É preciso guardar o sábado?
Veja a análise:
A doutrina mais cara ao adventismo é sem dúvida a guarda do sétimo dia da semana como repouso semanal e dia de culto a Deus. Este era também um dos pontos que, no primeiro século levou ao aparecimento da seita dos "judaizantes" que fora amplamente combatida pela Igreja Primitiva. Segundo a igreja adventista do sétimo dia todos os cristãos devem guardar o sábado do sétimo dia, pois para eles "Santificar o Sábado ao Senhor importa em Salvação eterna" (Testemunhos Seletos, volume III, p. 23) e sua base principal para este ensino é o quarto mandamento da lei, onde lemos:
"Lembra-te do dia de Sábado, para o santificar, seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o Sábado do Senhor, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro; porque, em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, e o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia descansou; por isso, o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou" (Ex 20.8-11).
Nossa questão é, será que esta interpretação adventista do mandamento está correta? Temos mesmo que guardar o sábado para sermos salvos ou por qualquer outro motivo? Cremos que NÃO por diversos motivos, a saber:
a) A palavra sábado neste texto e em todo o Antigo Testamento significa DESCANSO (em hebraico "shabat") e não está ligado exclusivamente a um determinado dia da semana.
b) Deus ordenou aos israelitas a guarda do sábado nos dez mandamentos, bem como ordenou outros dias, inclusive outros dias da semana, como "sábado" ao Senhor, por exemplo, em Lv 23.32 lemos "Sábado de descanso solene vos será; afligireis a vossa alma; aos nove do mês, duma tarde a outra tarde, celebrareis o vosso Sábado". Veja bem, este sábado aqui não cairia no sétimo dia da semana, podria cair em qualquer dias pois era o nono dia do mês, assim sendo poderia haver ´sabado no domingo, na segunda, na terça, etc. Não sendo importante o dia, mas como já vimos, o descanso. É interessante notar também, que Deus chamou o sábado do sétimo dia de "shabat shabaton" (sábado dos sábados), da mesma forma que o fez com o dia da expiação (Lv 23.3,32) equiparando assim, todos os tipos de sábado, caiam em que dia cair.
c) Os adventistas do sétimo dia (ASD) dizem que os dez mandamentos são "lei moral" e que o restante do pentatêuco seria "lei cerimonial", portanto, havendo diferença entre o sábado do sétimo dia e os demais sábados bíblicos. O erro deste argumento fica demonstrado no Salmo 19.7 onde lemos "A Torá (lei) do Senhor é perfeita". Cometendo um grave erro exegético, os adventistas tentam aplicar esta passagem só aos dez mandamentos, fato é que "Torá" é a designação hebraica de toda a lei (os cinco livros de Moisés), o que coaduna com o pensamento do apóstolo Paulo que, olhando para o Antigo Testamento, declara: "Toda escritura é inspirada por Deus" (2 Tm 3.16), portanto, quando o autor bíblico fala que a lei é perfeita, ele está falando do pentatêuco todo, do qual os dez mandamentos são só um resumo, da mesma forma que Jesus os resumiu ainda mais, em apenas dois mandamentos (Mt 22.34-40) e finalmente o apóstolo Paulo resumiu-os em um só mandamento (Rm 13.10). Portanto, o sétimo dia é sábado do mesmo modo que o décimo dia do sétimo mês hebreu o era, pois há uma só lei que é perfeita. Quando a Bíblia fala de "leis", ela está falando de aspectos particulares de uma mesma Lei do Senhor.
d) Lemos em Isaías 1.13,14: "Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e também as festas de lua nova, os sábados, e a convocação das congregações; não posso suportar iniquidade associada ao ajuntamento solene. As vossas festas da lua nova e as vossas solenidades, a minha alma as aborrece; já me são pesadas; estou cansado de as sofrer". Deus, aqui, está aborrecido não só com as festas móveis de Israel, mas também com os seus sábados (do sétimo dia). Dizer que este texto só se aplica as festas móveis é um absurdo hermenêutico, pois o texto fala de "convocação das congregações" e isto ocorria também, e principalmente, no sábado do sétimo dia (Lv 23.3). Em Oséias 2.11 vemos o desgosto de Deus com o sábado judaico onde Ele afirma: "Farei cessar todo o seu gozo, as suas festas de lua nova, os seus sábados e todas as suas solenidades", nesta passagem clara, o Senhor afirma que faria CESSAR os sábados e que isto inclui o sétimo dia é liquido e certo pela expressão "todas as suas solenidades", obviamente o sétimo dia era uma solenidade de Israel e evidentemente seria cessada por mando de Deus.
e) A Bíblia nos diz com clareza que os sábados eram um sinal, uma aliança, uma instituição entre Deus e o antigo povo de Israel, portanto, não se aplica à Igreja do Novo Testamento, não sendo aplicável hoje aos cristãos. Lemos em Ezequiel 20.12,13: !Também lhes dei os meus sábados, para servirem de sinal entre mim e eles, para que soubessem que eu sou o Senhor que os santifica. Mas a CASA DE ISRAEL se rebelou contra mim no deserto, não andando nos meus estatutos e rejeitando os meus juízos, os quais, cumprindo-os o homem, viverá por eles; e profanaram grandemente os meus sábados. Então, eu disse que derramaria sobre eles o meu furor no deserto, para os consumir". Façamos então, um pequeno exercício de interpretação bíblica: A quem foi dirigidas tais palavras? Quem estava peregrinando em rebeldia pelo deserto? Foi você? Sua Igreja? Seus pais? Claro que não, esta resposta é simples: o antigo povo de Israel, logo, o sábados, mesmo estando nos dez mandamentos, são sinal e instituição divina PARA Israel e não para a Igreja, portanto, impor isto aos cristãos é errado e anti-bíblico. Resumindo, leia o texto de Ex 31.12-18 e veja como os sábados são EXCLUSIVAMENTE para o antigo Israel, note no versículo 13: "Tu, pois, falarás aos FILHOS DE ISRAEL e lhes dirás: Certamente, guardareis os meus sábados, pois é sinal entre mim e VÓS", e ainda, no versículo 14: "Portanto, guardareis o sábado, porque é santo PARA VÓS OUTROS". Depois de lermos textos bíblicos tão claros pode haver dúvidas em uma mente honesta quanto ao fato de o sábado do sétimo dia ser um sinal distintivo para o antigo povo de Israel, como também o era a circuncisão (Gn 17.9-14), e, portanto, não aplicável ao cristão hodierno? Claro que não.
f) Embora Deus tenha abençoado e santificado o dia sétimo da criação (Gn 2.2,3), Ele não ordenou a Adão guardá-lo, somente em Moisés o sábado se tornou uma lei, portanto, o sábado do sétimo dia é uma lei de aspecto cerimonial, nacional e litúrgico, pois a parte moral da lei de Deus é eterna, haja vista que o pecado é a transgressão da lei (1 Jo 3.4) e Adão pecou, logo, transgrediu a lei que já existia e era de seu conhecimento e obiamente não incluia o sábado.
g) Muito embora Deus tenha descansado no sétimo dia da criação, após a queda do homem, Ele interrompeu este descanso e passou a trabalhar pela salvação humana, inclusive nos sábados. Isto é provado quando Jesus, em dia de sábado do sétimo dia, é questionado pelos judeus sobre a guarda deste dia e responde-lhes dizendo: "Meu Pai trabalha atéa AGORA, e eu trabalho também" (Jo 5.17), ou seja, tanto Deus Pai, como Deus Filho (Nosso Senhor Jesus Cristo) certamente trabalham no dia de sábado, o que seria um absurdo para os adventistas, mas é claramente atestado na Bíblia.
h) Os adventistas do sétimo dia argumentam dizendo 'Jesus não veio mudar mas cumprir a lei' e citam Mt 5.17,18, portanto, entendem eles, o sábado está em "vigor". Isto é um contrasenso, pois como já vimos o sábado era só para Israel. O que o Senhor está dizendo então em Mt 5.17,18? Para uma correta compreensão deste texto é importante notar que a expressão "lei e profetas" usada por Jesus não se refere ao sábado ou as cerimônias judaicas, esta expressão significa na linguagem de hoje o mesmo que o termo BÍBLIA, Jesus estava então afirmando que como Messias que ele era e é, veio cumprir as profecias bíblicas do Antigo Testamento e não mudá-las, isto nada tem haver com sábado, circuncisão, carne de porco, etc.
i) Os adventistas argumentam também que, a lei, esegundo eles por conseguinte o sábado, estão ainda em vigor porque o pecado é a transgressão da lei (1 Jo 3.4), e sem ela não haveria pecado. Aqui eles erram novamente na interpretação, por isolarem um texto do seu contexto. Qual a lei que o apóstolo João está se referindo neste texto? A resposta está em 1 Jo 4.8, é a lei do amor/caridade (veja também Rm 13.10; Mt 7.12) e não as cerimônias e datas do Antigo Testamento. Portanto, segundo João, pecado é agir com desamor para com Deus e o próximo, isto nada tem haver com dias da semana e não prova nada a favor do sétimo dia, eles erraram novamente.
j) Guardam os adventistas verdadeiramente o sábado? Claro que não. O mandamento diz: "seis dias trabalharás" (Ex 20.9), isto é, para guardar o quarto mandamento não basta se abster do trabalho no sétimo dia é necessário, também, trabalhar os outros seis, trabalham os funcionários públicos adventistas brasileiros no domingo? Vão às aulas no domingo os jovens adventistas? Abrem eles suas lojas neste dia? Claro que não, logo, neme eles guardam o mandamento,e, portanto, não podem cobrar o mesmo dos outros.
k) Podemos afirmar biblicamente que o sábado não é necessário no Novo Testamento? Claro que sim. Primeiro, porque já vimos que o sábado era só para o antigo povo de Israel; em segundo lugar, porque não existe mandamento em o Novo Testamento que nos leve a guardar qualquer dia da semana; e em terceiro lugar, porque não temos obrigações morais em cima de cerimônias e liturgias e isto é claro na Bíblia, pois senão vejamos:
- "Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das cousas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo". (Cl 2.16,17).
- "Um faz diferença entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias. Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente" (Rm 14.5).
- "como estais voltando, outra vez, aos rudimentos fracos e pobres, aos quais, de novo, quereis ainda escravisar-vos? Guardais dias, e meses, e tempos, e anos. Receio de vós tenha eu trabalhado em vão para convosco" (Gl 4.9b-11).
l) Um outro golpe mortal no sabatismo encontra-se em Atos capítulo 15. Nesta ocasião reuniu-se um concílio da Igreja Primitiva para resolver um problema sério, é que alguns "cristãos" estavam ensinando a respeito dos crentes não-judeus que "é necessário circuncidá-los e determinar-lhes que observem a lei de Moisés" (verso 5b), que o sábado do sétimo dia faz parte da lei de Moisés é nquetionável (Ex 20.8-11), logo, também este tema estava em questão naquele concílio cristão, uma vez que os que levantaram tal polêmica eram de origem farisaica e os fariseus tinham o sábado em alta estima. Nossa pergunta é, o que os apóstolos e a Igreja iluminados pelo Espírito Santo decidiram sobre esta questão? A resposta é clara e bíblica, encontrando-se nos versículos 28 e 29 deste capítulo: "Pois pareceu bem ao ESPÍRITO SANTO e a nós não vos impor maior encargo além destas cousas ESSENCIAIS: que vos abstenhais das cousas sacrificadas a ídolos, bem como do sangue, da carne de animais sufocados e das relações sexuais ilícitas; destas cousas fareis bem se vos guardardes". Desta decisão aprendemos três verdades importantes: primeiro que, foi uma decisão do Espírito Santo através da Igreja, segundo que, da lei de Moisés só foi exigido dos cristãos gentios o abster-se do mal testemunho ("cousas sacrificadas a ídolos") e do sexo ilícito, o resto estamos livres, inclusive do sábado, das cerimônias, da circuncisão, etc., e em terceiro lugar, aprendemos que o sábado não é, na visão do Espírito Santo e dos apóstolos, algo essencial para a verdadeira fé cristã, pois ele não está incluído nas "cousas essenciais" da lei de Moisés mencionadas em nosso texto. Portanto, vemos biblicamente ruir toda a base sabatista do adventismo.
m) Também na História da Igreja Cristã os adventistas estão desamparados. Existem diversos testemunhos históricos que desde a Igreja Primitiva os cristãos tem guardado o domingo como seu dia de repouso e culto em comemoração à ressurreição do Senhor Jesus, marco principal da fé cristã. Temos testemunhos como o de Inácio de Antioquia (110 AD), do Didaquê XIV:1 e da Epístola de Barnabé XV:9, todos favorecendo a observância cristã do domingo e sendo todos no máximo do século II, em plena Igreja Primitiva. Além do que, temos o testemunho do estudioso e ex-adventista D. M. Canright que para compreender a expressão bíblica "No dia do Senhor" de Apocalipse 1.10 (no original grego: EN THÊ KURIAKE HEMERA), fez uma contextuação do texto sagrado com outros textos encontrados em documentos históricos, mostrando uma sequência, em sentido regressivo, de testemunhos que vão do século XVIII, initerruptamente ao I século da era cristã, especificamente ao ano 96 AD, em que foi escrito o Livro do Apocalipse, concluindo que esta expressão aplica-se ao primeiro dia da semana - o domingo.
n) Concluindo este assunto, qual o conselho do Novo Testamento sobre o dia de guarda atual dos cristãos? Por tradição apostólica e segundo o exemplo do Novo Testamento, os cristãos faziam seus cultos públicos no primeiro dia da semana, isto é, no domingo (At 20.7) e também nesse dia tiravam suas ofertas para os irmãos necessitados (1 Co 16.1,2). Não há nada que nos leve a mudar este costume, cremos ser de bom alvitre nos mantermos nele, todavia é importante saber que não tratamos o domingo com a fúria legalista de judeus e adventistas em relação ao sábado, pois, como explica Martinho Lutero em seu Catecismo Maior, guardar o dia de descanso não é se abster de trabalho e compras, mas é outrossim tomar tempo com a Palavra de Deus. E é isto que os evangélicos fazem, biblicamente, no domingo.
o) Como vimos, os adventistas exigem a guarda do sábado para a salvação ou como prova dela, a Bíblia nos diz que é "pela graça sois salvos, mediante a fé; isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras para que ninguém se glorie" (Ef 2.8,9). Logo, se é por graça não depende de guardar este ou aquele dia, pois isto é obra da lei ou seja, esforço humano. Se o próprio Deus e seu Filho Jesus Cristo não guardaram, outrossim, trabalharam no sábado (Jo 5.16,17), como exigiriam tal coisa como pré-requisito ou prova de salvação? Eis aqui uma grave heresia adventista - a salvação por méritos próprios, nós cristãos estamos livres do peso do sábado e de outras frustrantes tentativas de colaboração com Deus ou auto-salvação, nossa salvação é graça - um presente imerecido, que recebemos somente pela fé em Jesus Cristo.
Ser crente aponta para transformação da própria natureza e da vida inteira do indivíduo, é a doutrina do renascimento espiritual, o serviço prestado por um indivíduo qualquer não se reveste do menor valor enquanto a sua natureza não for transformada.
domingo, 29 de novembro de 2009
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Analise em Tiago 2:10
"Pois qualquer que guardar toda a lei, mas tropeçar em um só ponto, tem-se tornado culpado de todos" Tiago 2.10
Os adventistas gostam de perguntar aos evangélicos se eles praticam os outros nove mandamentos, do decálogo, por sua vez os evangélicos respondem que sim. Então perguntam por que não guardam também o sábado do decálogo já que faz parte do quarto mandamento da Lei, o que os evangélicos respondem que o sábado foi cravado na cruz . Em cima disso arrematam citando Tiago 2.10.
Eles argumentam que Tiago estaria falando da lei dos dez mandamentos pois cita dois mandamentos do decálogo: "Porque o mesmo que disse: Não adulterarás, também disse: Não matarás. Ora, se não cometes adultério, mas és homicida, te hás tornado transgressor da lei." (v.11)
Dizem ainda que a "lei real" e a "lei da liberdade" (v. 8,12) faz referencia ao decálogo. Pois bem, vamos analisar e ver se de fato possui base sólida tal afirmação.
Antes de tudo é bom salientar que Tiago cita mandamentos que estão fora do decálogo e que se encontram no livro da lei cujo conteúdo os adventistas dizem ser cerimonial: "Amarás ao teu próximo como a ti mesmo" Se o fato de Tiago citar mandamentos do decálogo implica que a lei ai é somente a do decálogo, também podemos dizer que ele está então falando de toda a lei pois cita um mandamento que se encontra no livro de Levítico cujo conteúdo é da lei cerimonial. Eis as razões porque acreditamos que Tiago está se referindo a toda a lei e não somente ao decálogo:
1. Os judeus não dividiam a lei em moral e cerimonial, a lei era uma só;
2. Tiago era líder da igreja em Jerusalém (Gl. 2.9) do grupo dos da "circuncisão" (Gl.2.7-8).
Esta igreja era composta por judeus convertidos mas que ainda guardavam a lei mosaica sem nenhum prejuízo. Veja o perfil teológico do rol de membros da igreja de Tiago em Atos 21.17-27 (cf. ainda 10.45; 15.5):
"No dia seguinte Paulo foi em nossa companhia ter com Tiago, e compareceram todos os anciãos....e disseram-lhe: Bem vês, irmãos, quantos milhares há entre os judeus que têm crido, e todos são zelosos da lei.", isto é, "zelotes em prol da lei".
Cabe aqui uma pergunta: Qual lei era essa ? Estaria Tiago falando ai da lei moral, apenas dos dez mandamentos? Não. Vamos prosseguir na leitura e ver que tipo de lei a igreja de Tiago obedecia:
"Têm sido informados a teu respeito que ensinas todos os judeus que estão entre os gentios a se apartarem de Moisés, dizendo que não circuncidem seus filhos, nem andem segundo os costumes da lei.[a mesma acusação apresentada contra Estevão em Atos 6.13]" Que costumes eram estes? Porventura eram costumes da lei moral ou da lei cerimonial? Tiago nos dá a resposta pelo pedido que ele faz a Paulo, vejamos:
"Faze, pois, o que te vamos dizer: Temos quatro homens que fizeram voto;toma estes contigo, e santifica-te com eles, e faze por eles as despesas para que rapem a cabeça; e saberão todos que é falso aquilo de que têm sido informados a teu respeito, mas que também tu mesmo andas corretamente, guardando a lei. Qual lei era esta que Paulo precisava provar aos judeus que guardava? Era a lei moral ou a chamada lei cerimonial?
Prossigamos ainda:
"Então Paulo, no dia seguinte, tomando consigo aqueles homens, purificou-se com eles e entrou no templo, notificando o cumprimento dos dias da purificação, quando seria feita a favor de cada um deles a respectiva oferta. Mas quando os sete dias estavam quase a terminar..."
Aqueles irmãos da igreja de Jerusalém e especificamente Tiago, queriam que Paulo, de modo prático, desmentisse a notícia de que ele dissuadia os cristãos judeus de guardar a lei e de circuncidar os filhos (Atos 16.3).
Certa obra teológica comenta: "Paulo, até onde podemos ver, continuou a observar a lei e isso fez enquanto viveu, especialmente na companhia de judeus, e sua aquiescência no conselho de Tiago, nessa ocasião, participando da cerimônia de purificação de quatro homens que haviam tomado voto temporário de nazireu, e pagando as respectivas despesas, estava em perfeita concordância com o princípio por ele estabelecido: "Procedi, para com os judeus, como judeu, a fim de ganhar os judeus" (1Co 9.20). Podemos comparar isto com o voto por ele mesmo tomado (At 16.3; 18.18), Os costumes (21); isto é, os determinados na lei judaica, "recebidos de Moisés por tradição" (At 6.14; Gl 1.14). Faze por eles as despesas. Sobre a natureza de tais despesas veja Nm 6.14-15." (Novo Comentário Bíblico)
Isto posto, concluímos que:
1. A igreja de Tiago era composta por judeus convertidos zelosos da lei, e dos costumes da lei mosaica.
2. Estes judeus guardavam a lei da purificação, circuncisão, votos, sábado, freqüentavam o templo etc...
3. Tiago em nenhum momento condena a prática desta lei de Moises;
4. Pelo contrário, pede para Paulo se enquadrar na fé da igreja judaica naquelas circunstancias de perigo iminente;
5. Ele nunca divide a lei em duas, nem mesmo as denominas lei moral e lei cerimonial.
Com este pano de fundo do contexto histórico, podemos entender agora a carta de Tiago e o que ele quis dizer com a expressão "guardar toda a lei" em 2.10.
