oitavo: “Não deves furtar”. (Êx 20:13-15) É assim que essas leis estão alistadas no texto massorético — desde leis que tratam de crimes que causam o maior dano ao próximo até os que causam o menor, nesta ordem. Em alguns manuscritos gregos (Códice Alexandrino, Códice Ambrosiano), a ordem é ‘assassinato, furto, adultério’; Filo (The Decalogue [O Decálogo], XII, 51) tem ‘adultério, assassinato, furto’; o Códice Vaticano, ‘adultério, furto, assassinato’. Passando em seguida de ações para palavras, o nono diz: “Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo.” — Êx 20:16.

O décimo mandamento (Êx 20:17) era ímpar no sentido de que proibia a cobiça, isto é, o desejo errado de possuir a propriedade e os bens, inclusive a esposa, pertencentes ao próximo. Legislador humano algum produziu tal lei, pois, deveras, humanamente não seria possível impô-la. Deus, por outro lado, por meio deste décimo mandamento, fez com que cada um se tornasse diretamente responsável diante Dele, que vê e conhece todos os pensamentos secretos do coração da pessoa. — 1Sa 16:7; Pr 21:2; Je 17:10

Outras Maneiras de Alistar Estas Leis. A divisão acima das Dez Palavras, conforme se encontra em Êxodo 20:2-17, é a natural. É a mesma fornecida por Josefo, historiador judeu do primeiro século (Antiquities of the Jews[Antiguidades Judaicas], III, 91, 92 [v, 5]), e pelo filósofo judeu Filo, também do primeiro século, em The Decalogue(XII, 51). Outros, porém, inclusive Agostinho, juntaram as duas leis contra deuses estranhos e contra imagens (Êx 20:3-6; De 5:7-10) num só mandamento, e, então, a fim de ainda ter dez, dividiram Êxodo 20:17 (De 5:21) em dois mandamentos, criando assim um nono contra cobiçar a esposa do próximo e um décimo contra cobiçar sua casa, e assim por diante. Agostinho buscou apoio para a sua divisão teórica no alistamento paralelo posterior do Decálogo, em Deuteronômio 5:6-21, onde se encontram duas palavras hebraicas diferentes no versículo 21 (“Nem deves desejar [forma da hebr. hha·mádh] . . . Nem deves almejar egoistamente [forma da hebr. ’a·wáh]”), ao invés de no texto anterior de Êxodo 20:17, onde apenas o único verbo (desejar) ocorre duas vezes.

Na fraseologia usada nas enumerações paralelas dos Dez Mandamentos, em Êxodo e em Deuteronômio, existem outras pequenas diferenças, mas estas, de modo algum, influem na força ou no sentido das leis. Ao passo que, na listagem anterior, as Dez Palavras são declaradas em estilo legislativo formal, na sua repetição posterior usa-se a forma mais narrativa, pois, nesta última ocasião, Moisés estava apenas repassando o mandamento de Deus, como lembrete. As Dez Palavras aparecem também em outros trechos com ainda outras variações, pois foram muitas vezes mencionadas ou citadas, junto com outras instruções, por escritores bíblicos tanto das Escrituras Hebraicas como das Gregas Cristãs. — Êx 31:14; 34:14, 17, 21; Le 19:3, 11, 12; De 4:15-19; 6:14, 15; Mt 5:27; 15:4; Lu 18:20; Ro 13:9; Ef 6:2, 3.

As Dez Palavras foram dadas por Deus, de modo que consistem num código de lei perfeito. Quando certo homem “versado na Lei” perguntou a Jesus Cristo: “Mestre, qual é o maior mandamento na Lei?”, Jesus citou um mandamento que, na realidade, epitomou os primeiros quatro (ou possivelmente cinco) dos Dez Mandamentos, dizendo: “Tens de amar o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu ententimento.” O restante do Decálogo, Jesus resumiu então nas poucas palavras de outro mandamento: “Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo.” — Mt 22:35-40; De 6:5; Le 19:18.

Os Cristãos Não Estão sob o Decálogo. Jesus nasceu sujeito à Lei e obedeceu-a perfeitamente, dando por fim sua vida qual resgate pela humanidade. (Gál 4:4; 1Jo 2:2) Ainda mais, por meio da sua morte na cruz, ele livrou os que estavam sujeitos à Lei (inclusive as Dez Palavras ou Mandamentos básicos) “por se tornar maldição” em lugar deles. Sua morte possibilitou ‘apagar o documento manuscrito’, sendo este pregado na cruz. — Gál 3:13; Col 2:13, 14.