1. Tiago foi bispo da primeira igreja judaico-cristã da história, onde ainda não havia se convertido nenhum gentio. Veja que mesmo Pedro teve dificuldades em explicar aqueles irmãos sua pregação a um gentio do grupo dos "tementes a Deus" Atos 11.2-3-18.
2. A epístola de Tiago é considerada uma das mais antigas do NT. Os críticos colocam sua data entre 46 e 60 d.C.bem nos primórdios do cristianismo.
3. Esta carta foi endereçada não a gentios mas a judeus convertidos é o que se depreende da introdução que Tiago faz dizendo, "Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos da Dispersão, saúde."
Veja que ele chama a igreja pelo costume nacional judaico. Isto mostra sem sombra de dúvida que o pensamento teológico de Tiago e de sua igreja, contido nesta epístola, era perfeitamente compreensível para aqueles judeus cristãos dispersos.
Então quando Tiago fala de guardar "toda a lei" está falando da lei inteira e não de uma parte dela apenas. Não está ai falando do decálogo que os adventistas chamam de lei moral. Este tipo de linguagem era desconhecida da mentalidade da igreja judaica na qual Tiago presidia.
A propósito, a revista da Escola Sabatina, de 1o trimestre de 1980, p.19, afirma: "O NT não dá nenhuma indicação que se tenha pedido aos judeus que abandonassem imediatamente a prática da circuncisão ou que ignorassem as festividades judaicas".
Disto concluímos, quanto aos mandamentos, que quem despreza uns e pratica outros, a si mesmo constitui transgressor , como o disseram Paulo e Tiago . É bom recordar o que eles falaram sobre o assunto.
Paulo - "Pois todos quantos são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque escrito está: Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las." (Gl. 3.10)
Tiago - "Pois qualquer que guardar toda a lei, mas tropeçar em um só ponto, tem-se tornado culpado de todos." (Tiago 2.10)
Essas duas citações são perfeitamente idênticas em seu sentido. Os dois escritores disseram a mesma coisa com palavras diferentes.
Agora veja, você que é guardador do sábado, mas não deixa se circuncidar, tosquiar-se ou purificar-se, que também é da mesma lei, como pode deixar de ser transgressor da lei? Relembrando ainda que a lei supra citada não é o decálogo apenas, mas todo o sistema do judaísmo. Se os adventistas quiserem se socorrer neste verso supra citado terão que guardar toda a lei. Se não o fazem, eles são, então, os que mais incorrem neste pecado. Não há para onde fugir!
Os adventistas gostam de perguntar aos evangélicos se eles praticam os outros nove mandamentos, do decálogo, por sua vez os evangélicos respondem que sim. Então perguntam por que não guardam também o sábado do decálogo já que faz parte do quarto mandamento da Lei, o que os evangélicos respondem que o sábado foi cravado na cruz . Em cima disso arrematam citando Tiago 2.10.
Eles argumentam que Tiago estaria falando da lei dos dez mandamentos pois cita dois mandamentos do decálogo: "Porque o mesmo que disse: Não adulterarás, também disse: Não matarás. Ora, se não cometes adultério, mas és homicida, te hás tornado transgressor da lei." (v.11)
Dizem ainda que a "lei real" e a "lei da liberdade" (v. 8,12) faz referencia ao decálogo. Pois bem, vamos analisar e ver se de fato possui base sólida tal afirmação.
Antes de tudo é bom salientar que Tiago cita mandamentos que estão fora do decálogo e que se encontram no livro da lei cujo conteúdo os adventistas dizem ser cerimonial: "Amarás ao teu próximo como a ti mesmo" Se o fato de Tiago citar mandamentos do decálogo implica que a lei ai é somente a do decálogo, também podemos dizer que ele está então falando de toda a lei pois cita um mandamento que se encontra no livro de Levítico cujo conteúdo é da lei cerimonial. Eis as razões porque acreditamos que Tiago está se referindo a toda a lei e não somente ao decálogo:
1. Os judeus não dividiam a lei em moral e cerimonial, a lei era uma só;
2. Tiago era líder da igreja em Jerusalém (Gl. 2.9) do grupo dos da "circuncisão" (Gl.2.7-8).
Esta igreja era composta por judeus convertidos mas que ainda guardavam a lei mosaica sem nenhum prejuízo. Veja o perfil teológico do rol de membros da igreja de Tiago em Atos 21.17-27 (cf. ainda 10.45; 15.5):
"No dia seguinte Paulo foi em nossa companhia ter com Tiago, e compareceram todos os anciãos....e disseram-lhe: Bem vês, irmãos, quantos milhares há entre os judeus que têm crido, e todos são zelosos da lei.", isto é, "zelotes em prol da lei".
Cabe aqui uma pergunta: Qual lei era essa ? Estaria Tiago falando ai da lei moral, apenas dos dez mandamentos? Não. Vamos prosseguir na leitura e ver que tipo de lei a igreja de Tiago obedecia:
"Têm sido informados a teu respeito que ensinas todos os judeus que estão entre os gentios a se apartarem de Moisés, dizendo que não circuncidem seus filhos, nem andem segundo os costumes da lei.[a mesma acusação apresentada contra Estevão em Atos 6.13]" Que costumes eram estes? Porventura eram costumes da lei moral ou da lei cerimonial? Tiago nos dá a resposta pelo pedido que ele faz a Paulo, vejamos:
"Faze, pois, o que te vamos dizer: Temos quatro homens que fizeram voto;toma estes contigo, e santifica-te com eles, e faze por eles as despesas para que rapem a cabeça; e saberão todos que é falso aquilo de que têm sido informados a teu respeito, mas que também tu mesmo andas corretamente, guardando a lei. Qual lei era esta que Paulo precisava provar aos judeus que guardava? Era a lei moral ou a chamada lei cerimonial?
Prossigamos ainda:
"Então Paulo, no dia seguinte, tomando consigo aqueles homens, purificou-se com eles e entrou no templo, notificando o cumprimento dos dias da purificação, quando seria feita a favor de cada um deles a respectiva oferta. Mas quando os sete dias estavam quase a terminar..."
Aqueles irmãos da igreja de Jerusalém e especificamente Tiago, queriam que Paulo, de modo prático, desmentisse a notícia de que ele dissuadia os cristãos judeus de guardar a lei e de circuncidar os filhos (Atos 16.3).
Certa obra teológica comenta: "Paulo, até onde podemos ver, continuou a observar a lei e isso fez enquanto viveu, especialmente na companhia de judeus, e sua aquiescência no conselho de Tiago, nessa ocasião, participando da cerimônia de purificação de quatro homens que haviam tomado voto temporário de nazireu, e pagando as respectivas despesas, estava em perfeita concordância com o princípio por ele estabelecido: "Procedi, para com os judeus, como judeu, a fim de ganhar os judeus" (1Co 9.20). Podemos comparar isto com o voto por ele mesmo tomado (At 16.3; 18.18), Os costumes (21); isto é, os determinados na lei judaica, "recebidos de Moisés por tradição" (At 6.14; Gl 1.14). Faze por eles as despesas. Sobre a natureza de tais despesas veja Nm 6.14-15." (Novo Comentário Bíblico)
Isto posto, concluímos que:
1. A igreja de Tiago era composta por judeus convertidos zelosos da lei, e dos costumes da lei mosaica.
2. Estes judeus guardavam a lei da purificação, circuncisão, votos, sábado, freqüentavam o templo etc...
3. Tiago em nenhum momento condena a prática desta lei de Moises;
4. Pelo contrário, pede para Paulo se enquadrar na fé da igreja judaica naquelas circunstancias de perigo iminente;
5. Ele nunca divide a lei em duas, nem mesmo as denominas lei moral e lei cerimonial.
Com este pano de fundo do contexto histórico, podemos entender agora a carta de Tiago e o que ele quis dizer com a expressão "guardar toda a lei" em 2.10.
1. Tiago foi bispo da primeira igreja judaico-cristã da história, onde ainda não havia se convertido nenhum gentio. Veja que mesmo Pedro teve dificuldades em explicar aqueles irmãos sua pregação a um gentio do grupo dos "tementes a Deus" Atos 11.2-3-18.
2. A epístola de Tiago é considerada uma das mais antigas do NT. Os críticos colocam sua data entre 46 e 60 d.C.bem nos primórdios do cristianismo.
3. Esta carta foi endereçada não a gentios mas a judeus convertidos é o que se depreende da introdução que Tiago faz dizendo, "Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos da Dispersão, saúde."
Veja que ele chama a igreja pelo costume nacional judaico. Isto mostra sem sombra de dúvida que o pensamento teológico de Tiago e de sua igreja, contido nesta epístola, era perfeitamente compreensível para aqueles judeus cristãos dispersos.
Então quando Tiago fala de guardar "toda a lei" está falando da lei inteira e não de uma parte dela apenas. Não está ai falando do decálogo que os adventistas chamam de lei moral. Este tipo de linguagem era desconhecida da mentalidade da igreja judaica na qual Tiago presidia.
A propósito, a revista da Escola Sabatina, de 1o trimestre de 1980, p.19, afirma: "O NT não dá nenhuma indicação que se tenha pedido aos judeus que abandonassem imediatamente a prática da circuncisão ou que ignorassem as festividades judaicas".
Disto concluímos, quanto aos mandamentos, que quem despreza uns e pratica outros, a si mesmo constitui transgressor , como o disseram Paulo e Tiago . É bom recordar o que eles falaram sobre o assunto.
Paulo - "Pois todos quantos são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque escrito está: Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las." (Gl. 3.10)
Tiago - "Pois qualquer que guardar toda a lei, mas tropeçar em um só ponto, tem-se tornado culpado de todos." (Tiago 2.10)
Essas duas citações são perfeitamente idênticas em seu sentido. Os dois escritores disseram a mesma coisa com palavras diferentes.
Agora veja, você que é guardador do sábado, mas não deixa se circuncidar, tosquiar-se ou purificar-se, que também é da mesma lei, como pode deixar de ser transgressor da lei? Relembrando ainda que a lei supra citada não é o decálogo apenas, mas todo o sistema do judaísmo. Se os adventistas quiserem se socorrer neste verso supra citado terão que guardar toda a lei. Se não o fazem, eles são, então, os que mais incorrem neste pecado. Não há para onde fugir!
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
A LEI ESTÁ DIVIDIDA EM DUAS ?
Os adventistas alegam que a lei se divide em duas: moral e cerimonial. Fazem isto para salvar a guarda do sábado que dizem fazer parte dos mandamentos morais. Tais pessoas usam de todos os meios para conseguirem impor suas idéias, até mesmo citar autoridades protestantes fora do contexto. Mas vejamos se a Lei está dividida em duas, uma moral (os Dez Mandamentos) e a outra cerimonial (o livro da Lei). A primeira, dizem, “não foi cravada na cruz”, enquanto a segunda confessam, “foi totalmente abrogada”.
A divisão que fazem é a seguinte, conforme consta no livro “Estudos Bíblicos”.
LEI MORAL
Foi proferida por Deus
Foi escrita pelo dedo Deus em tábuas de pedra
Foi colocada dentro da arca
Deverá permanecer firme para sempre
Não foi destruída por Cristo
Devia ser engrandecida por Cristo
LEI CERIMONIAL
Foi ditada por Moisés
Foi escrita por Moisés num livro
Nenhuma coisa aperfeiçoou
Foi posta ao lado da arca
Foi cravada na cruz
Foi ab-rogada por Cristo
Foi tirada por Cristo
É bom saber que esta divisão não se encontra em nenhum lugar na Bíblia, verdade é que muitos teólogos protestantes fazem por mera conveniência a distinção entre princípios morais e cerimoniais, mas não que exista duas leis opostas como aparece na teologia adventista. Isso é tão verdade que os próprios adventistas precisou admitir que esta divisão é artificial, observe:
”Seria útil classificarmos as leis do Velho Testamento em várias categorias: 1) Moral; 2) Cerimonial; 3) Civil; 4) Estatutos e juízos; 5) Leis de Saúde. Esta classificação é em parte artificial.” (Lição da escola Sabatina, p.18 de 08/01/1980).
O fato, e isto é incontestável, é que os judeus nunca dividiram a lei como fazem os adventistas.
A LEI PARA O JUDEU
A lei para o judeu era considerada “Una”. Não há de se supor que dentro da teologia judaica havia separação entre lei moral e cerimonial. A única diferença que faziam era quanto “a lei escrita” (Torah) e “a lei oral” (Halakoth) e mesmo assim essa nuança era muito tímida. Até mesmo Flávio “Josefo parece estar bem próximo da concepção rabínica da Tora total: como a lei escrita, a Tradição também vem de Moises e, portanto de Deus” (Flavio Josefo Uma Testemunha do Tempo dos Apóstolos pág. 38, Contra Apião II). Veja que até mesmo a “Tradição” na concepção judaica, era considerada como parte da lei dada por Deus quanto mais as leis do livro.
Diz certa obra que, "O Talmude, a propósito de um ponto em discussão, lembra: 'A lei mandava recitar todos os dias os dez mandamentos. Por que não os recitam mais, hoje? Por causa das malediscências dos minim; para que estes não possam dizer: ‘Estes somente foram dados a Moisés, no Sinal' (Talmud Jer. Berakot 1 ,3c).Segundo estes minim (os “dissidentes”: talvez os judeu-helenistas ou os judeu-cristãos, ou ainda uma seita gnóstica?), Deus só pronunciou os dez mandamentos (Dt 5,22); as outras leis são atribuídas a Moisés. A recitação diária do decálogo, na oração comunitária, favorecia indiretamente esta idéia de que provocava certo desprezo pelas outras leis. A fim de evitar este mal-estar,o judaísmo ortodoxo — talvez nos círculos de Iabne, no fim do século 1 d.C. —suprimiu do serviço sinagogal cotidiano a recitação do decálogo." (O Decálogo- F.G.Lopez)
Veja que este incidente é mais uma confirmação de que os próprios judeus não admitiam que apenas parte da lei fosse dada por Deus e o resto por Moisés como querem fazer acreditar, com muita dificuldade, os nossos amigos adventistas.
Demais disso, o NT não fala em nenhum lugar quais partes da lei eram consideradas rituais e quais eram morais. Quando o moço judeu indagou, "Mestre, qual é o grande mandamento na lei?" (Mateus 22.36), Jesus não perguntou, QUAL LEI? A moral ou a cerimonial? Isso mostra que para o judeu a lei era uma só, não duas. A Bíblia também diz que “a lei foi dada por meio de Moisés...” não distinguindo entre moral e cerimonial (João 1.17).
Os adventistas sabem muito bem disso, pois chegaram a confessar o seguinte: “Note que ‘A Lei de Moisés’(Atos 15.5 nas Escrituras, refere-se a todas as leis dadas por meio de Moisés - cerimonial, moral e civil.... A Lei de Moisés (Hb 10.28) incluía os dez mandamentos. (Revista da Escola Sabatina, abril-junho 1990, p. 11-CPB)
O Concílio de Jerusalém tratou da lei como um corpo completo e não apenas parte dela. Maimônides, teólogo judeu-espanhol do século XII, resumiu a fé judaica em 13 artigos, que foram incorporados aos livros de oração, um deles diz respeito à lei: “(8) Creio firmemente que a Lei que possuímos agora é a mesma que foi dada a Moisés; (9) Creio firmemente que essa Lei não será modificada, e que não haverá outra Lei (ou dispensa dela) dada pelo Criador, abençoado Seu Nome” (Encyclopedia Britannica).
O grande problema com que se deparam os ASD, quando pretendem a guardar a lei de Deus, é que a lei não implica só em guardar os dez mandamentos. A lei é um todo e abrange os cinco livros de Moisés ou o Pentateuco com 613 mandamentos, como lemos em Gl 3.10, “Todos aqueles, pois que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque escrito está: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las”.O texto em apreço não afirma que é maldito quem não guardar os dez mandamentos, mas que é maldito quem não guardar tudo o que está escrito no livro da lei. Isso se tornou uma impossibilidade, E é evidente que, pela lei, ninguém é justificado diante de Deus... (Gl 3.11). Dada a impossibilidade de se guardar todos os 613 mandamentos, a Bíblia declara que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo e que depois que a fé veio já não estamos mais debaixo do aio (ou da lei). Mas, antes que viesse a fé, estávamos sob a tutela da lei e nela encerrados, para essa fé que, de futuro, haveria de revelar-se. De maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados pela fé. Mas, tendo vindo à fé, já não permanecemos subordinados ao aio.”(Gl 3.23-25).
Repedimos: dada essa impossibilidade de guardarem os 613 mandamentos, contidos no Pentateuco (os cinco livros da Lei), dividiram os ASD a lei de Deus em duas leis: Lei Moral e Lei Cerimonial. Ensinam que uma parte da lei foi abolida na cruz – a Lei Cerimonial. Mas, a outra parte da Lei, a Lei Moral, restrita aos dez mandamentos, essa está em vigor.
A expressão “Foi cravada na cruz” é tirada de Cl 2.14-17 e no v. 16 está explícito, e sem contestação, que se incluía nessa lei cravada na cruz o sábado semanal. Com isso os próprios adventistas reconhecem que o sábado semanal foi cravado na cruz.
Ora se a Lei de Moisés refere-se a todas as leis dadas por Moisés incluindo os 10 mandamentos como sustentar biblicamente essa divisão da mesma lei em Lei Moral e Lei Cerimonial como se fossem duas leis distintas?
A expressão Lei de Deus e Lei de Moisés é expressões sinônimas e não se trata de Leis distintas como afirmam os Adventistas do Sétimo Dia. Em Is 33.2 se lê de ‘um só Legislador “e assim tanto os dez mandamentos como os livros de Moisés foram dados por um só Legislador – Deus, por meio de Moisés. É’ de Deus por foi dado por Ele e é de Moisés por foi dada por intermédio de Moisés”.
O EMPREGO DA PALAVRA LEI NAS ESCRITURAS
A palavra “Lei” aparece 220 vezes só no VT este substantivo geralmente se refere a Tora e denota “lei, direção, instrução”. Ao todo aparece mais de 400 vezes na Bíblia. Nenhuma dessas vezes em que a aparece o termo lei vem especificado ou dividido entre duas leis opostas.
1. Basta ler Ne 8.1,3, 8, 14,18 onde a mesma Lei é chamada de Lei de Deus e Lei de Moisés, indistintamente.
(Ne 8.1)...e disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da lei de Moisés
(v. 3) “... todo o povo estavam atentos ao livro da lei.”
(v. 8) “E leram no livro, na lei de Deus...”.(v.14) “E acharam escrito na lei que o SENHOR ordenara, pelo ministério de Moisés
2. Em Gl 3.10 lemos: “Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei para fazê-las”.Esse texto é uma citação de Dt 27.26. Lendo esse capítulo a partir do v. 15 vamos encontrar preceitos morais dentro da lei cerimonial assim denominada pelos adventistas.
“Maldito o homem que fizer imagem de escultura, ou de fundição, abominação ao Senhor, obra da mão do artífice, e a puser em um lugar escondido. E todo o povo responderá, e dirá: Amem”.(v. 15)
Seria este um preceito cerimonial por ter sido escrito por Moisés, num livro que foi posto ao lado da arca e não dentro da arca?