No entanto, um estudo da Lei com suas Dez Palavras é essencial para os cristãos, pois revela o ponto de vista de Deus sobre os assuntos, e tinha “uma sombra das boas coisas vindouras” da realidade que pertence ao Cristo. (He 10:1; Col 2:17; Gál 6:2) Os cristãos ‘não estão sem lei para com Deus, mas estão debaixo de lei para com Cristo’. (1Co 9:21) Mas essa lei não os condena quais pecadores, pois a graça de Deus por meio de Cristo os provê do perdão dos erros praticados devido às fraquezas carnais. — Ro 3:23, 24.

sábado, 19 de dezembro de 2009

O Quarto Mandamento

por Solano Portela

O dia de descanso foi instituído por Deus e não pelo homem. O mandamento tem grande importância na Palavra de Deus. Bênçãos ocorreram, por sua guarda, e castigos severos, por sua quebra. Isso deveria provocar a nossa reflexão sobre a aplicação dos princípios bíblicos relacionados com o quarto mandamento nos dias atuais, discernindo, em paralelo, a mudança para o domingo, na era cristã. O povo de Deus sempre foi muito rebelde e desobediente com relação a essa determinação, e necessita convencimento da importância do mandamento, bem como entendimento da visão neo-testamentária, para a conseqüente modificação do seu comportamento atual.

O quarto mandamento fala de um dia de descanso e de adoração ao Senhor. Deus julgou essa questão tão importante que a inseriu em sua lei moral. O descanso requerido por Deus é uma prévia da redenção que ele assegurou para o seu povo (Dt 5.12-15). Os israelitas foram levados em cativeiro (Jr 17.19-27) por haver repetidamente desrespeitado este mandamento.

Gostaríamos de examinar as bases desse conceito de descanso e santificação e de ir até o Novo Testamento verificar como os cristãos primitivos guardavam o dia do Senhor.

Não podemos, simplesmente, ignorar esse mandamento. Como povo resgatado por Deus, temos a responsabilidade de discernir como aplicar essa diretriz divina nas nossas vidas e nas de nossas famílias. Por outro lado, nessa procura, não devemos buscar tais diretrizes nos detalhamentos das leis religiosas ou civis de Israel, que dizem respeito ao sábado. Essas leis eram temporais. Ao estudar o sábado, muitos têm se confundido com os preceitos da lei cerimonial e judicial e terminado com uma série de preceitos contemporâneos que se constituem apenas em um legalismo anacrônico, destrutivo e ditatorial. Devemos estudar este mandamento procurando discernir os princípios da lei moral de Deus. Com esse objetivo em mente, vamos realizar nosso estudo com a oração de que Deus seja glorificado em nossa vida e por nosso testemunho.


1. Um dia de descanso

Em nossas bíblias o quarto mandamento está redigido assim – "Lembra-te do dia de sábado para o santificar...". A palavra que foi traduzida "sábado", é a palavra hebraica shabat, que quer dizer descanso. É correto, portanto, entendermos o mandamento como "... lembra-te do dia de descanso para o santificar".

Esse "dia de descanso" era o sétimo dia no Antigo Testamento, ou seja, o nosso "sábado". No Novo Testamento, logo na igreja primitiva, vemos o dia de ressurreição de Cristo marcando o dia de adoração e descanso. Isso é: o domingo passa a ser o nosso "dia de descanso". Os apóstolos acataram esse dia como apropriado à celebração da vitória de Jesus sobre a morte (At 20.7; 1 Co 16.2; Ap 1.10). A igreja fiel tem entendido a questão da mesma maneira, ou seja: não é a especificação "do sétimo", que está envolvida no mandamento, mas o princípio do descanso e santificação.

Já enfatizamos que essa questão de um dia especial de descanso, de parada de nossas atividades diárias, de santificação ao Senhor, foi considerada tão importante por Deus que ele decidiu registrar esse requerimento em sua lei moral, nos dez mandamentos. Com certeza já ouvimos alguém dizer: "...não existe um dia especial, pois todo o dia é dia do Senhor...". Essa afirmação é, num certo sentido, verdadeira – tudo é do Senhor. Mas sempre tudo foi do Senhor, desde a criação e mesmo tudo sendo dele, ele definiu designar um dia separado e santificado. Dizer que todos os dias são do Senhor, como argumento para não separar um dia especial e específico, pode parecer um argumento piedoso e religioso, mas não esclarece a questão nem auxilia a Igreja de Cristo na aplicação contemporânea do mandamento. Na realidade, isso confunde bastante os crentes e transforma o quarto mandamento, que é uma proposição clara e objetiva e que integra a Lei Moral de Deus, em um conceito nebuloso e subjetivo, dependente da interpretação individual de cada pessoa.