3. Lendo Mc 7.10 que declara: “Porque Moisés disse: Honra a teu pai e a tua mãe” Esse mandamento está incluído nos dez mandamentos, pois é citado em Ex 20.12. Um preceito cerimonial considerando que foi Moisés que o disse, mas que faz parte da lei moral dos adventistas, pois se trata do 5º mandamento do decálogo;
4. Lendo Jo 7.19 que declara: “Não vos deu Moisés a lei? E nenhum de vós observa a lei. Por que procurais matar-me?” Onde a lei proíbe matar? Encontramos esse mandamento dentro dos dez mandamentos – o sexto mandamento em Ex 20.13. Como foi Moisés que disse, deveria tratar-se de um preceito cerimonial. Entretanto, está dentro da lei moral dos adventistas.
5. Jesus ensinou em Mt 22.37-39 que os dois maiores mandamentos são: amar a Deus e amar ao próximo.
“E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.”(Mt 22.37) Esse mandamento é encontrado em Dt 6.5, como se lê: “Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças”.
E o segundo, semelhante a este, é: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo. (Mt 22.39) Este mandamento se encontra em. Levíticos 19.18,:” Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo: mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor.”“.
Ambos fazem parte do livro da Lei de Moisés colocado ao lado da Arca. ““ Tomai este livro da lei, e ponde-o ao lado da arca da aliança do SENHOR vosso Deus, para que ali esteja por testemunha contra ti. “(Dt 31.26). Esses dois mandamentos acham-se em Dt 6.5 e Lv 19.18.
(DT 6:5) "Amarás, pois, o SENHOR teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças."
(LV 19:18) "Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o SENHOR."
O PENTATEUCO
O Livro da Lei continha os cinco primeiros livros da Bíblia, o Pentateuco”.
Admitimos que se os Adventistas do Sétimo Dia estivessem certos na sua interpretação estaríamos desobrigados de amar a Deus sobre todas as coisas e de amar o próximo como a nós mesmos. pois esses dois mandamentos estavam dentro da Lei Cerimonial dos adventistas.
A divisão que fazem é a seguinte, conforme consta no livro “Estudos Bíblicos”.
LEI MORAL
Foi proferida por Deus
Foi escrita pelo dedo Deus em tábuas de pedra
Foi colocada dentro da arca
Deverá permanecer firme para sempre
Não foi destruída por Cristo
Devia ser engrandecida por Cristo
LEI CERIMONIAL
Foi ditada por Moisés
Foi escrita por Moisés num livro
Nenhuma coisa aperfeiçoou
Foi posta ao lado da arca
Foi cravada na cruz
Foi ab-rogada por Cristo
Foi tirada por Cristo
É bom saber que esta divisão não se encontra em nenhum lugar na Bíblia, verdade é que muitos teólogos protestantes fazem por mera conveniência a distinção entre princípios morais e cerimoniais, mas não que exista duas leis opostas como aparece na teologia adventista. Isso é tão verdade que os próprios adventistas precisou admitir que esta divisão é artificial, observe:
”Seria útil classificarmos as leis do Velho Testamento em várias categorias: 1) Moral; 2) Cerimonial; 3) Civil; 4) Estatutos e juízos; 5) Leis de Saúde. Esta classificação é em parte artificial.” (Lição da escola Sabatina, p.18 de 08/01/1980).
O fato, e isto é incontestável, é que os judeus nunca dividiram a lei como fazem os adventistas.
A LEI PARA O JUDEU
A lei para o judeu era considerada “Una”. Não há de se supor que dentro da teologia judaica havia separação entre lei moral e cerimonial. A única diferença que faziam era quanto “a lei escrita” (Torah) e “a lei oral” (Halakoth) e mesmo assim essa nuança era muito tímida. Até mesmo Flávio “Josefo parece estar bem próximo da concepção rabínica da Tora total: como a lei escrita, a Tradição também vem de Moises e, portanto de Deus” (Flavio Josefo Uma Testemunha do Tempo dos Apóstolos pág. 38, Contra Apião II). Veja que até mesmo a “Tradição” na concepção judaica, era considerada como parte da lei dada por Deus quanto mais as leis do livro.
Diz certa obra que, "O Talmude, a propósito de um ponto em discussão, lembra: 'A lei mandava recitar todos os dias os dez mandamentos. Por que não os recitam mais, hoje? Por causa das malediscências dos minim; para que estes não possam dizer: ‘Estes somente foram dados a Moisés, no Sinal' (Talmud Jer. Berakot 1 ,3c).Segundo estes minim (os “dissidentes”: talvez os judeu-helenistas ou os judeu-cristãos, ou ainda uma seita gnóstica?), Deus só pronunciou os dez mandamentos (Dt 5,22); as outras leis são atribuídas a Moisés. A recitação diária do decálogo, na oração comunitária, favorecia indiretamente esta idéia de que provocava certo desprezo pelas outras leis. A fim de evitar este mal-estar,o judaísmo ortodoxo — talvez nos círculos de Iabne, no fim do século 1 d.C. —suprimiu do serviço sinagogal cotidiano a recitação do decálogo." (O Decálogo- F.G.Lopez)
Veja que este incidente é mais uma confirmação de que os próprios judeus não admitiam que apenas parte da lei fosse dada por Deus e o resto por Moisés como querem fazer acreditar, com muita dificuldade, os nossos amigos adventistas.
Demais disso, o NT não fala em nenhum lugar quais partes da lei eram consideradas rituais e quais eram morais. Quando o moço judeu indagou, "Mestre, qual é o grande mandamento na lei?" (Mateus 22.36), Jesus não perguntou, QUAL LEI? A moral ou a cerimonial? Isso mostra que para o judeu a lei era uma só, não duas. A Bíblia também diz que “a lei foi dada por meio de Moisés...” não distinguindo entre moral e cerimonial (João 1.17).
Os adventistas sabem muito bem disso, pois chegaram a confessar o seguinte: “Note que ‘A Lei de Moisés’(Atos 15.5 nas Escrituras, refere-se a todas as leis dadas por meio de Moisés - cerimonial, moral e civil.... A Lei de Moisés (Hb 10.28) incluía os dez mandamentos. (Revista da Escola Sabatina, abril-junho 1990, p. 11-CPB)
O Concílio de Jerusalém tratou da lei como um corpo completo e não apenas parte dela. Maimônides, teólogo judeu-espanhol do século XII, resumiu a fé judaica em 13 artigos, que foram incorporados aos livros de oração, um deles diz respeito à lei: “(8) Creio firmemente que a Lei que possuímos agora é a mesma que foi dada a Moisés; (9) Creio firmemente que essa Lei não será modificada, e que não haverá outra Lei (ou dispensa dela) dada pelo Criador, abençoado Seu Nome” (Encyclopedia Britannica).
O grande problema com que se deparam os ASD, quando pretendem a guardar a lei de Deus, é que a lei não implica só em guardar os dez mandamentos. A lei é um todo e abrange os cinco livros de Moisés ou o Pentateuco com 613 mandamentos, como lemos em Gl 3.10, “Todos aqueles, pois que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque escrito está: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las”.O texto em apreço não afirma que é maldito quem não guardar os dez mandamentos, mas que é maldito quem não guardar tudo o que está escrito no livro da lei. Isso se tornou uma impossibilidade, E é evidente que, pela lei, ninguém é justificado diante de Deus... (Gl 3.11). Dada a impossibilidade de se guardar todos os 613 mandamentos, a Bíblia declara que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo e que depois que a fé veio já não estamos mais debaixo do aio (ou da lei). Mas, antes que viesse a fé, estávamos sob a tutela da lei e nela encerrados, para essa fé que, de futuro, haveria de revelar-se. De maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados pela fé. Mas, tendo vindo à fé, já não permanecemos subordinados ao aio.”(Gl 3.23-25).
Repedimos: dada essa impossibilidade de guardarem os 613 mandamentos, contidos no Pentateuco (os cinco livros da Lei), dividiram os ASD a lei de Deus em duas leis: Lei Moral e Lei Cerimonial. Ensinam que uma parte da lei foi abolida na cruz – a Lei Cerimonial. Mas, a outra parte da Lei, a Lei Moral, restrita aos dez mandamentos, essa está em vigor.
A expressão “Foi cravada na cruz” é tirada de Cl 2.14-17 e no v. 16 está explícito, e sem contestação, que se incluía nessa lei cravada na cruz o sábado semanal. Com isso os próprios adventistas reconhecem que o sábado semanal foi cravado na cruz.
Ora se a Lei de Moisés refere-se a todas as leis dadas por Moisés incluindo os 10 mandamentos como sustentar biblicamente essa divisão da mesma lei em Lei Moral e Lei Cerimonial como se fossem duas leis distintas?
A expressão Lei de Deus e Lei de Moisés é expressões sinônimas e não se trata de Leis distintas como afirmam os Adventistas do Sétimo Dia. Em Is 33.2 se lê de ‘um só Legislador “e assim tanto os dez mandamentos como os livros de Moisés foram dados por um só Legislador – Deus, por meio de Moisés. É’ de Deus por foi dado por Ele e é de Moisés por foi dada por intermédio de Moisés”.
O EMPREGO DA PALAVRA LEI NAS ESCRITURAS
A palavra “Lei” aparece 220 vezes só no VT este substantivo geralmente se refere a Tora e denota “lei, direção, instrução”. Ao todo aparece mais de 400 vezes na Bíblia. Nenhuma dessas vezes em que a aparece o termo lei vem especificado ou dividido entre duas leis opostas.
1. Basta ler Ne 8.1,3, 8, 14,18 onde a mesma Lei é chamada de Lei de Deus e Lei de Moisés, indistintamente.
(Ne 8.1)...e disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da lei de Moisés
(v. 3) “... todo o povo estavam atentos ao livro da lei.”
(v. 8) “E leram no livro, na lei de Deus...”.(v.14) “E acharam escrito na lei que o SENHOR ordenara, pelo ministério de Moisés
2. Em Gl 3.10 lemos: “Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei para fazê-las”.Esse texto é uma citação de Dt 27.26. Lendo esse capítulo a partir do v. 15 vamos encontrar preceitos morais dentro da lei cerimonial assim denominada pelos adventistas.
“Maldito o homem que fizer imagem de escultura, ou de fundição, abominação ao Senhor, obra da mão do artífice, e a puser em um lugar escondido. E todo o povo responderá, e dirá: Amem”.(v. 15)
Seria este um preceito cerimonial por ter sido escrito por Moisés, num livro que foi posto ao lado da arca e não dentro da arca?
3. Lendo Mc 7.10 que declara: “Porque Moisés disse: Honra a teu pai e a tua mãe” Esse mandamento está incluído nos dez mandamentos, pois é citado em Ex 20.12. Um preceito cerimonial considerando que foi Moisés que o disse, mas que faz parte da lei moral dos adventistas, pois se trata do 5º mandamento do decálogo;
4. Lendo Jo 7.19 que declara: “Não vos deu Moisés a lei? E nenhum de vós observa a lei. Por que procurais matar-me?” Onde a lei proíbe matar? Encontramos esse mandamento dentro dos dez mandamentos – o sexto mandamento em Ex 20.13. Como foi Moisés que disse, deveria tratar-se de um preceito cerimonial. Entretanto, está dentro da lei moral dos adventistas.
5. Jesus ensinou em Mt 22.37-39 que os dois maiores mandamentos são: amar a Deus e amar ao próximo.
“E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.”(Mt 22.37) Esse mandamento é encontrado em Dt 6.5, como se lê: “Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças”.
E o segundo, semelhante a este, é: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo. (Mt 22.39) Este mandamento se encontra em. Levíticos 19.18,:” Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo: mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor.”“.
Ambos fazem parte do livro da Lei de Moisés colocado ao lado da Arca. ““ Tomai este livro da lei, e ponde-o ao lado da arca da aliança do SENHOR vosso Deus, para que ali esteja por testemunha contra ti. “(Dt 31.26). Esses dois mandamentos acham-se em Dt 6.5 e Lv 19.18.
(DT 6:5) "Amarás, pois, o SENHOR teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças."
(LV 19:18) "Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o SENHOR."
O PENTATEUCO
O Livro da Lei continha os cinco primeiros livros da Bíblia, o Pentateuco”.
Admitimos que se os Adventistas do Sétimo Dia estivessem certos na sua interpretação estaríamos desobrigados de amar a Deus sobre todas as coisas e de amar o próximo como a nós mesmos. pois esses dois mandamentos estavam dentro da Lei Cerimonial dos adventistas.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Ninguém vos Julgue pelos sábados!
Por Natanael Rinaldi
Mandaram-me, pelo correio, um livrete com o título “Qual o verdadeiro dia de repouso?”. De autoria de Williams Costa Jr. e Alejandro Bullón, ambos pastores adventistas, a obra é distribuída pelo curso “Está Escrito”, da referida seita. O texto é composto de perguntas e respostas.
Acredito que esse material me foi enviado por alguém que conhece a minha posição com relação aos ensinos adventistas sobre a guarda do sábado, posição essa exposta ao longo dos anos aqui mesmo em Defesa da Fé, e também em programas de rádios e seminários, entre outros eventos. Tanto é assim que fui até mesmo citado pelos autores no livrete, o que me motivou ainda mais a me pronunciar. Aproveito a oportunidade também para responder, de uma só vez, às cartas e aos telefonemas, que não são poucos, que chegam, por parte dos adventistas, ao ICP. Dessa forma, eles me criticam e instigam a replicar seus argumentos sabatistas ardilosos e polêmicos. Alguns desses argumentos são, de certa forma, infantis, como se vê na página 12 do livro em referência. Vejamos:
– Wiams, você fala inglês, como se diz domingo em inglês? – pergunta Bullón.
– Sunday – responde Costa Júnior.
– E o que quer dizer Sunday? – Bullón novamente.
– O dia do sol. E não é somente em inglês, em alemão também. Eu não falo alemão, mas em algumas línguas o domingo significa o dia do sol – finaliza Costa.
Qualquer criança que estuda inglês sabe que a palavra para sábado nessa língua é saturday. Se perguntarmos a essa mesma criança qual o significado do termo saturday ela responderá “o dia de Saturno”. Quem era Saturno? Um deus pagão, do qual vem o vocábulo saturnais, que indica uma festa realizada com licenciosidade e baixeza moral.
Mas o adventista dá valor apenas ao argumento sobre a palavra sunday, mesmo sabendo que todos os dias da semana eram conhecidos por nomes de deuses ou planetas: o Sol (domingo), a Lua (segunda-feira), Marte (terça-feira), Mercúrio (quarta-feira), Júpiter (quinta-feira), Vênus (sexta-feira) e Saturno (sábado).
Para um líder espiritual de uma igreja que se vangloria por conhecer profundamente a Bíblia (o que não é verdade, pois os adventistas baseiam seus ensinos nas visões e revelações de Ellen Gould White), esse argumento infantil tem validade.
Embora os adventistas queiram ser reconhecidos como evangélicos, na verdade são sabatólatras. São sucessores dos fariseus dos dias de Jesus, que levaram o Mestre à morte por causa de duas acusações. A primeira delas era porque o Salvador não guardava o sábado. A segunda, porque Jesus se declarava Filho de Deus, com natureza igual à de Deus. Isso era caso gravíssimo para os judeus. Imperdoável mesmo! Por isso, pois, os judeus “Ainda mais procuravam matá-lo, porque não só quebrantava o sábado, mas também dizia que deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus”(Jo 5.17-18).
Através de um exame, ainda que superficial, do livro “Qual o verdadeiro dia de repouso?”, percebe-se facilmente que faltou seriedade intelectual aos seus autores. Não é possível que alguém se proponha a defender o sábado como sendo o verdadeiro dia de repouso e, propositadamente, ao citar as Escrituras como prova da sua validade, omita a palavra sábado (no plural, sábados) de Colossenses 2.16. Pois é justamente dessa forma que o senhor Bullón age. Vejamos o diálogo entre ele e o pastor Costa Júnior:
Pastor COSTA JÚNIOR – (referindo-se aos crentes que costumam dizer)... “eu sou cristão, sou seguidor de Jesus e guardo o domingo. E uma das razões pelas quais eu guardo o domingo é porque Jesus foi perfeito. Ele cumpriu a Lei e Ele pregou a Lei na cruz. Pastor Bullón, há necessidade de continuar guardando a Lei, apesar de Jesus ter feito seu sacrifício na cruz?”
Pastor BULLÓN – “Muitos cristãos acham que depois da morte de Cristo já não se deve guardar mais o sábado porque Cristo cravou na cruz os mandamentos de Deus. Em primeiro lugar, não há base bíblica dizendo que Jesus cravou os mandamentos de Deus. Jesus cravou na cruz todas as festas do povo de Israel, que apontavam para a sua vinda, como o sacrifício do cordeiro e a circuncisão. Muitas das festas, cerimônias e leis cerimoniais do povo de Israel tinham como objetivo anunciar que Jesus viria para morrer na cruz do Calvário pelos nossos pecados. Agora, uma vez que Jesus veio, para que sair sacrificando cordeirinhos se o Cordeiro de Deus já fora sacrificado? A circuncisão, as festas, as luas novas, as festas religiosas de Israel, tudo isto chegou ao fim porque, isto sim, Jesus cravou na cruz do Calvário” (p. 4).
Todos sabemos que a honestidade é fundamental quando se trata de refutar doutrinas bíblicas. Pergunto: por que foi omitida propositadamente a palavra “sábados” de Colossenses 2.16? Vimos que os autores falaram das festas, das luas novas, mas omitiram a palavra “sábados”. Por que fizeram isso?
Vejamos o que de fato foi cravado na cruz (o que é reconhecido pelos próprios adventistas): “Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da luz nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo” (Cl 2.16-17). Como podemos ver, à luz da Palavra de Deus, não foram apenas os dias de festas, as luas novas cravados na cruz, mas também os sábados. E devemos saber que esses sábados não são os sábados anuais, porque os chamados sábados anuais ou cerimoniais são identificados no texto em pauta pela expressão dias de festas.
Razões que indicam que os sábados de Cl 2.16 são semanais
Diante da clareza de Cl 2.16-17, os adventistas do sétimo dia costumam refutar essa posição alegando que a palavra sábados não se refere ao sábado semanal, mas aos cerimoniais ou anuais, conforme mencionados em Lv 23.1-39.
Essa afirmação, no entanto, não é correta, e por três razões:
A - Os sábados anuais ou cerimoniais eram chamados de festas, e eles já estão incluídos na frase dias de festa, em Cl 2.16. Esses dias de festa ou sábados anuais eram designados como tais. A saber:
1 Festa da Páscoa - Lv 23.5,7;
2 Festa dos Asmos - Lv 23.8;
3 Festa de Pentecostes - Lv 23.15-16;
4 Festa das Trombetas - Lv 23.23-25;
5 Festa da Expiação - Lv 23.26,32;
6 Festa dos Tabernáculos - 1º dia de festa;
7 Festa dos Tabernáculos - último dia de festa - Lv 23.34,36.
Em Levíticos 23.37, lemos: “Estas são as solenidades do SENHOR, que apregoareis para santas convocações...”. Na seqüência do texto, mas precisamente no v. 38, os sábados são, propositadamente, excluídos. Vejamos: “Estas ofertas são além dos sábados do Senhor, além dos vossos dons, além de todos os vossos votos, e além de todas as vossas ofertas voluntárias que dareis ao Senhor”.
Assim, os chamados sábados anuais estão incluídos nos dias de festas, o que mostra, distintamente, que os sábados semanais, conforme indicados por Paulo em Cl 2.16, não constam dessa relação: “Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da luz nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo”.
B - A fórmula dias de festa, luas novas e sábados serve para indicar os dias sagrados anuais, mensais e semanais:
1º Exemplo:
– Em Números 28 encontramos os holocaustos para os sábados (semanais), para as luas novas (mensais) e para os dias de festa (anuais) nos seguintes versículos: “... no dia de sábado dois cordeiros de um ano, sem mancha... Holocausto é do sábado em cada semana...” (vv. 9,10). “E as suas libações serão a metade dum him de vinho para um bezerro... este é o holocausto da lua nova de cada mês, segundo os meses do ano” (v. 14). “Porém no mês primeiro, aos catorze dias do mês, é a páscoa do Senhor; e aos quinze dias do mesmo mês haverá festa; sete dias se comerão pães asmos” (vv. 16,17).