Não devemos procurar modificar e "melhorar" aquilo que o próprio Deus especifica para o nosso benefício e crescimento. Deus coloca objetivamente – da mesma forma que ele nos indica a sua pessoa como o objeto correto de adoração; da mesma forma que ele nos leva a honrar os nossos pais; da mesma forma que ele nos ensina o erro de roubar, o erro de matar, o erro de adulterar – que é seu desejo que venhamos a separar para ele um dia específico, dos demais (Is 58.3).


2. Um dia santificado

Devemos notar que o requerimento é que nós nos lembremos do dia de descanso, para o santificarmos. Santificar significa separar para um fim específico. Isso quer dizer que além do descanso e parada de nossa rotina diária, Deus quer a dedicação desse dia para si. Nessa separação, o envolvimento de nossas pessoas em atividades de adoração, ensino e aprendizado da Palavra de Deus, é legítimo e desejável. A freqüência aos trabalhos da igreja e às atividades de culto, nesse dia, não é uma questão opcional, mas obrigatória aos servos de Deus. O Salmo 92, que é de adoração a Deus, tem o título em hebraico – "para o dia de descanso".


3. Uma instituição permanente

Uma expressão, do quarto mandamento, nos chama a atenção. É que ele inicia com "Lembra-te...". Isso significa que a questão do dia de descanso transcende a lei mosaica, isto é: a instituição estava em evidência antes da lei de Moisés. Semelhantemente, estando enraizado na lei moral, permanece, como princípio, na Nova Aliança. Vemos isso, por exemplo, no incidente bíblico da dádiva do Maná. Deus requerendo o descanso e cessação de trabalho durante a peregrinação no deserto, quando ele alimentava o seu povo com o Maná, antes da dádiva dos dez mandamentos. Estes seriam recebidos somente por Moisés no monte Sinai (veja, especificamente, Ex 16.29, 30).


4. Paulo faz um culto de louvor e adoração, no domingo, em Trôade

Paulo nos deixou, além das prescrições de suas cartas, um exemplo pessoal – reuniu-se com os crentes no domingo (At 20.6-12), na cidade de Trôade, na Ásia Menor. O versículo 6 diz que a permanência, naquele lugar, foi de apenas uma semana. Lucas, o narrador que estava com Paulo, registra, no v. 7: "... no primeiro dia da semana, estando nós reunidos com o fim de partir o pão...". Ele nos deixa a nítida impressão de que aquela reunião não era esporádica, aleatória, mas sim a prática sistemática dos cristãos – reunião periódica no primeiro dia da semana, conjugada com a observância da santa ceia do Senhor. Estamos há apenas 15 a 20 anos da morte de Cristo, mas a guarda do domingo já estava enraizada no cristianismo.

Paulo pronunciou um longo discurso, naquela noite. À meia noite, um jovem, vencido pelo cansaço, adormece e cai de uma janela do terceiro andar, vindo a falecer (v. 9). Deus opera um milagre através de Paulo e o jovem volta à vida (v. 10). Paulo continuou pregando, naquele local até o alvorecer (v. 11).


5. O entendimento da Reforma sobre o dia de descanso

A Confissão de Fé de Westminster captura o entendimento da teologia reformada sobre o dia de descanso ordenado por Deus. Nela não encontramos desprezo pelas diretrizes divinas, nem uma visão diluída da lei de Deus, mas um intenso desejo de aplicar as diretrizes divinas às nossas situações. O quarto mandamento tem uma consideração semelhante aos demais registrados em Ex 20, todos aplicáveis aos nossos dias. Nas seções VII e VIII, do capítulo 21, sob o título – "Do Culto Religioso e do Domingo" lemos o seguinte:

Como é lei da natureza que, em geral, uma devida proporção do tempo seja destinada ao culto de Deus, assim também, em sua palavra, por um preceito positivo, moral e perpétuo, preceito que obriga a todos os homens em todos os séculos, Deus designou particularmente um dia em sete para ser um sábado (descanso) santificado por ele; desde o princípio do mundo, até a ressurreição de Cristo, esse dia foi o último dia da semana; e desde a ressurreição de Cristo já foi mudado para o primeiro dia da semana, dia que na Escritura é chamado de domingo, ou Dia do Senhor, e que há de continuar até ao fim do mundo como o sábado cristão.