2º Exemplo:
– Em 1 Crônicas 23.31, lemos: “E para cada oferecimento dos holocautos do Senhos, nos sábados, nas luas novas e nas solenidades por conta, segundo o seu costume, continuamente”. O significado de cada período: “nos sábados” (cada semana), “nas luas novas” (cada mês) e “nas solenidades” (cada ano).
3º Exemplo:
– Em 2 Crônicas 2.4 está escrito: “Eis que estou para edificar uma casa ao nome do Senhor meu Deus, para lhe consagrar, para queimar perante ele incenso aromático, e para o pão contínuo da proposição, e para os holocaustos da manhã e da tarde, nos sábados e nas luas novas e nas festividades do Senhor nosso Deus...”. O significado de cada período: “da manhã e da tarde” (cada dia), “nos sábados” (cada semana), “nas luas novas” (cada mês) e “nas festividades” (cada ano).
4º Exemplo:
– Em 2 Crônicas 8.13, registra-se: “E isto segundo o dever de cada dia, oferecendo segundo o preceito de Moisés, nos sábados e nas luas novas, e nas solenidades, três vezes no ano”. O significado dos períodos: “nos sábados” (cada semana), “nas luas novas” (cada mês) e “nas solenidades” (cada ano).
5º Exemplo:
– Em 2 Crônicas 31.3, lemos o seguinte: “Também estabeleceu a parte da fazenda do rei para os holocaustos, para os holocaustos da manhã e da tarde, e para os holocaustos dos sábados, e das luas novas, e das solenidades, como está escrito na lei do Senhor”. O significado dos períodos: “da manhã e da tarde” (cada dia), “nos sábados” (cada semana), “nas luas novas” (cada mês) e “das solenidades” (cada ano).
6º Exemplo:
– Em Ezequiel 45.17, lemos: “E estarão a cargo do príncipe os holocaustos, e as ofertas de manjares, e as libações nas festas e nas luas novas, e nos sábados, em todas as solenidades da casa de Israel”. Significado dos períodos: “nas festas” (cada ano), “nas luas novas” (cada mês) e “nos sábados” (cada semana).
7º Exemplo:
– Em Oséias 2.11 está escrito: “E farei cessar todo o seu gozo, a suas festas, as suas luas novas, e os seus sábados, e todas as suas festividades. E, finalmente, temos Cl 2.16-17: “Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da luz nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo”. O significado dos períodos desses dois textos é o mesmo dos anteriores.
C- As palavras sábado, sábados e dia de sábado (no singular ou no plural) ocorrem sessenta vezes no Novo Testamento. Mas os adventistas do sétimo dia reconhecem que apenas 59 dos casos se referem ao sábado semanal. Negam justamente o texto de Cl 2.16. Dizem eles: “Os termos sábado, sábados e dia de sábado ocorrem sessenta vezes no Novo Testamento e em cada caso, exceto um, refere-se ao sétimo dia. Colossenses 2.16,17 faz referência aos sábados anuais relacionados com as três festas anuais observadas por Israel antes do primeiro advento de Cristo” (Estudos bíblicos, p. 378, CPB).
Se perguntarmos aos adventistas qual o sentido da palavra sábados em qualquer passagem do Novo Testamento em que ela aparece, a resposta será sempre a mesma: sábado semanal. A única exceção é Colossenses 2.16. Por quê? Porque teriam de reconhecer a procedência da nossa declaração de que, segundo essa referência bíblica, o sábado semanal deixou de ser uma obrigação para os cristãos.
Repetindo: se dermos à palavra sábados, em Cl 2.16, o sentido semanal teremos em favor da nossa interpretação 59 referências reconhecidas por eles. Mas, ao darem à palavra sábados, em Cl 2.16, o sentido de sábados anuais ou cerimoniais, eles não têm nenhuma referência que apoie sua interpretação. Por isso argumentam dessa forma. Caso contrário, teriam de reconhecer que o sábado foi abolido na cruz: “Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê” (Rm 10.4).
“Meus sábados e seus sábados”
Os adventistas do sétimo dia dizem que a expressão meus sábados indica a distinção entre os sábados semanais e os sábados cerimoniais. Mas isso não é bíblico. As duas expressões são utilizadas para indicar os mesmos sábados - os semanais. São de Deus - meus sábados - porque foram dados por Ele. E são dos judeus - seus sábados - porque foram dados para eles.
Vejamos a aplicação dos pronomes meus e seus na Bíblia:
A - O Templo - Is 56.7 comparado com Mt 23.38 (minha casa, vossa casa);
B - O mesmo Deus indicado por meu Deus e vosso Deus - Jo 20.17
C - Os mesmos sacrifícios e holocaustos são chamados de meus e vossos em Nm 28.2. Comparar com Dt 12.6.
Resposta às outras citações bíblicas
Pastor COSTA JÚNIOR – Pastor, qual é o fundamento bíblico, que nós temos, para o verdadeiro dia de guarda? Qual o verdadeiro dia de repouso?
Pastor BULLÓN – Teríamos de ir, para esta resposta, ao início da criação deste mundo. No capítulo 2 do livro de Gênesis, versículos de 1 a 3, diz assim: “Assim, pois, foram acabados os céus e a terra e todo o seu exército. E, havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera”.
Se o sábado semanal deve ser o dia de repouso, por que então Deus trabalhou nele? O texto é claro: “E, havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que tinha feito”. Deus não terminou sua obra da criação no sexto dia e descansou no sétimo. Ele trabalhou no sétimo dia, e descansou no mesmo dia em que concluiu a obra da criação.
Ora, se se invoca o descanso de Deus para impingir-se a guarda desse dia como sendo o dia de repouso, como admitir que Deus trabalhou justamente nesse dia? E se Ele trabalhou para concluir a obra da criação, então não é pecado trabalhar nesse dia seguindo o exemplo de Deus! O senhor Bullón declara: “Você sabe que Deus não se cansa, nem se fadiga. Portanto, se Ele descansou no sábado não era porque estava cansado”. Seguindo esse raciocínio de Bullón, o registro bíblico merece correção, porque está declarando algo que não é verdade.
Devemos ver uma coisa, se o senhor Bullón queria apenas indicar com isso que o sétimo dia deveria ser de descanso universal, surge então uma pergunta: “Todos os homens da terra têm o dia sétimo, ao mesmo tempo, como dia de repouso, inclusive o próprio Deus? Diz a Bíblia que o sábado deveria ser guardado a partir do pôr-do-sol de sexta-feira até o pôr-do-sol do sábado (Lv 23.32). Logo, os habitantes da terra teriam de guardar o mesmo período. Mas, quando são 6 horas da manhã de sábado aqui no Brasil, no Japão são 6 horas da tarde. E isto significa que, quando os guardadores do sábado aqui se levantam para guardá-lo, os seus irmãos japoneses o acabaram de guardar. E quando os brasileiros começarem a guardar o sábado, seus irmãos na Califórnia, USA, trabalharão ainda durante cinco horas antes de começarem a guardá-lo. Qual dos grupos de guardadores do sábado estarão realmente observando o período de tempo que Deus descansou ao concluir a obra da criação?
Os adventistas guardam realmente o sábado?
Dentro das exigências da lei estava a proibição de acender fogo no dia de sábado: “Não acendereis fogo em nenhuma das vossas moradas no dia do sábado” (Êx 35.3). Isso significa que é proibido acender qualquer tipo de fogo, seja um fósforo ou um fogão a gás. Implica também na proibição de andar de carro movido a combustão. Os judeus radicados no Brasil, notadamente os de São Paulo, onde se localiza a maioria deles, vão à sinagoga a pé no dia de sábado, e não de carro, respeitando as observâncias com relação a esse dia.
Caro leitor, pergunte ao primeiro adventista que lhe falar sobre a obrigatoriedade da guarda do sábado se ele acende fogo nesse dia? Observe como ele titubeia e não sabe como responder! Falta-lhe coragem para admitir que sim. Paulo declarou: “Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las. E é evidente que pela lei ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá da fé” (Gl 3.10-11). Assim, os adventistas estão sob a maldição da própria lei que pretendem guardar. Pior, agem como os fariseus, que punham fardos pesados sobre os ombros do povo e eles mesmos não tocavam nem com a mão. Mas Jesus os denunciou: “Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; eles, porém, nem com o dedo querem movê-los” (Mt 23.4). O mesmo disse Pedro: “Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo quem nem nossos pais nem nós pudemos suportar? Mas cremos que seremos salvos pela graça do Senhor Jesus Cristo, como eles também” (At 15.10,11). E Paulo reitera a impossibilidade da guarda da lei, que não era completa apenas com os dez mandamentos.
O que abrangia o livro da lei? Nada menos do que 613 mandamentos, mas os adventistas resolveram criar apenas duas leis. Uma delas denominaram como Lei Moral, os dez mandamentos, e o restante como Lei de Moisés, cancelada na cruz. Fácil, não? Baseados em quê fizeram essa distinção de leis? Tem apoio bíblico? Onde aparecem na Bíblia expressões como Lei Moral e Lei Cerimonial? Por isso confessam: “Seria útil classificarmos as leis do Velho Testamento em várias categorias: 1. Lei moral; 2. Lei Cerimonial; 3. Lei Civil, 4. Estatutos e Juízos; 5. Leis de saúde. Esta classificação é, em parte, artificial” (Lições da Escola Sabatina, Lição n. 2, p. 18, de 8-1-1980).
Pastor BULLÓN – Então, como eu posso saber, pela Bíblia, que depois da morte de Cristo, os seus discípulos ainda continuaram guardando o sábado? Muito simples: em S. Lucas, capítulo 23, a partir do versículo 50, está relatado como José de Arimatéia foi reclamar o corpo de Cristo. Cristo já estava morto. Dentre as pessoas havia algumas mulheres. “Era o dia da preparação, e começava o sábado. As mulheres que tinham vindo da Galiléia com Jesus, seguindo, viram o túmulo e como o corpo fora ali depositado. Então, se retiraram para preparar aromas e bálsamos. E, no sábado, descansaram, segundo o mandamentos” (Lc 23.54-56). Ou seja, Jesus já havia morrido, e no sábado, o primeiro sábado após a morte de Cristo, as mulheres ainda continuaram guardando o mandamento do sábado.
Ora, se os próprios sabatistas reconhecem que o nosso argumento para a guarda do primeiro dia da semana, como dia do Senhor (Ap 1.10), é decorrente da ressurreição de Jesus, ocorrida no primeiro dia da semana (Lc 24.1-3), e o texto de Lc 23.54-55 se refere ao descanso das mulheres no sábado antes da ressurreição, que valor tem o exemplo dessas piedosas mulheres judias para nós, cristãos?
Pastor BULLÓN – A Bíblia está cheia de referências de que Jesus guardou o sábado quando viveu nesta terra. E quem quer ser cristão, quer seguir a Jesus. Porque cristão é aquele que faz o que Jesus fez.
Jesus guardou o sábado porque era judeu e nasceu sob a lei (Gl 4.4), portanto obedeceu todas as leis do Antigo Concerto. Como exemplo de cidadão judeu, Ele foi circuncidado, ordenou a entrega de oferendas ao sacerdote pela purificação, guardou a festa da Páscoa, etc (Lc 2.21-24; 5.12-14; Mt 26.18,19). Mas, quando morreu, Ele inaugurou uma nova aliança e revogou a velha (Jo 19.30; Mt 27.51). “Mas, antes que a fé viesse estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar. De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados. Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo do aio” (Gl 3. 23-25).
Se o fato de Jesus ter guardado a Páscoa não prova que também devemos guardá-la, ou se o fato de Ele ter-se circuncidado não recomenda que também devemos nos circuncidar, do mesmo modo não devemos também guardar o sábado por que Ele o guardou.
A natureza dos mandamentos de Jesus
A que Jesus se referia quando falava de seus mandamentos? Os adventistas associam a palavra ‘mandamentos’ no Novo Testamento aos dez mandamentos. Mas esse modo de pensar não é correto. Jesus foi bem específico quando falou de seus mandamentos.
Vejamos a que Jesus se referia quando falava de mandamentos:
- “Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis” (Jo 13.34);
- “O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei” ( Jo 15.12);
- “O seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo seu mandamento” (1Jo 3.23);
- “E dele temos este mandamento: que quem ama a Deus, ame também seu irmão” (1Jo 4.21);
- “E agora, senhora, rogo-te, não como escrevendo-te um novo mandamento, mas aquele mesmo que desde o princípio tivemos: que nos amemos uns aos outros” (2Jo 5).
O leitor pode perceber que em nenhum dos textos acima se fala na guarda do sábado.
O Novo Testamento não repete os dez mandamentos
Não há dúvida de que o Novo Testamento cita mandamentos do Velho Testamento. Fala de toda a Lei de Moisés, mas não repete o quarto mandamento em nenhum lugar. Façamos uma comparação dos dez mandamentos dentro do Novo Testamento:
VELHO TESTAMENTO
1º mandamento - Êx 20.2,3
2º mandamento - Êx 20.4-6
3º mandamento - Êx 20.7
4º mandamento - Êx 20.8-11
5º mandamento - Êx 20.12
6º mandamento - Êx 20.13
7º mandamento - Êx 20.14
8º mandamento - Êx 20.15
9º mandamento - Êx 20.16
10º mandamento - Êx 20.17
NOVO TESTAMENTO
1º At 14.15
2º 1Jo 5.21
3º Tg 5.12
4º Não existe
5º Ef 6.1-3
6º Rm 13.9
7º 1Co 6.9,10
8º Ef 4.28
9º Cl 3.9
10º Ef 5.3
Pastor BULLÓN – Mesmo São Paulo, que não foi discípulo de Jesus, pois São Paulo se converteu depois, ou seja, já se havia passado anos e São Paulo disse que quando chegou a Corinto foi, aos sábados, à sinagoga: “E todos os sábados discorria na sinagoga, persuadindo tanto judeus como gregos... O texto bíblico diz: “Todos os sábados discorria na sinagoga, persuadindo tanto judeus como gregos”. (A citação correta é Atos 18.4, e não Lucas 18.4, como indicado no livrete). E os gregos não guardavam o sábado, portanto Paulo não ia por causa dos judeus, ele ia porque reconhecia que o sábado era o dia do Senhor.
O sábado era o dia quando pessoas se juntavam na sinagoga para adoração dentro do culto judaico. A maioria dos participantes era judeu. Os gregos compareciam em menor número. Paulo aproveitou essas oportunidades para ensinar que Jesus era o Cristo prometido nas Escrituras do Velho Testamento, procurando ganhar aquelas pessoas para Jesus Cristo. E fez de tudo para conseguir seu objetivo: “Fiz-me como judeu para com os judeus, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se estivesse debaixo da lei, para ganhar os que estão debaixo da lei. Para os que estão sem lei, como se estivesse sem lei (Não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo), para ganhar os que estão sem lei Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns. E eu faço isto por causa do evangelho, para ser também participante dele” (1Co 9.19-23).
Foi dessa forma que circuncidou Timóteo (At 16.3) e declarou que a circuncisão nada vale (Gl 5.2; 6.15); observou o Pentecostes (At 20.16); tosquiou a cabeça (At 18.18); e fez ofertas segundo a lei (At 21.20-26). Sua explicação para a observância de todas essas práticas judaicas está no desejo que tinha de ganhar os judeus e os gregos para Cristo. Será que os adventistas circuncidam pessoas como Paulo o fazia? Observam o Pentecostes? Tosquiam suas cabeças? Fazem ofertas segundo a lei? Que parcialidade dos adventistas: só se lembram do sábado! É muito sectarismo da parte deles!
Outra declaração absurda é a que diz que Paulo “não ia por causa dos judeus, ele ia porque reconhecia que o sábado era o dia do Senhor”. Interessante! Paulo escreveu treze cartas, e se considerarmos Hebreus como sendo de sua autoria, teremos quatorze. Será que Paulo se esqueceu de dizer isso em suas epístolas: que o sábado era o dia do Senhor? Quanto à observância do sábado, Paulo declarou: “Guardais dias (sábados) e meses, (luas novas), e tempos, e anos (festas anuais). Receio de vós que não haja trabalho em vão para convosco” (Gl 4.10-11). A preocupação de Paulo era com o fato de os gálatas estarem se voltando para o judaísmo.
Pastor COSTA JÚNIOR – Existe um fundamento bíblico para nós guardarmos outro dia que não o sábado, seja qual for a razão?
Pastor BULLÓN –Existe aqui uma declaração, que eu vou ler, no livro de Hebreus, capítulo 4, versículos 4,5 e 9, que diz assim: “Porque, em certo lugar, assim disse, no tocante ao sétimo dia: E descansou Deus, no sétimo dia, de todas as obras que fizera. E novamente, no mesmo lugar: Não entrarão no meu descanso... Portanto, resta um repouso para o povo de Deus”. Isto quer dizer que, para a Igreja de Deus dos nossos dias, continua um dia de repouso (p. 7).
É evidente que o repouso de que se trata aqui nada tem a ver com o repouso do sétimo dia indicado no quarto mandamento, senão o repouso de uma de fé em Deus. A idéia central do texto é:
A - Deus repousou depois de haver criado o mundo;
B - Os profetas falaram de antemão de um outro dia (Sl118.24), em vez do sétimo, para comemorar o repouso maior que se seguiria a uma obra maior do que a criação;
C - A este repouso maior, Josué nunca pode guiar o seu povo;
D - Jesus, havendo terminado sua obra de redenção na cruz (Jo 19.30), repousou Ele mesmo no primeiro dia da semana (Mc 16.9), como Deus havia repousado da sua;
E - Na cruz foi abolido o sábado (Os 2.11 comparado com Cl 2.14-17);
F - Portanto, em comemoração ao glorioso repouso que se seguiu a uma obra maior de redenção, resta guardar um descanso para o povo de Deus. Esse descanso encontramos em Jesus (Mt 11.28-30);
G - Foi necessário esse argumento para mostrar ao judeu, que se gloriava no seu sábado, que o cristão tem um descanso melhor e superior ao sábado (Ap 1.10, Sl 118.22-24).
Pastor BULLÓN – Porém, na História, descobrimos que houve um imperador romano, chamado Constantino, que no ano 331 DC definitivamente tornou-se cristão, mas com uma condição: “Ele disse: eu vou me tornar cristão, mas junto comigo, eu quero trazer muitas coisas nas quais acredito. E ele guardava o domingo e, oficialmente, a partir do ano 331 passou-se a guardar o domingo como dia santo. Mas, este é um legado que vem do paganismo, de Constantino (p. 10).
Se tal absurdo fosse escrito por um adventista leigo, não teríamos dificuldades em entender a sua falta de conhecimento histórico relativo ao imperador Constantino. Mas não dá para entender uma pessoa que se intitula escritor e líder de uma igreja que se vangloria de conhecer a Bíblia jogar, através de um curso bíblico, esse absurdo na mente do povo, mediante emissoras de rádio e TV, e ainda se dá ao luxo de publicá-la em livrete e espalhá-la por todo o Brasil. Essa é uma atitude suspeita e vergonhosa. Quando foi que o imperador Constantino condicionou sua adesão ao cristianismo à exigência de trazer para o “arraial cristão” aquilo que pertencia ao paganismo? Em que parte da história isso é mencionado? Se o paganismo já guardava o domingo - como afirma o pastor Bullón - por que então o decreto de Constantino em 331 DC feito nesse sentido?
Os adventistas raciocinam do mesmo modo que as testemunhas de Jeová fazem em relação à deidade absoluta de Jesus. As testemunhas de Jeová ensinam, em seus livros, que a Doutrina da Trindade foi firmada no Concílio de Nicéia, em 325 DC, presidido por Constantino. Se o senhor Bullón admite que a instituição do primeiro dia da semana como dia do Senhor em memória da ressurreição de Cristo é de origem pagã porque Constantino decretou esse dia de guarda ao se tornar cristão, os adventistas deveriam, na verdade, ser chamados de pagãos por adotarem a doutrina da Trindade em cujo Concílio foi instituída essa doutrina? Os adventistas concordam com as testemunhas de Jeová que nos acusam de paganismo por crermos na deidade de Jesus e na doutrina da Trindade?
A instituição do primeiro dia da semana como dia do senhor
No Salmo 118:22-24, lemos: “A pedra que os edificadores rejeitaram tornou-se cabeça de esquina. Da parte do Senhor se fez isto: maravilhoso é aos nossos olhos. Este é o dia que fez o Senhor; regozijemo-nos, e alegremo-nos nele”. Essa passagem foi aplicada por Jesus a si mesmo em Mt 21.42: “Disse-lhes Jesus: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra, que os edificadores rejeitaram, essa foi posta por cabeça do ângulo; pelo Senhor foi feito isto, e é maravilhoso aos nossos olhos?”.
Não é algo difícil darmos a interpretação correta dessa referência bíblica. A pedra rejeitada é Jesus Cristo (At 4.11,12). Ele iniciou seu ministério reivindicando ser Filho de Deus, igual a Deus (Jo 10.30-33). E, ao ser acusado de quebrar o sábado (Jo 5.16-18), foi rejeitado e crucificado (Jo 19.1-7). Isto se deu numa sexta-feira (Mc 15.42-47). Mas a morte não pôde retê-lo e, ao terceiro dia, ressurgiu dentre os mortos. Esse fato aconteceu no primeiro dia da semana: “E Jesus, tendo ressuscitado na manhã do primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demônios” (Mc 16.9). Outras referências são: Jo 20.1,19,20; Mt 28.18.
Diz a Bíblia sobre o dia da ressurreição de Jesus: “Este é o dia que fez o Senhor; regozijemo-nos e alegremo-nos nele”. Ao levantar seu Filho dentre os mortos, fez Deus essa coisa maravilhosa. E essa “coisa maravilhosa” se deu no primeiro dia da semana.
A expressão ‘dia do senhor’ de Apocalipse 1.10
O significado da expressão ‘dia do Senhor’ de Ap 1.10 é encontrada em algumas traduções da Bíblia, como segue:
“Eu fui arrebatado em espírito num dia de domingo...” (Tradução de Antônio Pereira de Figueiredo)
“Num domingo, caindo em êxtase, ouvi atrás de mim uma voz...” (Edições Paulinas)
“Um dia de domingo, fui arrebatado em espírito” (tradução de Mattos Soares)
“No dia do Senhor: no domingo” (anotação no rodapé da TLH)
Dizem os líderes da Igreja Adventista do Sétimo Dia, o Remanescente, no seu livro “Sonhos e visões de Jeanine Sautron”, pp. 384/85, que “Samuel Bacchiocchi (líder adventista) realiza seminários no ‘Dia do Senhor” referindo-se ao Domingo. Em seu livro FROM SABBATH TO SUNDAY (Do Sábado Para o Domingo) o ‘dia do Senhor’ é mencionado como sendo o domingo 51 vezes somente nas primeiras 160 páginas do livro.
Provas adicionais dos pais da igreja
“Aqueles que estavam presos às velhas coisas vieram a uma novidade de confiança, não mais guardando o sábado, porém vivendo de acordo com o ‘dia do Senhor’”. (Inácio, 100 A D).
“No dia chamado domingo há uma reunião num certo lugar de todos os que habitam nas cidades ou nos campos, e as memórias dos apóstolos e os escritos dos profetas são lidos” (Justino Mártir 140 A D.).
“Nós guardamos o dia oitavo com alegria, no qual também ressurgiu dos mortos e tendo aparecido ascendeu ao céu” (Barnabé, 120 A D).
“Num dia, o primeiro da semana, nós nos reunimos” (Bardesanes, 180 A D.).
Como vemos pelos testemunhos dos pais da igreja primitiva e diferentemente do que afirma o pastor Bullón (p. 9), a igreja cristã não guardava o sábado, mas o dia glorioso da ressurreição de Jesus.
É como disse o próprio Bullón: Eu acredito que muitos cristãos sinceros acreditam que porque Jesus ressuscitou no domingo, eles têm de guardar o domingo. É uma maneira bonita de homenagear a ressurreição de Cristo, e eu também fico feliz porque Jesus ressuscitou num domingo, mas já pensou se Jesus tivesse morrido e nunca tivesse ressuscitado, o que seria da cristandade? (p. 8)
Exatamente isso, pastor Bullón! O que seria da cristandade se Jesus não tivesse ressuscitado? Paulo responde a essa pergunta dizendo simplesmente que não haveria cristianismo: “E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a vossa fé,... E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados” (1Co 15.14,17). Está aí a importância da ressurreição e devemos então ter presente que os dias são iguais entre si e existem dias mais importantes uns dos que outros, por causa dos fatos que eles registram. Para um cristão é mais importante o dia em que Deus terminou a criação do mundo ou o dia da ressurreição gloriosa de Jesus? A resposta só pode ser uma para um cristão genuíno: o dia da ressurreição de Jesus. Quanto a esse dia, diz o salmista: “Este é o dia que fez o Senhor; regozijemo-nos e alegremo-nos nele”.
Pastor COSTA JÚNIOR – Em primeiro lugar, eu gostaria de dizer uma coisa, que precisa ficar bem clara na nossa mente: ninguém guarda o sábado para salvar-se. Se você acha que tem de guardar o sábado para se salvar, você está perdido (p. 13)
Ou o pastor Costa está perdido ou a Sra. White. Ela declarou que a guarda do sábado é fundamental para a salvação. Textualmente ela escreveu: “Santificar o sábado ao Senhor importa em salvação eterna” (Testemunhos Seletos, vol. III, p. 22 - 2ª edição, 1956).
Um pastor que sai em público fazendo declarações sobre as crenças adventistas porventura ignora esse ensino de Ellen Gould White? Ou o conhece mas quis encobri-lo para dar a idéia que não é bem assim como os opositores declaram dos adventistas: que eles ensinam que a guarda do sábado é fundamental para a salvação?
Mais uma pergunta: “como os benefícios da morte de Cristo, segundo EGW, no livro ‘O Grande Conflito’, podem ser aplicados a nós?”. Ela declara: “...Todos os que verdadeiramente se tenham arrependido do pecado e que pela fé hajam reclamado o sangue de Cristo, como seu sacrifício expiatório, tiveram o perdão aposto ao seu nome, nos livros do Céu; tornando-se eles participantes da justiça de Cristo, e verificando-se estar o seu caráter em harmonia com a lei de Deus, seus pecados serão riscados e eles próprios havidos por dignos da vida eterna” (p. 487).
Logo, os crentes adventistas têm pecados perdoados, mas não cancelados. O cancelamento só se dará se o seu caráter estiver em harmonia com a lei de Deus, para que sejam dignos da vida eterna. Salvação por fé (Rm 5.1) ou salvação por obras? “Ora, àquele que faz qualquer obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida. Mas àquele que não pratica, mas crê naquele que o justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça” (Rm 4.4-5).
Porventura, isso significa que alguém deve ser julgado digno da vida eterna por estar vivendo em harmonia com a lei de Deus? Ainda EGW declara: “Nunca se deve ensinar aos que aceitam o Salvador, conquanto sincera sua conversão, que digam ou sintam que estão salvos. Isto é enganoso” (Parábolas de Jesus, p. 55, citado em 95 Teses, p. 133).
Mandaram-me, pelo correio, um livrete com o título “Qual o verdadeiro dia de repouso?”. De autoria de Williams Costa Jr. e Alejandro Bullón, ambos pastores adventistas, a obra é distribuída pelo curso “Está Escrito”, da referida seita. O texto é composto de perguntas e respostas.
Acredito que esse material me foi enviado por alguém que conhece a minha posição com relação aos ensinos adventistas sobre a guarda do sábado, posição essa exposta ao longo dos anos aqui mesmo em Defesa da Fé, e também em programas de rádios e seminários, entre outros eventos. Tanto é assim que fui até mesmo citado pelos autores no livrete, o que me motivou ainda mais a me pronunciar. Aproveito a oportunidade também para responder, de uma só vez, às cartas e aos telefonemas, que não são poucos, que chegam, por parte dos adventistas, ao ICP. Dessa forma, eles me criticam e instigam a replicar seus argumentos sabatistas ardilosos e polêmicos. Alguns desses argumentos são, de certa forma, infantis, como se vê na página 12 do livro em referência. Vejamos:
– Wiams, você fala inglês, como se diz domingo em inglês? – pergunta Bullón.
– Sunday – responde Costa Júnior.
– E o que quer dizer Sunday? – Bullón novamente.
– O dia do sol. E não é somente em inglês, em alemão também. Eu não falo alemão, mas em algumas línguas o domingo significa o dia do sol – finaliza Costa.
Qualquer criança que estuda inglês sabe que a palavra para sábado nessa língua é saturday. Se perguntarmos a essa mesma criança qual o significado do termo saturday ela responderá “o dia de Saturno”. Quem era Saturno? Um deus pagão, do qual vem o vocábulo saturnais, que indica uma festa realizada com licenciosidade e baixeza moral.
Mas o adventista dá valor apenas ao argumento sobre a palavra sunday, mesmo sabendo que todos os dias da semana eram conhecidos por nomes de deuses ou planetas: o Sol (domingo), a Lua (segunda-feira), Marte (terça-feira), Mercúrio (quarta-feira), Júpiter (quinta-feira), Vênus (sexta-feira) e Saturno (sábado).
Para um líder espiritual de uma igreja que se vangloria por conhecer profundamente a Bíblia (o que não é verdade, pois os adventistas baseiam seus ensinos nas visões e revelações de Ellen Gould White), esse argumento infantil tem validade.
Embora os adventistas queiram ser reconhecidos como evangélicos, na verdade são sabatólatras. São sucessores dos fariseus dos dias de Jesus, que levaram o Mestre à morte por causa de duas acusações. A primeira delas era porque o Salvador não guardava o sábado. A segunda, porque Jesus se declarava Filho de Deus, com natureza igual à de Deus. Isso era caso gravíssimo para os judeus. Imperdoável mesmo! Por isso, pois, os judeus “Ainda mais procuravam matá-lo, porque não só quebrantava o sábado, mas também dizia que deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus”(Jo 5.17-18).
Através de um exame, ainda que superficial, do livro “Qual o verdadeiro dia de repouso?”, percebe-se facilmente que faltou seriedade intelectual aos seus autores. Não é possível que alguém se proponha a defender o sábado como sendo o verdadeiro dia de repouso e, propositadamente, ao citar as Escrituras como prova da sua validade, omita a palavra sábado (no plural, sábados) de Colossenses 2.16. Pois é justamente dessa forma que o senhor Bullón age. Vejamos o diálogo entre ele e o pastor Costa Júnior:
Pastor COSTA JÚNIOR – (referindo-se aos crentes que costumam dizer)... “eu sou cristão, sou seguidor de Jesus e guardo o domingo. E uma das razões pelas quais eu guardo o domingo é porque Jesus foi perfeito. Ele cumpriu a Lei e Ele pregou a Lei na cruz. Pastor Bullón, há necessidade de continuar guardando a Lei, apesar de Jesus ter feito seu sacrifício na cruz?”
Pastor BULLÓN – “Muitos cristãos acham que depois da morte de Cristo já não se deve guardar mais o sábado porque Cristo cravou na cruz os mandamentos de Deus. Em primeiro lugar, não há base bíblica dizendo que Jesus cravou os mandamentos de Deus. Jesus cravou na cruz todas as festas do povo de Israel, que apontavam para a sua vinda, como o sacrifício do cordeiro e a circuncisão. Muitas das festas, cerimônias e leis cerimoniais do povo de Israel tinham como objetivo anunciar que Jesus viria para morrer na cruz do Calvário pelos nossos pecados. Agora, uma vez que Jesus veio, para que sair sacrificando cordeirinhos se o Cordeiro de Deus já fora sacrificado? A circuncisão, as festas, as luas novas, as festas religiosas de Israel, tudo isto chegou ao fim porque, isto sim, Jesus cravou na cruz do Calvário” (p. 4).
Todos sabemos que a honestidade é fundamental quando se trata de refutar doutrinas bíblicas. Pergunto: por que foi omitida propositadamente a palavra “sábados” de Colossenses 2.16? Vimos que os autores falaram das festas, das luas novas, mas omitiram a palavra “sábados”. Por que fizeram isso?
Vejamos o que de fato foi cravado na cruz (o que é reconhecido pelos próprios adventistas): “Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da luz nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo” (Cl 2.16-17). Como podemos ver, à luz da Palavra de Deus, não foram apenas os dias de festas, as luas novas cravados na cruz, mas também os sábados. E devemos saber que esses sábados não são os sábados anuais, porque os chamados sábados anuais ou cerimoniais são identificados no texto em pauta pela expressão dias de festas.
Razões que indicam que os sábados de Cl 2.16 são semanais
Diante da clareza de Cl 2.16-17, os adventistas do sétimo dia costumam refutar essa posição alegando que a palavra sábados não se refere ao sábado semanal, mas aos cerimoniais ou anuais, conforme mencionados em Lv 23.1-39.
Essa afirmação, no entanto, não é correta, e por três razões:
A - Os sábados anuais ou cerimoniais eram chamados de festas, e eles já estão incluídos na frase dias de festa, em Cl 2.16. Esses dias de festa ou sábados anuais eram designados como tais. A saber:
1 Festa da Páscoa - Lv 23.5,7;
2 Festa dos Asmos - Lv 23.8;
3 Festa de Pentecostes - Lv 23.15-16;
4 Festa das Trombetas - Lv 23.23-25;
5 Festa da Expiação - Lv 23.26,32;
6 Festa dos Tabernáculos - 1º dia de festa;
7 Festa dos Tabernáculos - último dia de festa - Lv 23.34,36.
Em Levíticos 23.37, lemos: “Estas são as solenidades do SENHOR, que apregoareis para santas convocações...”. Na seqüência do texto, mas precisamente no v. 38, os sábados são, propositadamente, excluídos. Vejamos: “Estas ofertas são além dos sábados do Senhor, além dos vossos dons, além de todos os vossos votos, e além de todas as vossas ofertas voluntárias que dareis ao Senhor”.
Assim, os chamados sábados anuais estão incluídos nos dias de festas, o que mostra, distintamente, que os sábados semanais, conforme indicados por Paulo em Cl 2.16, não constam dessa relação: “Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da luz nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo”.
B - A fórmula dias de festa, luas novas e sábados serve para indicar os dias sagrados anuais, mensais e semanais:
1º Exemplo:
– Em Números 28 encontramos os holocaustos para os sábados (semanais), para as luas novas (mensais) e para os dias de festa (anuais) nos seguintes versículos: “... no dia de sábado dois cordeiros de um ano, sem mancha... Holocausto é do sábado em cada semana...” (vv. 9,10). “E as suas libações serão a metade dum him de vinho para um bezerro... este é o holocausto da lua nova de cada mês, segundo os meses do ano” (v. 14). “Porém no mês primeiro, aos catorze dias do mês, é a páscoa do Senhor; e aos quinze dias do mesmo mês haverá festa; sete dias se comerão pães asmos” (vv. 16,17).
2º Exemplo:
– Em 1 Crônicas 23.31, lemos: “E para cada oferecimento dos holocautos do Senhos, nos sábados, nas luas novas e nas solenidades por conta, segundo o seu costume, continuamente”. O significado de cada período: “nos sábados” (cada semana), “nas luas novas” (cada mês) e “nas solenidades” (cada ano).
3º Exemplo:
– Em 2 Crônicas 2.4 está escrito: “Eis que estou para edificar uma casa ao nome do Senhor meu Deus, para lhe consagrar, para queimar perante ele incenso aromático, e para o pão contínuo da proposição, e para os holocaustos da manhã e da tarde, nos sábados e nas luas novas e nas festividades do Senhor nosso Deus...”. O significado de cada período: “da manhã e da tarde” (cada dia), “nos sábados” (cada semana), “nas luas novas” (cada mês) e “nas festividades” (cada ano).
4º Exemplo:
– Em 2 Crônicas 8.13, registra-se: “E isto segundo o dever de cada dia, oferecendo segundo o preceito de Moisés, nos sábados e nas luas novas, e nas solenidades, três vezes no ano”. O significado dos períodos: “nos sábados” (cada semana), “nas luas novas” (cada mês) e “nas solenidades” (cada ano).
5º Exemplo:
– Em 2 Crônicas 31.3, lemos o seguinte: “Também estabeleceu a parte da fazenda do rei para os holocaustos, para os holocaustos da manhã e da tarde, e para os holocaustos dos sábados, e das luas novas, e das solenidades, como está escrito na lei do Senhor”. O significado dos períodos: “da manhã e da tarde” (cada dia), “nos sábados” (cada semana), “nas luas novas” (cada mês) e “das solenidades” (cada ano).
6º Exemplo:
– Em Ezequiel 45.17, lemos: “E estarão a cargo do príncipe os holocaustos, e as ofertas de manjares, e as libações nas festas e nas luas novas, e nos sábados, em todas as solenidades da casa de Israel”. Significado dos períodos: “nas festas” (cada ano), “nas luas novas” (cada mês) e “nos sábados” (cada semana).
7º Exemplo:
– Em Oséias 2.11 está escrito: “E farei cessar todo o seu gozo, a suas festas, as suas luas novas, e os seus sábados, e todas as suas festividades. E, finalmente, temos Cl 2.16-17: “Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da luz nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo”. O significado dos períodos desses dois textos é o mesmo dos anteriores.
C- As palavras sábado, sábados e dia de sábado (no singular ou no plural) ocorrem sessenta vezes no Novo Testamento. Mas os adventistas do sétimo dia reconhecem que apenas 59 dos casos se referem ao sábado semanal. Negam justamente o texto de Cl 2.16. Dizem eles: “Os termos sábado, sábados e dia de sábado ocorrem sessenta vezes no Novo Testamento e em cada caso, exceto um, refere-se ao sétimo dia. Colossenses 2.16,17 faz referência aos sábados anuais relacionados com as três festas anuais observadas por Israel antes do primeiro advento de Cristo” (Estudos bíblicos, p. 378, CPB).
Se perguntarmos aos adventistas qual o sentido da palavra sábados em qualquer passagem do Novo Testamento em que ela aparece, a resposta será sempre a mesma: sábado semanal. A única exceção é Colossenses 2.16. Por quê? Porque teriam de reconhecer a procedência da nossa declaração de que, segundo essa referência bíblica, o sábado semanal deixou de ser uma obrigação para os cristãos.
Repetindo: se dermos à palavra sábados, em Cl 2.16, o sentido semanal teremos em favor da nossa interpretação 59 referências reconhecidas por eles. Mas, ao darem à palavra sábados, em Cl 2.16, o sentido de sábados anuais ou cerimoniais, eles não têm nenhuma referência que apoie sua interpretação. Por isso argumentam dessa forma. Caso contrário, teriam de reconhecer que o sábado foi abolido na cruz: “Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê” (Rm 10.4).
“Meus sábados e seus sábados”
Os adventistas do sétimo dia dizem que a expressão meus sábados indica a distinção entre os sábados semanais e os sábados cerimoniais. Mas isso não é bíblico. As duas expressões são utilizadas para indicar os mesmos sábados - os semanais. São de Deus - meus sábados - porque foram dados por Ele. E são dos judeus - seus sábados - porque foram dados para eles.
Vejamos a aplicação dos pronomes meus e seus na Bíblia:
A - O Templo - Is 56.7 comparado com Mt 23.38 (minha casa, vossa casa);
B - O mesmo Deus indicado por meu Deus e vosso Deus - Jo 20.17
C - Os mesmos sacrifícios e holocaustos são chamados de meus e vossos em Nm 28.2. Comparar com Dt 12.6.