Este sábado é santificado ao Senhor quando os homens, tendo devidamente preparado os seus corações e de antemão ordenado os seus negócios ordinários, não só guardam, durante todo o dia, um santo descanso das suas próprias obras, palavras e pensamentos a respeito dos seus empregos seculares e das suas recreações, mas também ocupam todo o tempo em exercícios públicos e particulares de culto e nos deveres de necessidade e misericórdia.


6. O Quarto Mandamento Hoje – Qual o nosso conceito do domingo?

É necessário que tenhamos a convicção de que o chamado à adoração, o desejo de estar cultuando ao Senhor, e o descansar de nossas atividades diárias, por intermédio de um envolvimento com as atividades da igreja, encontra base e respaldo bíblico. É mais do que uma questão de costumes, do que uma posição opcional. É algo tão importante que faz parte da lei moral de Deus.

Normalmente nos perdemos em discussões inúteis sobre detalhes, procurando prescrever a outros uma postura de guarda do quarto mandamento conforme nossas convicções, ou falta delas. Assumimos uma atitude condenatória, procurando impor regras detalhadas e, muitas vezes, seguindo restrições da lei cerimonial, em vez do espírito da lei moral. Antes de nos perdermos no debate dos detalhes, estamos nos aprofundando no princípio? Temos a postura de tornar realmente o domingo um dia diferente, santificado, dedicado ao Senhor e à nossa restauração física?


Apêndice: Qual o dia de descanso – sábado ou domingo?

Sempre que estudamos o quarto mandamento surge a pergunta: quem está certo? São os Adventistas, que indicam o sábado como o dia que ainda deveríamos estar observando, ou a teologia da Reforma, apresentada na Confissão de Fé de Westminster, e em outras confissões, que encontra aprovação bíblica e histórica para a guarda do domingo? Alguns pontos podem nos ajudar a esclarecer a questão:

1. Os pontos centrais de cumprimento ao quarto mandamento são: o descanso, a questão da separação de um dia para Deus, e a sistematização, ou repetibilidade desse dia. O dia, em si, é uma questão temporal, principalmente por que depois de tantas e sucessivas modificações no calendário é impossível qualquer seita ou religião afirmar categoricamente que estamos observando exatamente o sétimo dia. Nós usamos o calendário Gregoriano, feito no século 16. Os judeus atuais usam o calendário ortodoxo, estabelecido no terceiro século, e assim por diante.

2. Os principais eventos da era cristã ocorreram no domingo:

• Jesus ressuscitou (Jo 20.1)
• Jesus apareceu aos dez discípulos (Jo 20.19)
• Jesus apareceu aos onze discípulos (Jo 20.26)
• O Espírito Santo desceu no dia de pentecostes, que era um domingo (Lv 23.15, 16 – o dia imediato ao sábado), e nesse mesmo domingo o primeiro sermão sobre a morte e ressurreição de Cristo foi pregado por Pedro (At 2.14) com 3000 novos convertidos.
• Em Trôade os crentes se juntaram para adorar (At 20.7).
• Paulo instruiu aos crentes para trazerem as suas contribuições (1 Cr 16.2).
• Jesus apareceu e João, em Patmos (Ap 1.10).

3. Os escritos da igreja primitiva, desde a Epístola de Barnabé (ano 100 d.C.) até o historiador Eusébio (ano 324 d.C.) confirmam que a Igreja Cristã, inicialmente formada por Judeus e Gentios, guardavam conjuntamente o sábado e o domingo. Essa prática foi gradativamente mudando para a guarda específica do domingo, na medida em que se entendia que o domingo era dia de descanso apropriado, em substituição ao sábado. Semelhantemente, a circuncisão e o batismo foram conjuntamente inicialmente observados, existindo, depois, a preservação somente do batismo, na Igreja Cristã. O domingo não foi estabelecido pelo imperador Constantino, no 4º século, como afirmam os adventistas. Constantino apenas formalizou aquilo que já era a prática da igreja.

4. Cl 2.16-17 mostra que o aspecto do sétimo dia era uma sombra do que haveria de vir, não devendo ser ponto de julgamento de um cristão sobre outro.

Para um estudo mais detalhado do assunto, sugerimos o livro de J. K. VanBaalen, O Caos das Seitas.