Resposta às outras citações bíblicas
Pastor COSTA JÚNIOR – Pastor, qual é o fundamento bíblico, que nós temos, para o verdadeiro dia de guarda? Qual o verdadeiro dia de repouso?
Pastor BULLÓN – Teríamos de ir, para esta resposta, ao início da criação deste mundo. No capítulo 2 do livro de Gênesis, versículos de 1 a 3, diz assim: “Assim, pois, foram acabados os céus e a terra e todo o seu exército. E, havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera”.
Se o sábado semanal deve ser o dia de repouso, por que então Deus trabalhou nele? O texto é claro: “E, havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que tinha feito”. Deus não terminou sua obra da criação no sexto dia e descansou no sétimo. Ele trabalhou no sétimo dia, e descansou no mesmo dia em que concluiu a obra da criação.
Ora, se se invoca o descanso de Deus para impingir-se a guarda desse dia como sendo o dia de repouso, como admitir que Deus trabalhou justamente nesse dia? E se Ele trabalhou para concluir a obra da criação, então não é pecado trabalhar nesse dia seguindo o exemplo de Deus! O senhor Bullón declara: “Você sabe que Deus não se cansa, nem se fadiga. Portanto, se Ele descansou no sábado não era porque estava cansado”. Seguindo esse raciocínio de Bullón, o registro bíblico merece correção, porque está declarando algo que não é verdade.
Devemos ver uma coisa, se o senhor Bullón queria apenas indicar com isso que o sétimo dia deveria ser de descanso universal, surge então uma pergunta: “Todos os homens da terra têm o dia sétimo, ao mesmo tempo, como dia de repouso, inclusive o próprio Deus? Diz a Bíblia que o sábado deveria ser guardado a partir do pôr-do-sol de sexta-feira até o pôr-do-sol do sábado (Lv 23.32). Logo, os habitantes da terra teriam de guardar o mesmo período. Mas, quando são 6 horas da manhã de sábado aqui no Brasil, no Japão são 6 horas da tarde. E isto significa que, quando os guardadores do sábado aqui se levantam para guardá-lo, os seus irmãos japoneses o acabaram de guardar. E quando os brasileiros começarem a guardar o sábado, seus irmãos na Califórnia, USA, trabalharão ainda durante cinco horas antes de começarem a guardá-lo. Qual dos grupos de guardadores do sábado estarão realmente observando o período de tempo que Deus descansou ao concluir a obra da criação?
Os adventistas guardam realmente o sábado?
Dentro das exigências da lei estava a proibição de acender fogo no dia de sábado: “Não acendereis fogo em nenhuma das vossas moradas no dia do sábado” (Êx 35.3). Isso significa que é proibido acender qualquer tipo de fogo, seja um fósforo ou um fogão a gás. Implica também na proibição de andar de carro movido a combustão. Os judeus radicados no Brasil, notadamente os de São Paulo, onde se localiza a maioria deles, vão à sinagoga a pé no dia de sábado, e não de carro, respeitando as observâncias com relação a esse dia.
Caro leitor, pergunte ao primeiro adventista que lhe falar sobre a obrigatoriedade da guarda do sábado se ele acende fogo nesse dia? Observe como ele titubeia e não sabe como responder! Falta-lhe coragem para admitir que sim. Paulo declarou: “Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las. E é evidente que pela lei ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá da fé” (Gl 3.10-11). Assim, os adventistas estão sob a maldição da própria lei que pretendem guardar. Pior, agem como os fariseus, que punham fardos pesados sobre os ombros do povo e eles mesmos não tocavam nem com a mão. Mas Jesus os denunciou: “Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; eles, porém, nem com o dedo querem movê-los” (Mt 23.4). O mesmo disse Pedro: “Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo quem nem nossos pais nem nós pudemos suportar? Mas cremos que seremos salvos pela graça do Senhor Jesus Cristo, como eles também” (At 15.10,11). E Paulo reitera a impossibilidade da guarda da lei, que não era completa apenas com os dez mandamentos.
O que abrangia o livro da lei? Nada menos do que 613 mandamentos, mas os adventistas resolveram criar apenas duas leis. Uma delas denominaram como Lei Moral, os dez mandamentos, e o restante como Lei de Moisés, cancelada na cruz. Fácil, não? Baseados em quê fizeram essa distinção de leis? Tem apoio bíblico? Onde aparecem na Bíblia expressões como Lei Moral e Lei Cerimonial? Por isso confessam: “Seria útil classificarmos as leis do Velho Testamento em várias categorias: 1. Lei moral; 2. Lei Cerimonial; 3. Lei Civil, 4. Estatutos e Juízos; 5. Leis de saúde. Esta classificação é, em parte, artificial” (Lições da Escola Sabatina, Lição n. 2, p. 18, de 8-1-1980).
Pastor BULLÓN – Então, como eu posso saber, pela Bíblia, que depois da morte de Cristo, os seus discípulos ainda continuaram guardando o sábado? Muito simples: em S. Lucas, capítulo 23, a partir do versículo 50, está relatado como José de Arimatéia foi reclamar o corpo de Cristo. Cristo já estava morto. Dentre as pessoas havia algumas mulheres. “Era o dia da preparação, e começava o sábado. As mulheres que tinham vindo da Galiléia com Jesus, seguindo, viram o túmulo e como o corpo fora ali depositado. Então, se retiraram para preparar aromas e bálsamos. E, no sábado, descansaram, segundo o mandamentos” (Lc 23.54-56). Ou seja, Jesus já havia morrido, e no sábado, o primeiro sábado após a morte de Cristo, as mulheres ainda continuaram guardando o mandamento do sábado.
Ora, se os próprios sabatistas reconhecem que o nosso argumento para a guarda do primeiro dia da semana, como dia do Senhor (Ap 1.10), é decorrente da ressurreição de Jesus, ocorrida no primeiro dia da semana (Lc 24.1-3), e o texto de Lc 23.54-55 se refere ao descanso das mulheres no sábado antes da ressurreição, que valor tem o exemplo dessas piedosas mulheres judias para nós, cristãos?
Pastor BULLÓN – A Bíblia está cheia de referências de que Jesus guardou o sábado quando viveu nesta terra. E quem quer ser cristão, quer seguir a Jesus. Porque cristão é aquele que faz o que Jesus fez.
Jesus guardou o sábado porque era judeu e nasceu sob a lei (Gl 4.4), portanto obedeceu todas as leis do Antigo Concerto. Como exemplo de cidadão judeu, Ele foi circuncidado, ordenou a entrega de oferendas ao sacerdote pela purificação, guardou a festa da Páscoa, etc (Lc 2.21-24; 5.12-14; Mt 26.18,19). Mas, quando morreu, Ele inaugurou uma nova aliança e revogou a velha (Jo 19.30; Mt 27.51). “Mas, antes que a fé viesse estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar. De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados. Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo do aio” (Gl 3. 23-25).
Se o fato de Jesus ter guardado a Páscoa não prova que também devemos guardá-la, ou se o fato de Ele ter-se circuncidado não recomenda que também devemos nos circuncidar, do mesmo modo não devemos também guardar o sábado por que Ele o guardou.
A natureza dos mandamentos de Jesus
A que Jesus se referia quando falava de seus mandamentos? Os adventistas associam a palavra ‘mandamentos’ no Novo Testamento aos dez mandamentos. Mas esse modo de pensar não é correto. Jesus foi bem específico quando falou de seus mandamentos.
Vejamos a que Jesus se referia quando falava de mandamentos:
- “Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis” (Jo 13.34);
- “O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei” ( Jo 15.12);
- “O seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo seu mandamento” (1Jo 3.23);
- “E dele temos este mandamento: que quem ama a Deus, ame também seu irmão” (1Jo 4.21);
- “E agora, senhora, rogo-te, não como escrevendo-te um novo mandamento, mas aquele mesmo que desde o princípio tivemos: que nos amemos uns aos outros” (2Jo 5).
O leitor pode perceber que em nenhum dos textos acima se fala na guarda do sábado.
O Novo Testamento não repete os dez mandamentos
Não há dúvida de que o Novo Testamento cita mandamentos do Velho Testamento. Fala de toda a Lei de Moisés, mas não repete o quarto mandamento em nenhum lugar. Façamos uma comparação dos dez mandamentos dentro do Novo Testamento:
VELHO TESTAMENTO
1º mandamento - Êx 20.2,3
2º mandamento - Êx 20.4-6
3º mandamento - Êx 20.7
4º mandamento - Êx 20.8-11
5º mandamento - Êx 20.12
6º mandamento - Êx 20.13
7º mandamento - Êx 20.14
8º mandamento - Êx 20.15
9º mandamento - Êx 20.16
10º mandamento - Êx 20.17
NOVO TESTAMENTO
1º At 14.15
2º 1Jo 5.21
3º Tg 5.12
4º Não existe
5º Ef 6.1-3
6º Rm 13.9
7º 1Co 6.9,10
8º Ef 4.28
9º Cl 3.9
10º Ef 5.3
Pastor BULLÓN – Mesmo São Paulo, que não foi discípulo de Jesus, pois São Paulo se converteu depois, ou seja, já se havia passado anos e São Paulo disse que quando chegou a Corinto foi, aos sábados, à sinagoga: “E todos os sábados discorria na sinagoga, persuadindo tanto judeus como gregos... O texto bíblico diz: “Todos os sábados discorria na sinagoga, persuadindo tanto judeus como gregos”. (A citação correta é Atos 18.4, e não Lucas 18.4, como indicado no livrete). E os gregos não guardavam o sábado, portanto Paulo não ia por causa dos judeus, ele ia porque reconhecia que o sábado era o dia do Senhor.
O sábado era o dia quando pessoas se juntavam na sinagoga para adoração dentro do culto judaico. A maioria dos participantes era judeu. Os gregos compareciam em menor número. Paulo aproveitou essas oportunidades para ensinar que Jesus era o Cristo prometido nas Escrituras do Velho Testamento, procurando ganhar aquelas pessoas para Jesus Cristo. E fez de tudo para conseguir seu objetivo: “Fiz-me como judeu para com os judeus, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se estivesse debaixo da lei, para ganhar os que estão debaixo da lei. Para os que estão sem lei, como se estivesse sem lei (Não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo), para ganhar os que estão sem lei Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns. E eu faço isto por causa do evangelho, para ser também participante dele” (1Co 9.19-23).
Foi dessa forma que circuncidou Timóteo (At 16.3) e declarou que a circuncisão nada vale (Gl 5.2; 6.15); observou o Pentecostes (At 20.16); tosquiou a cabeça (At 18.18); e fez ofertas segundo a lei (At 21.20-26). Sua explicação para a observância de todas essas práticas judaicas está no desejo que tinha de ganhar os judeus e os gregos para Cristo. Será que os adventistas circuncidam pessoas como Paulo o fazia? Observam o Pentecostes? Tosquiam suas cabeças? Fazem ofertas segundo a lei? Que parcialidade dos adventistas: só se lembram do sábado! É muito sectarismo da parte deles!
Outra declaração absurda é a que diz que Paulo “não ia por causa dos judeus, ele ia porque reconhecia que o sábado era o dia do Senhor”. Interessante! Paulo escreveu treze cartas, e se considerarmos Hebreus como sendo de sua autoria, teremos quatorze. Será que Paulo se esqueceu de dizer isso em suas epístolas: que o sábado era o dia do Senhor? Quanto à observância do sábado, Paulo declarou: “Guardais dias (sábados) e meses, (luas novas), e tempos, e anos (festas anuais). Receio de vós que não haja trabalho em vão para convosco” (Gl 4.10-11). A preocupação de Paulo era com o fato de os gálatas estarem se voltando para o judaísmo.
Pastor COSTA JÚNIOR – Existe um fundamento bíblico para nós guardarmos outro dia que não o sábado, seja qual for a razão?
Pastor BULLÓN –Existe aqui uma declaração, que eu vou ler, no livro de Hebreus, capítulo 4, versículos 4,5 e 9, que diz assim: “Porque, em certo lugar, assim disse, no tocante ao sétimo dia: E descansou Deus, no sétimo dia, de todas as obras que fizera. E novamente, no mesmo lugar: Não entrarão no meu descanso... Portanto, resta um repouso para o povo de Deus”. Isto quer dizer que, para a Igreja de Deus dos nossos dias, continua um dia de repouso (p. 7).
É evidente que o repouso de que se trata aqui nada tem a ver com o repouso do sétimo dia indicado no quarto mandamento, senão o repouso de uma de fé em Deus. A idéia central do texto é:
A - Deus repousou depois de haver criado o mundo;
B - Os profetas falaram de antemão de um outro dia (Sl118.24), em vez do sétimo, para comemorar o repouso maior que se seguiria a uma obra maior do que a criação;
C - A este repouso maior, Josué nunca pode guiar o seu povo;
D - Jesus, havendo terminado sua obra de redenção na cruz (Jo 19.30), repousou Ele mesmo no primeiro dia da semana (Mc 16.9), como Deus havia repousado da sua;
E - Na cruz foi abolido o sábado (Os 2.11 comparado com Cl 2.14-17);
F - Portanto, em comemoração ao glorioso repouso que se seguiu a uma obra maior de redenção, resta guardar um descanso para o povo de Deus. Esse descanso encontramos em Jesus (Mt 11.28-30);
G - Foi necessário esse argumento para mostrar ao judeu, que se gloriava no seu sábado, que o cristão tem um descanso melhor e superior ao sábado (Ap 1.10, Sl 118.22-24).
Pastor BULLÓN – Porém, na História, descobrimos que houve um imperador romano, chamado Constantino, que no ano 331 DC definitivamente tornou-se cristão, mas com uma condição: “Ele disse: eu vou me tornar cristão, mas junto comigo, eu quero trazer muitas coisas nas quais acredito. E ele guardava o domingo e, oficialmente, a partir do ano 331 passou-se a guardar o domingo como dia santo. Mas, este é um legado que vem do paganismo, de Constantino (p. 10).
Se tal absurdo fosse escrito por um adventista leigo, não teríamos dificuldades em entender a sua falta de conhecimento histórico relativo ao imperador Constantino. Mas não dá para entender uma pessoa que se intitula escritor e líder de uma igreja que se vangloria de conhecer a Bíblia jogar, através de um curso bíblico, esse absurdo na mente do povo, mediante emissoras de rádio e TV, e ainda se dá ao luxo de publicá-la em livrete e espalhá-la por todo o Brasil. Essa é uma atitude suspeita e vergonhosa. Quando foi que o imperador Constantino condicionou sua adesão ao cristianismo à exigência de trazer para o “arraial cristão” aquilo que pertencia ao paganismo? Em que parte da história isso é mencionado? Se o paganismo já guardava o domingo - como afirma o pastor Bullón - por que então o decreto de Constantino em 331 DC feito nesse sentido?
Os adventistas raciocinam do mesmo modo que as testemunhas de Jeová fazem em relação à deidade absoluta de Jesus. As testemunhas de Jeová ensinam, em seus livros, que a Doutrina da Trindade foi firmada no Concílio de Nicéia, em 325 DC, presidido por Constantino. Se o senhor Bullón admite que a instituição do primeiro dia da semana como dia do Senhor em memória da ressurreição de Cristo é de origem pagã porque Constantino decretou esse dia de guarda ao se tornar cristão, os adventistas deveriam, na verdade, ser chamados de pagãos por adotarem a doutrina da Trindade em cujo Concílio foi instituída essa doutrina? Os adventistas concordam com as testemunhas de Jeová que nos acusam de paganismo por crermos na deidade de Jesus e na doutrina da Trindade?
A instituição do primeiro dia da semana como dia do senhor
No Salmo 118:22-24, lemos: “A pedra que os edificadores rejeitaram tornou-se cabeça de esquina. Da parte do Senhor se fez isto: maravilhoso é aos nossos olhos. Este é o dia que fez o Senhor; regozijemo-nos, e alegremo-nos nele”. Essa passagem foi aplicada por Jesus a si mesmo em Mt 21.42: “Disse-lhes Jesus: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra, que os edificadores rejeitaram, essa foi posta por cabeça do ângulo; pelo Senhor foi feito isto, e é maravilhoso aos nossos olhos?”.
Não é algo difícil darmos a interpretação correta dessa referência bíblica. A pedra rejeitada é Jesus Cristo (At 4.11,12). Ele iniciou seu ministério reivindicando ser Filho de Deus, igual a Deus (Jo 10.30-33). E, ao ser acusado de quebrar o sábado (Jo 5.16-18), foi rejeitado e crucificado (Jo 19.1-7). Isto se deu numa sexta-feira (Mc 15.42-47). Mas a morte não pôde retê-lo e, ao terceiro dia, ressurgiu dentre os mortos. Esse fato aconteceu no primeiro dia da semana: “E Jesus, tendo ressuscitado na manhã do primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demônios” (Mc 16.9). Outras referências são: Jo 20.1,19,20; Mt 28.18.
Diz a Bíblia sobre o dia da ressurreição de Jesus: “Este é o dia que fez o Senhor; regozijemo-nos e alegremo-nos nele”. Ao levantar seu Filho dentre os mortos, fez Deus essa coisa maravilhosa. E essa “coisa maravilhosa” se deu no primeiro dia da semana.
A expressão ‘dia do senhor’ de Apocalipse 1.10
O significado da expressão ‘dia do Senhor’ de Ap 1.10 é encontrada em algumas traduções da Bíblia, como segue:
“Eu fui arrebatado em espírito num dia de domingo...” (Tradução de Antônio Pereira de Figueiredo)
“Num domingo, caindo em êxtase, ouvi atrás de mim uma voz...” (Edições Paulinas)
“Um dia de domingo, fui arrebatado em espírito” (tradução de Mattos Soares)
“No dia do Senhor: no domingo” (anotação no rodapé da TLH)
Dizem os líderes da Igreja Adventista do Sétimo Dia, o Remanescente, no seu livro “Sonhos e visões de Jeanine Sautron”, pp. 384/85, que “Samuel Bacchiocchi (líder adventista) realiza seminários no ‘Dia do Senhor” referindo-se ao Domingo. Em seu livro FROM SABBATH TO SUNDAY (Do Sábado Para o Domingo) o ‘dia do Senhor’ é mencionado como sendo o domingo 51 vezes somente nas primeiras 160 páginas do livro.
Provas adicionais dos pais da igreja
“Aqueles que estavam presos às velhas coisas vieram a uma novidade de confiança, não mais guardando o sábado, porém vivendo de acordo com o ‘dia do Senhor’”. (Inácio, 100 A D).
“No dia chamado domingo há uma reunião num certo lugar de todos os que habitam nas cidades ou nos campos, e as memórias dos apóstolos e os escritos dos profetas são lidos” (Justino Mártir 140 A D.).
“Nós guardamos o dia oitavo com alegria, no qual também ressurgiu dos mortos e tendo aparecido ascendeu ao céu” (Barnabé, 120 A D).
“Num dia, o primeiro da semana, nós nos reunimos” (Bardesanes, 180 A D.).
Como vemos pelos testemunhos dos pais da igreja primitiva e diferentemente do que afirma o pastor Bullón (p. 9), a igreja cristã não guardava o sábado, mas o dia glorioso da ressurreição de Jesus.
É como disse o próprio Bullón: Eu acredito que muitos cristãos sinceros acreditam que porque Jesus ressuscitou no domingo, eles têm de guardar o domingo. É uma maneira bonita de homenagear a ressurreição de Cristo, e eu também fico feliz porque Jesus ressuscitou num domingo, mas já pensou se Jesus tivesse morrido e nunca tivesse ressuscitado, o que seria da cristandade? (p. 8)
Exatamente isso, pastor Bullón! O que seria da cristandade se Jesus não tivesse ressuscitado? Paulo responde a essa pergunta dizendo simplesmente que não haveria cristianismo: “E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a vossa fé,... E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados” (1Co 15.14,17). Está aí a importância da ressurreição e devemos então ter presente que os dias são iguais entre si e existem dias mais importantes uns dos que outros, por causa dos fatos que eles registram. Para um cristão é mais importante o dia em que Deus terminou a criação do mundo ou o dia da ressurreição gloriosa de Jesus? A resposta só pode ser uma para um cristão genuíno: o dia da ressurreição de Jesus. Quanto a esse dia, diz o salmista: “Este é o dia que fez o Senhor; regozijemo-nos e alegremo-nos nele”.
Pastor COSTA JÚNIOR – Em primeiro lugar, eu gostaria de dizer uma coisa, que precisa ficar bem clara na nossa mente: ninguém guarda o sábado para salvar-se. Se você acha que tem de guardar o sábado para se salvar, você está perdido (p. 13)
Ou o pastor Costa está perdido ou a Sra. White. Ela declarou que a guarda do sábado é fundamental para a salvação. Textualmente ela escreveu: “Santificar o sábado ao Senhor importa em salvação eterna” (Testemunhos Seletos, vol. III, p. 22 - 2ª edição, 1956).
Um pastor que sai em público fazendo declarações sobre as crenças adventistas porventura ignora esse ensino de Ellen Gould White? Ou o conhece mas quis encobri-lo para dar a idéia que não é bem assim como os opositores declaram dos adventistas: que eles ensinam que a guarda do sábado é fundamental para a salvação?
Mais uma pergunta: “como os benefícios da morte de Cristo, segundo EGW, no livro ‘O Grande Conflito’, podem ser aplicados a nós?”. Ela declara: “...Todos os que verdadeiramente se tenham arrependido do pecado e que pela fé hajam reclamado o sangue de Cristo, como seu sacrifício expiatório, tiveram o perdão aposto ao seu nome, nos livros do Céu; tornando-se eles participantes da justiça de Cristo, e verificando-se estar o seu caráter em harmonia com a lei de Deus, seus pecados serão riscados e eles próprios havidos por dignos da vida eterna” (p. 487).
Logo, os crentes adventistas têm pecados perdoados, mas não cancelados. O cancelamento só se dará se o seu caráter estiver em harmonia com a lei de Deus, para que sejam dignos da vida eterna. Salvação por fé (Rm 5.1) ou salvação por obras? “Ora, àquele que faz qualquer obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida. Mas àquele que não pratica, mas crê naquele que o justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça” (Rm 4.4-5).
Porventura, isso significa que alguém deve ser julgado digno da vida eterna por estar vivendo em harmonia com a lei de Deus? Ainda EGW declara: “Nunca se deve ensinar aos que aceitam o Salvador, conquanto sincera sua conversão, que digam ou sintam que estão salvos. Isto é enganoso” (Parábolas de Jesus, p. 55, citado em 95 Teses, p. 133).
sábado, 21 de novembro de 2009
A BÍBLIA DIVIDE A LEI EM MORAL E CERIMONIAL?
Os adventistas alegam que a lei se divide em duas: moral e cerimonial. Fazem isto para salvar a guarda do sábado que dizem fazer parte dos mandamentos morais. Tais pessoas usam de todos os meios para conseguirem impor suas idéias, até mesmo citar autoridades protestantes fora do contexto. Mas vejamos se a Lei está dividida em duas, uma moral (os Dez Mandamentos) e a outra cerimonial (o livro da Lei). A primeira, dizem, "não foi cravada na cruz", enquanto a segunda confessam, "foi totalmente abrogada".
A divisão que fazem é a seguinte, conforme consta no livro "Estudos Bíblicos".
LEI MORAL
Foi proferida por Deus
Foi escrita pelo dedo Deus em tábuas de pedra
Foi colocada dentro da arca
Deverá permanecer firme para sempre
Não foi destruída por Cristo
Devia ser engrandecida por Cristo
LEI CERIMONIAL
Foi ditada por Moisés
Foi escrita por Moisés num livro
Nenhuma coisa aperfeiçoou
Foi posta ao lado da arca
Foi cravada na cruz
Foi ab-rogada por Cristo
Foi tirada por Cristo
É bom saber que esta divisão não se encontra em nenhum lugar na Bíblia, verdade é que muitos teólogos protestantes fazem por mera conveniência a distinção entre princípios morais e cerimoniais, mas não que exista duas leis opostas como aparece na teologia adventista. Isso é tão verdade que os próprios adventistas precisou admitir que esta divisão é artificial, observe o que eles mesmos dizem:
"Seria útil classificarmos as leis do Velho Testamento em várias categorias: 1) Moral; 2) Cerimonial; 3) Civil; 4) Estatutos e juízos; 5) Leis de Saúde. Esta classificação é em parte artificial." (Lição da escola Sabatina, p.18 de 08/01/1980).
O fato, e isto é incontestável, é que os judeus nunca dividiram a lei como fazem os adventistas.
A LEI PARA O JUDEU
A lei para o judeu era considerada "Una". Não há de se supor que dentro da teologia judaica havia separação entre lei moral e cerimonial. A única diferença que faziam era quanto "a lei escrita" (Torah) e "a lei oral" (Halakoth) e mesmo assim essa nuança era muito tímida. Até mesmo Flávio "Josefo parece estar bem próximo da concepção rabínica da Tora total: como a lei escrita, a Tradição também vem de Moises e, portanto de Deus" (Flavio Josefo Uma Testemunha do Tempo dos Apóstolos pág. 38, Contra Apião II). Veja que até mesmo a "Tradição" na concepção judaica, era considerada como parte da lei dada por Deus quanto mais as leis do livro.
Diz certa obra que, "O Talmude, a propósito de um ponto em discussão, lembra: 'A lei mandava recitar todos os dias os dez mandamentos. Por que não os recitam mais, hoje? Por causa das malediscências dos minim; para que estes não possam dizer: 'Estes somente foram dados a Moisés, no Sinal' (Talmud Jer. Berakot 1 ,3c).Segundo estes minim (os "dissidentes": talvez os judeu-helenistas ou os judeu-cristãos, ou ainda uma seita gnóstica?), Deus só pronunciou os dez mandamentos (Dt 5,22); as outras leis são atribuídas a Moisés. A recitação diária do decálogo, na oração comunitária, favorecia indiretamente esta idéia de que provocava certo desprezo pelas outras leis. A fim de evitar este mal-estar,o judaísmo ortodoxo - talvez nos círculos de Iabne, no fim do século 1 d.C. -suprimiu do serviço sinagogal cotidiano a recitação do decálogo." (O Decálogo- F.G.Lopez)
Veja que este incidente é mais uma confirmação de que os próprios judeus não admitiam que apenas parte da lei fosse dada por Deus e o resto por Moisés como querem fazer acreditar, com muita dificuldade, os adventistas.
Demais disso, o NT não fala em nenhum lugar quais partes da lei eram consideradas rituais e quais eram morais. Quando o moço judeu indagou, "Mestre, qual é o grande mandamento na lei?" (Mateus 22.36), Jesus não perguntou, QUAL LEI? A moral ou a cerimonial? Isso mostra que para o judeu a lei era uma só, não duas. A Bíblia também não diz que a lei dada "por meio de Moisés..." era a cerimonial, não há esta suposta distinção entre moral e cerimonial (João 1.17).
Os adventistas sabem muito bem disso, pois chegaram a confessar o seguinte:
"Note que 'A Lei de Moisés'(Atos 15.5 nas Escrituras, refere-se a todas as leis dadas por meio de Moisés - cerimonial, moral e civil.... A Lei de Moisés (Hb 10.28) incluía os dez mandamentos. (Revista da Escola Sabatina, abril-junho 1990, p. 11-CPB)
O Concílio de Jerusalém tratou da lei como um corpo completo e não apenas parte dela. Maimônides, teólogo judeu-espanhol do século XII, resumiu a fé judaica em 13 artigos, que foram incorporados aos livros de oração, um deles diz respeito à lei:
"(8) Creio firmemente que a Lei que possuímos agora é a mesma que foi dada a Moisés; (9) Creio firmemente que essa Lei não será modificada, e que não haverá outra Lei (ou dispensa dela) dada pelo Criador, abençoado Seu Nome" (Encyclopedia Britannica ).
O grande problema com que se deparam os ASD, quando pretendem guardar a lei de Deus, é que a lei não implica só em guardar os dez mandamentos. A lei é um todo e abrange os cinco livros de Moisés ou o Pentateuco com 613 mandamentos, como lemos em Gl 3.10, "Todos aqueles, pois que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque escrito está: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las".O texto em apreço não afirma que é maldito quem não guardar os dez mandamentos, mas que é maldito quem não guardar tudo o que está escrito no livro da lei. Isso se tornou uma impossibilidade, E é evidente que, pela lei, ninguém é justificado diante de Deus... (Gl 3.11). Dada a impossibilidade de se guardar todos os 613 mandamentos, a Bíblia declara que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo e que depois que a fé veio já não estamos mais debaixo do aio (ou da lei). Mas, antes que viesse a fé, estávamos sob a tutela da lei e nela encerrados, para essa fé que, de futuro, haveria de revelar-se. De maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados pela fé. Mas, tendo vindo à fé, já não permanecemos subordinados ao aio."(Gl 3.23-25).
Repedimos: dada essa impossibilidade de guardarem os 613 mandamentos, contidos no Pentateuco (os cinco livros da Lei), dividiram os ASD a lei de Deus em duas leis: Lei Moral e Lei Cerimonial. Ensinam que uma parte da lei foi abolida na cruz - a Lei Cerimonial. Mas, a outra parte da Lei, a Lei Moral, restrita aos dez mandamentos, essa está em vigor.
A expressão "Foi cravada na cruz" é tirada de Cl 2.14-17 e no v. 16 está explícito, e sem contestação, que se incluía nessa lei cravada na cruz o sábado semanal. Com isso os próprios adventistas reconhecem que o sábado semanal foi cravado na cruz.
Ora se a Lei de Moisés refere-se a todas as leis dadas por Moisés incluindo os 10 mandamentos como sustentar biblicamente essa divisão da mesma lei em Lei Moral e Lei Cerimonial como se fossem duas leis distintas?
A expressão Lei de Deus e Lei de Moisés é expressões sinônimas e não se trata de Leis distintas como afirmam os Adventistas do Sétimo Dia. Em Is 33.2 se lê de 'um só Legislador "e assim tanto os dez mandamentos como os livros de Moisés foram dados por um só Legislador - Deus, por meio de Moisés. É' de Deus pois foi dado por Ele e é de Moisés porque foi dada por intermédio de Moisés".
Certa autoridade teológica no assunto corrobora com o exposto acima dizendo:
"Deve-se observar, por igual modo, que apesar de haver, em certas mentes modernas, tremenda diferença entre as "leis morais" e as leis cerimoniais, isto é, respectivamente, entre os dez mandamentos e os preceitos rituais dos judeus, contudo tal distinção jamais fez parte da mentalidade judaica, não podendo ser encontrada nenhuma declaração bíblica nesse sentido. Muitos judeus consideravam serem mandamentos importantíssimos, não menos importantes que os dez mandamentos das tábuas da lei, certas observâncias que consideraríamos triviais, como a lavagem de roupas, mãos pratos, etc. Portanto, a distinção feita por alguns modernos , os quais afirmam que a "lei cerimonial" foi ab-rogada, mas que a "lei moral" não o foi, é uma pretensão inteiramente destituída de provas bíblicas. Pois, nesse caso, é tão fácil eliminar o sábado como é fácil eliminar a lavagem de mãos, pratos, etc...,com base no ponto de vista da suposta eternidade das leis outorgadas ao antigo povo de Israel. (Enciclopédia de Bíblia, teologia e filosofia, pág. 7 vl. 6 R.N Champlin, Ph.D. J.M Bentes ed. Candeia - 4 edição)
O EMPREGO DA PALAVRA LEI NAS ESCRITURAS
A palavra "Lei" aparece 220 vezes só no VT este substantivo geralmente se refere a Tora e denota "lei, direção, instrução". Ao todo aparece mais de 400 vezes na Bíblia. Nenhuma dessas vezes em que a aparece o termo lei vem especificado ou dividido entre duas leis opostas.
1. Basta ler Ne 8.1,3, 8, 14,18 onde a mesma Lei é chamada de Lei de Deus e Lei de Moisés, indistintamente.
(Ne 8.1)...e disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da lei de Moisés
(v. 3) "... todo o povo estavam atentos ao livro da lei."(v. 8) "E leram no livro, na lei de Deus...".(v.14) "E acharam escrito na lei que o SENHOR ordenara, pelo ministério de Moisés
2. Em Gl 3.10 lemos: "Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei para fazê-las".Esse texto é uma citação de Dt 27.26. Lendo esse capítulo a partir do v. 15 vamos encontrar preceitos morais dentro da lei cerimonial assim denominada pelos adventistas:
"Maldito o homem que fizer imagem de escultura, ou de fundição, abominação ao Senhor, obra da mão do artífice, e a puser em um lugar escondido. E todo o povo responderá, e dirá: Amem".(v. 15)
Seria este um preceito cerimonial por ter sido escrito por Moisés, num livro que foi posto ao lado da arca e não dentro da arca?
3. Lendo Mc 7.10 que declara: "Porque Moisés disse: Honra a teu pai e a tua mãe" Esse mandamento está incluído nos dez mandamentos, pois é citado em Ex 20.12. Um preceito cerimonial considerando que foi Moisés que o disse, mas que faz parte da lei moral dos adventistas, pois se trata do 5º mandamento do decálogo;
4. Lendo Jo 7.19 que declara: "Não vos deu Moisés a lei? E nenhum de vós observa a lei. Por que procurais matar-me?" Onde a lei proíbe matar? Encontramos esse mandamento dentro dos dez mandamentos - o sexto mandamento em Ex 20.13. Como foi Moisés que disse, deveria tratar-se de um preceito cerimonial. Entretanto, está dentro da lei moral dos adventistas.
5. Jesus ensinou em Mt 22.37-39 que os dois maiores mandamentos são: amar a Deus e amar ao próximo.
"E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento."(Mt 22.37) Esse mandamento é encontrado em Dt 6.5, como se lê: "Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças".
E o segundo, semelhante a este, é: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo. (Mt 22.39) Este mandamento se encontra em. Levíticos 19.18,:" Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo: mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor".
Ambos fazem parte do livro da Lei de Moisés colocado ao lado da Arca. "Tomai este livro da lei, e ponde-o ao lado da arca da aliança do SENHOR vosso Deus, para que ali esteja por testemunha contra ti. "(Dt 31.26). Esses dois mandamentos acham-se em Dt 6.5 e Lv 19.18.
(DT 6:5) "Amarás, pois, o SENHOR teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças."
(LV 19:18) "Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o SENHOR."
UM SÔFREGO ARGUMENTO
Os adventistas quando vão provar a suposta divisão da lei, não tendo base bíblica, vão se socorrer com escritos de autores protestantes. Quando acuado pelos evangélicos de que essa divisão é falha, se defendem dizendo que foram os homens de Deus quem primeiro usou tal divisão então passam a citar nomes ilustres do universo protestante.
Queremos deixar claro que apesar desses teólogos terem dado uma grande contribuição à formulação da teologia evangélica, e nisto não lhes tiramos os méritos, no entanto, é bom ressaltar que eles eram seres humanos sujeitos ao erro. A Base de nossa fé é a Bíblia Sagrada, só nos servimos de escritos de outros quando estes concordam com a Bíblia.
O árbitro da fé e prática da Igreja não pode estar baseada nas Confissões de Fé ou escritos de teólogos, essa função é desempenhada unicamente pela Bíblia. Este foi o principal ensinamento da Reforma Protestante a "sola scriptura".
Por exemplo, muitos adventistas nos acusam de estar indo de encontro ao que os reformadores e seus seguidores ensinaram quanto á divisão da lei em duas. Mas o que muitos não sabem é que essa divisão não é provinda da Reforma.
Os adventistas querem passar a imagem de que os Reformadores foram os que deram iniciou a este conceito de duas leis - uma moral e outra cerimonial. Faz-se aqui necessário esclarecer que o catolicismo já ensinava isto há muito tempo. Os católicos foram os primeiros a fazerem essa divisão de "lei cerimonial" e "lei moral". Justamente a Igreja Católica que os adventistas mais atacam! Sim, foram eles os primeiros a fazerem tal divisão e não os protestantes.
Autor : Pr. Natanael Rinaldi
A divisão que fazem é a seguinte, conforme consta no livro "Estudos Bíblicos".
LEI MORAL
Foi proferida por Deus
Foi escrita pelo dedo Deus em tábuas de pedra
Foi colocada dentro da arca
Deverá permanecer firme para sempre
Não foi destruída por Cristo
Devia ser engrandecida por Cristo
LEI CERIMONIAL
Foi ditada por Moisés
Foi escrita por Moisés num livro
Nenhuma coisa aperfeiçoou
Foi posta ao lado da arca
Foi cravada na cruz
Foi ab-rogada por Cristo
Foi tirada por Cristo
É bom saber que esta divisão não se encontra em nenhum lugar na Bíblia, verdade é que muitos teólogos protestantes fazem por mera conveniência a distinção entre princípios morais e cerimoniais, mas não que exista duas leis opostas como aparece na teologia adventista. Isso é tão verdade que os próprios adventistas precisou admitir que esta divisão é artificial, observe o que eles mesmos dizem:
"Seria útil classificarmos as leis do Velho Testamento em várias categorias: 1) Moral; 2) Cerimonial; 3) Civil; 4) Estatutos e juízos; 5) Leis de Saúde. Esta classificação é em parte artificial." (Lição da escola Sabatina, p.18 de 08/01/1980).
O fato, e isto é incontestável, é que os judeus nunca dividiram a lei como fazem os adventistas.
A LEI PARA O JUDEU
A lei para o judeu era considerada "Una". Não há de se supor que dentro da teologia judaica havia separação entre lei moral e cerimonial. A única diferença que faziam era quanto "a lei escrita" (Torah) e "a lei oral" (Halakoth) e mesmo assim essa nuança era muito tímida. Até mesmo Flávio "Josefo parece estar bem próximo da concepção rabínica da Tora total: como a lei escrita, a Tradição também vem de Moises e, portanto de Deus" (Flavio Josefo Uma Testemunha do Tempo dos Apóstolos pág. 38, Contra Apião II). Veja que até mesmo a "Tradição" na concepção judaica, era considerada como parte da lei dada por Deus quanto mais as leis do livro.
Diz certa obra que, "O Talmude, a propósito de um ponto em discussão, lembra: 'A lei mandava recitar todos os dias os dez mandamentos. Por que não os recitam mais, hoje? Por causa das malediscências dos minim; para que estes não possam dizer: 'Estes somente foram dados a Moisés, no Sinal' (Talmud Jer. Berakot 1 ,3c).Segundo estes minim (os "dissidentes": talvez os judeu-helenistas ou os judeu-cristãos, ou ainda uma seita gnóstica?), Deus só pronunciou os dez mandamentos (Dt 5,22); as outras leis são atribuídas a Moisés. A recitação diária do decálogo, na oração comunitária, favorecia indiretamente esta idéia de que provocava certo desprezo pelas outras leis. A fim de evitar este mal-estar,o judaísmo ortodoxo - talvez nos círculos de Iabne, no fim do século 1 d.C. -suprimiu do serviço sinagogal cotidiano a recitação do decálogo." (O Decálogo- F.G.Lopez)
Veja que este incidente é mais uma confirmação de que os próprios judeus não admitiam que apenas parte da lei fosse dada por Deus e o resto por Moisés como querem fazer acreditar, com muita dificuldade, os adventistas.
Demais disso, o NT não fala em nenhum lugar quais partes da lei eram consideradas rituais e quais eram morais. Quando o moço judeu indagou, "Mestre, qual é o grande mandamento na lei?" (Mateus 22.36), Jesus não perguntou, QUAL LEI? A moral ou a cerimonial? Isso mostra que para o judeu a lei era uma só, não duas. A Bíblia também não diz que a lei dada "por meio de Moisés..." era a cerimonial, não há esta suposta distinção entre moral e cerimonial (João 1.17).
Os adventistas sabem muito bem disso, pois chegaram a confessar o seguinte:
"Note que 'A Lei de Moisés'(Atos 15.5 nas Escrituras, refere-se a todas as leis dadas por meio de Moisés - cerimonial, moral e civil.... A Lei de Moisés (Hb 10.28) incluía os dez mandamentos. (Revista da Escola Sabatina, abril-junho 1990, p. 11-CPB)
O Concílio de Jerusalém tratou da lei como um corpo completo e não apenas parte dela. Maimônides, teólogo judeu-espanhol do século XII, resumiu a fé judaica em 13 artigos, que foram incorporados aos livros de oração, um deles diz respeito à lei:
"(8) Creio firmemente que a Lei que possuímos agora é a mesma que foi dada a Moisés; (9) Creio firmemente que essa Lei não será modificada, e que não haverá outra Lei (ou dispensa dela) dada pelo Criador, abençoado Seu Nome" (Encyclopedia Britannica ).
O grande problema com que se deparam os ASD, quando pretendem guardar a lei de Deus, é que a lei não implica só em guardar os dez mandamentos. A lei é um todo e abrange os cinco livros de Moisés ou o Pentateuco com 613 mandamentos, como lemos em Gl 3.10, "Todos aqueles, pois que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque escrito está: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las".O texto em apreço não afirma que é maldito quem não guardar os dez mandamentos, mas que é maldito quem não guardar tudo o que está escrito no livro da lei. Isso se tornou uma impossibilidade, E é evidente que, pela lei, ninguém é justificado diante de Deus... (Gl 3.11). Dada a impossibilidade de se guardar todos os 613 mandamentos, a Bíblia declara que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo e que depois que a fé veio já não estamos mais debaixo do aio (ou da lei). Mas, antes que viesse a fé, estávamos sob a tutela da lei e nela encerrados, para essa fé que, de futuro, haveria de revelar-se. De maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados pela fé. Mas, tendo vindo à fé, já não permanecemos subordinados ao aio."(Gl 3.23-25).
Repedimos: dada essa impossibilidade de guardarem os 613 mandamentos, contidos no Pentateuco (os cinco livros da Lei), dividiram os ASD a lei de Deus em duas leis: Lei Moral e Lei Cerimonial. Ensinam que uma parte da lei foi abolida na cruz - a Lei Cerimonial. Mas, a outra parte da Lei, a Lei Moral, restrita aos dez mandamentos, essa está em vigor.
A expressão "Foi cravada na cruz" é tirada de Cl 2.14-17 e no v. 16 está explícito, e sem contestação, que se incluía nessa lei cravada na cruz o sábado semanal. Com isso os próprios adventistas reconhecem que o sábado semanal foi cravado na cruz.
Ora se a Lei de Moisés refere-se a todas as leis dadas por Moisés incluindo os 10 mandamentos como sustentar biblicamente essa divisão da mesma lei em Lei Moral e Lei Cerimonial como se fossem duas leis distintas?
A expressão Lei de Deus e Lei de Moisés é expressões sinônimas e não se trata de Leis distintas como afirmam os Adventistas do Sétimo Dia. Em Is 33.2 se lê de 'um só Legislador "e assim tanto os dez mandamentos como os livros de Moisés foram dados por um só Legislador - Deus, por meio de Moisés. É' de Deus pois foi dado por Ele e é de Moisés porque foi dada por intermédio de Moisés".
Certa autoridade teológica no assunto corrobora com o exposto acima dizendo:
"Deve-se observar, por igual modo, que apesar de haver, em certas mentes modernas, tremenda diferença entre as "leis morais" e as leis cerimoniais, isto é, respectivamente, entre os dez mandamentos e os preceitos rituais dos judeus, contudo tal distinção jamais fez parte da mentalidade judaica, não podendo ser encontrada nenhuma declaração bíblica nesse sentido. Muitos judeus consideravam serem mandamentos importantíssimos, não menos importantes que os dez mandamentos das tábuas da lei, certas observâncias que consideraríamos triviais, como a lavagem de roupas, mãos pratos, etc. Portanto, a distinção feita por alguns modernos , os quais afirmam que a "lei cerimonial" foi ab-rogada, mas que a "lei moral" não o foi, é uma pretensão inteiramente destituída de provas bíblicas. Pois, nesse caso, é tão fácil eliminar o sábado como é fácil eliminar a lavagem de mãos, pratos, etc...,com base no ponto de vista da suposta eternidade das leis outorgadas ao antigo povo de Israel. (Enciclopédia de Bíblia, teologia e filosofia, pág. 7 vl. 6 R.N Champlin, Ph.D. J.M Bentes ed. Candeia - 4 edição)
O EMPREGO DA PALAVRA LEI NAS ESCRITURAS
A palavra "Lei" aparece 220 vezes só no VT este substantivo geralmente se refere a Tora e denota "lei, direção, instrução". Ao todo aparece mais de 400 vezes na Bíblia. Nenhuma dessas vezes em que a aparece o termo lei vem especificado ou dividido entre duas leis opostas.
1. Basta ler Ne 8.1,3, 8, 14,18 onde a mesma Lei é chamada de Lei de Deus e Lei de Moisés, indistintamente.
(Ne 8.1)...e disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da lei de Moisés
(v. 3) "... todo o povo estavam atentos ao livro da lei."(v. 8) "E leram no livro, na lei de Deus...".(v.14) "E acharam escrito na lei que o SENHOR ordenara, pelo ministério de Moisés
2. Em Gl 3.10 lemos: "Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei para fazê-las".Esse texto é uma citação de Dt 27.26. Lendo esse capítulo a partir do v. 15 vamos encontrar preceitos morais dentro da lei cerimonial assim denominada pelos adventistas:
"Maldito o homem que fizer imagem de escultura, ou de fundição, abominação ao Senhor, obra da mão do artífice, e a puser em um lugar escondido. E todo o povo responderá, e dirá: Amem".(v. 15)
Seria este um preceito cerimonial por ter sido escrito por Moisés, num livro que foi posto ao lado da arca e não dentro da arca?
3. Lendo Mc 7.10 que declara: "Porque Moisés disse: Honra a teu pai e a tua mãe" Esse mandamento está incluído nos dez mandamentos, pois é citado em Ex 20.12. Um preceito cerimonial considerando que foi Moisés que o disse, mas que faz parte da lei moral dos adventistas, pois se trata do 5º mandamento do decálogo;
4. Lendo Jo 7.19 que declara: "Não vos deu Moisés a lei? E nenhum de vós observa a lei. Por que procurais matar-me?" Onde a lei proíbe matar? Encontramos esse mandamento dentro dos dez mandamentos - o sexto mandamento em Ex 20.13. Como foi Moisés que disse, deveria tratar-se de um preceito cerimonial. Entretanto, está dentro da lei moral dos adventistas.
5. Jesus ensinou em Mt 22.37-39 que os dois maiores mandamentos são: amar a Deus e amar ao próximo.
"E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento."(Mt 22.37) Esse mandamento é encontrado em Dt 6.5, como se lê: "Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças".
E o segundo, semelhante a este, é: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo. (Mt 22.39) Este mandamento se encontra em. Levíticos 19.18,:" Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo: mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor".
Ambos fazem parte do livro da Lei de Moisés colocado ao lado da Arca. "Tomai este livro da lei, e ponde-o ao lado da arca da aliança do SENHOR vosso Deus, para que ali esteja por testemunha contra ti. "(Dt 31.26). Esses dois mandamentos acham-se em Dt 6.5 e Lv 19.18.
(DT 6:5) "Amarás, pois, o SENHOR teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças."
(LV 19:18) "Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o SENHOR."
UM SÔFREGO ARGUMENTO
Os adventistas quando vão provar a suposta divisão da lei, não tendo base bíblica, vão se socorrer com escritos de autores protestantes. Quando acuado pelos evangélicos de que essa divisão é falha, se defendem dizendo que foram os homens de Deus quem primeiro usou tal divisão então passam a citar nomes ilustres do universo protestante.
Queremos deixar claro que apesar desses teólogos terem dado uma grande contribuição à formulação da teologia evangélica, e nisto não lhes tiramos os méritos, no entanto, é bom ressaltar que eles eram seres humanos sujeitos ao erro. A Base de nossa fé é a Bíblia Sagrada, só nos servimos de escritos de outros quando estes concordam com a Bíblia.
O árbitro da fé e prática da Igreja não pode estar baseada nas Confissões de Fé ou escritos de teólogos, essa função é desempenhada unicamente pela Bíblia. Este foi o principal ensinamento da Reforma Protestante a "sola scriptura".
Por exemplo, muitos adventistas nos acusam de estar indo de encontro ao que os reformadores e seus seguidores ensinaram quanto á divisão da lei em duas. Mas o que muitos não sabem é que essa divisão não é provinda da Reforma.
Os adventistas querem passar a imagem de que os Reformadores foram os que deram iniciou a este conceito de duas leis - uma moral e outra cerimonial. Faz-se aqui necessário esclarecer que o catolicismo já ensinava isto há muito tempo. Os católicos foram os primeiros a fazerem essa divisão de "lei cerimonial" e "lei moral". Justamente a Igreja Católica que os adventistas mais atacam! Sim, foram eles os primeiros a fazerem tal divisão e não os protestantes.
Autor : Pr. Natanael Rinaldi
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Deve o cristão guardar o sábado?
Por Ronald E. Watterson
O sábado é mencionado frequentemente na Bíblia, especialmente no Velho Testamento. Estas constantes menções indicam que o assunto é muito importante e merece um estudo cuidadoso.
Em nossos dias é um assunto polémico, mas nem por isso devemos deixar de examiná-lo. Devemos, sim, deixar de lado o que os homens falam e considerar o que as Escrituras Sagradas dizem a respeito. Vamos observar primeiramente o que a Bíblia revela sobre
A História do Sábado
Embora não encontremos a palavra "sábado", na Bíblia, até chegarmos em Êxodo capítulo 16, cerca de 2.500 anos depois de Adão, a doutrina do sábado começa com a criação do homem, quando Deus trabalhou seis dias e no sétimo dia descansou de toda a Sua obra. “E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou" (Gn 2.3).
Apesar do silêncio da Palavra de Deus quanto ao sábado, nos primeiros 2.500 anos da história humana, é provável que os fiéis o observassem durante aquele tempo. Quando Israel estava no deserto, Deus lhes deu o maná durante seis dias e avisou que no sétimo dia não haveria maná, pois aquele dia era "o santo sábado do Senhor" (Ex 16.23). Esta declaração, sem nenhuma explicação, leva-nos a crer que o sábado não lhes era desconhecido. Notemos, a seguir,
O Sábado Dado a Israel
Nos dias de Moisés o sábado foi dado à nação de Israel (Ex 16.29) e a partir daquele tempo a sua história fica mais clara. Ele foi incluído nas leis da aliança que Deus fez com Israel, sendo escrito pelo dedo de Deus na tábua de pedra, e também por Moisés no livro da lei (Ex 24.4; Dt 31.24).
Entre as outras leis, o sábado assumiu um lugar destacado para Israel, pois Deus o deu por sinal da aliança. Assim como Deus estabeleceu a circuncisão como sinal da aliança que fez com Abrão (Gn 17.11), o sábado foi estabelecido como sinal da aliança entre o Senhor e Israel (Ex 31.13,17 e Ez 20.12).
O sábado não foi dado às outras nações, mas exclusivamente a Israel, como sinal da sua posição privilegiada, em concerto com o Senhor. Este facto é confirmado quando Moisés exortou o povo e disse: “E que gente há tão grande, que tenha estatutos e juízos tão justos como toda esta lei que hoje dou perante vós?” (Dt 4.8). A lei, incluindo o sábado, foi dada com exclusividade a Israel. Notemos, ainda,
O Sábado Ampliado
Ao dar o sábado a Israel, Deus o ampliou. A partir daquele tempo o sábado não seria apenas o sétimo dia de cada semana: mais dias além do sábado seriam “sábados do Senhor”. O Dia da Expiação, por exemplo, que é o décimo dia do sétimo mês, seria “sábado de descanso” (Lv 16.29-31), mas este dia poderia cair no começo, no meio, ou no fim da semana, dependendo do ano.
A terra também teria o seu sábado. O povo poderia cultivar a terra seis anos, mas o sétimo seria “sábado de descanso para a terra, um sábado ao Senhor” (Lv 25.4). Naquele ano não poderiam semear o campo, nem podar a vinha. Mas convém que notemos, agora,
O Sábado Profanado
Israel foi infiel; não guardou os sábados ao Senhor. Profanou o sábado ainda no deserto, antes mesmo de entrar na terra prometida.
Referindo-se àqueles anos no deserto, Deus disse: "Também lhes dei os meus sábados... mas... Israel se rebelou contra mim no deserto... e profanaram grandemente os meus sábados” (Ez 20.12-13). Após a entrada na terra, a avareza levou o povo a considerar o sábado como um peso desagradável e difícil de suportar. Diziam: “Quando passará o sábado, para abrirmos os celeiros de trigo, diminuindo o efa, e aumentando o siclo”(Am 8.5). Tal hipocrisia era insuportável a Deus e a repreensão veio nas palavras do profeta: “O incenso é para mim abominação... e os sábados; ... não posso suportar iniqüidade, nem mesmo o ajuntamento solene" (Is 1.13).
O Sábado Interrompido
Por causa daquela iniquidade e hipocrisia, Deus tirou de Israel os Seus sábados. Ele disse, por intermédio do profeta: Farei cessar todo o seu gozo, as suas festas, as suas luas novas, e os seus sábados...”(Os 2.11). Ele afirmou ainda, através de Jeremias: “O Senhor em Sião pôs em esquecimento a solenidade e o sábado, e na indignação da Sua ira rejeitou com desprezo o rei e o sacerdote” (Lm 2.6).
O Sábado Reestabelecido
Apesar da profanação do sábado por parte de Israel, Deus não abandonou o Seu propósito. Ele ainda há de restaurar o Seu povo e esta nação ainda guardará os sábados ao Senhor. As promessas feitas a Abrão serão cumpridas e o sábado será observado. Descrevendo aqueles dias gloriosos que ainda estão por vir, Ezequiel fala dos holocaustos e das ofertas que serão trazidas nas luas novas e nos sábados (Ez 45.17). O mesmo profeta fala da porta do átrio interior do templo que será reconstruído e diz que “estará fechada durante os seis dias, que são de trabalho; mas no dia de sábado ela se abrirá” (Ez 46.1; veja também Ez 46.3, 4, 12). Agora, voltemos a nossa atenção para
Um Detalhe Importante
Considerando a história do sábado, é importante observar que não há mandamento algum para a igreja guardar o sábado. E isto não é uma omissão. Deus não omitiu da Sua Palavra coisa alguma que fosse necessária ao Seu povo (veja 2 Tm 3.17). Longe de apresentar qualquer mandamento para guardar o sétimo dia, o Novo Testamento mostra que o cristão que estima um dia acima do outro é um cristão fraco (Rm 14.1-6). Reforçando isto, Paulo disse, escrevendo aos Colossenses: “Portanto ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados” (Cl 2.16). Vemos, ainda, que, na carta aos Gálatas, escrita a igrejas que estavam começando a guardar dias, Paulo disse: “... Agora, conhecendo a Deus... como tornais outra vez a estes rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir? Guardais dias... receio de vós, que não haja trabalhado em vão para convosco” (Gl 4.9-11). Esta preocupação do apóstolo com relação aos gálatas deixa muito claro que o cristão que guarda o sábado, ou qualquer outro dia, está cometendo um erro gravíssimo e está jogando por terra a obra que Deus está fazendo.
O Propósito e o Significado do Sábado
Um dia, quando o Senhor passava pelas searas, com Seus discípulos, estes começaram a colher espigas e foram severamente criticados pelos fariseus (veja Marcos 2.23-28). Respondendo as críticas, o Senhor afirmou ser o Senhor do sábado e revelou, pelo menos em parte, o propósito do mesmo.
Para o Homem
Ele disse: “O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado” (v. 27). O sábado nunca foi uma restrição, ou uma exigência pesada que Deus impôs ao homem, mas sim uma bênção. Deveria ser uma ocasião alegre e benéfica para o homem.
No Velho Testamento vemos a maneira como este dia deveria ser uma bênção para o homem. Traria benefícios físicos, pois seria um dia de descanso depois de seis dias de trabalho (Êx 20.10). Quando esta lei foi dada a Israel, Deus relacionou este descanso semanal com a Sua própria obra na criação: “Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar, e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou: portanto abençoou o Senhor o dia de sábado, e o santificou”(Êx 20.11). Quando, porém esta lei foi repetida na campina ao oriente do Jordão, Deus mencionou outro propósito do sábado. “Guarda o dia de sábado...seis dias trabalharás... mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhuma obra nele...Porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito, e que o Senhor teu Deus te tirou dali com mão forte e braço estendido” (Dt 5.l2-13).
O sábado, portanto, seria um dia de descanso físico e também seria um dia de recordação das bênçãos recebidas do Senhor. Seria uma bênção para o corpo e também para a alma.
Para Deus
Foi de facto uma dádiva preciosa que Deus deu ao povo de Israel (Êx 16.29), mas convém observar que não é somente “o sábado do Senhor” (Êx 16.23), é também “um sábado ao Senhor” (Êx 31.15). Ao mesmo tempo que proporcionava descanso e refrigério ao homem, deveria proporcionar algo também a Deus. Ao deixar de lado a preocupação com as coisas materiais, o homem deveria ocupar-se com as coisas espirituais, e assim Deus receberia adoração e louvor.
Além do propósito imediato de proporcionar ao homem descanso e trazer a Deus honra e louvor, havia algo mais, na celebração do sétimo dia. Era uma sombra “das coisas futuras” (Cl 2.17). Vejamos vários aspectos disto.
O Descanso em Canaã
Logo que o pecado entrou no jardim do Eden, o descanso de Deus foi interrompido e Ele se pôs a trabalhar (Jo. 5.17). O sábado não seria mais uma expressão do descanso do Criador, mas sim, uma sombra dum descanso futuro, baseado na obra perfeita terminada pelo Senhor Jesus Cristo.
Em primeiro lugar, prefigurava o descanso que Deus queria dar ao povo de Israel em Canaã. Moisés disse àquele povo: “Até agora não entrastes no descanso ...mas passareis este Jordão, e habitareis na terra que vos fará herdar o Senhor vosso Deus; e vos dará repouso dos vossos inimigos... ”(Dt 12.9-10).
Num sentido limitado, este descanso foi alcançado nos dias de Josué, pois “o Senhor lhes deu repouso em redor, conforme a tudo quanto jurara a seus pais”(Hb. 4.8).
O descanso em Canaã não permaneceu, e Deus falou ainda dum descanso futuro (Sl 95.8-11).
Descanso para o Mundo no Milênio
Um dia Satanás será preso no abismo (Ap 20.1-3); todo inimigo será derrotado (1 Co 15.25); a criação deixará de gemer (Rm 8.22-23); e a terra há de gozar o seu sábado. O profeta anunciou isto ao dizer: “Já descansa, já está sossegada toda a terra! exclamam com júbilo” (Is 14.7). O mesmo profeta ainda disse: ”As nações perguntarão pela raiz de Jessé, posta por pendão dos povos, e o lugar do seu repouso será glorioso”(Is 11.10).
O Descanso Eterno
Este maravilhoso descanso milenar, porém não perdurará. Satanás será solto da sua prisão e sairá para enganar as nações que estão nos quatro cantos da terra, liderando uma última rebelião contra Deus.
Mas ele será derrotado, e lançado no lago de fogo. Os mortos serão julgados e haverá um novo céu e uma nova terra onde habita a justiça (2 Pe 3.13 e Ap 21.1). Deus será tudo em todos e será glorificado naquele descanso eterno.
O Descanso presente em Cristo
O sábado é a sombra; a substância é Cristo (Cl 2.16-17). Por isto, não nos ocupamos mais com a sombra; temos a substância. Não guardamos o sábado; descansamos em Cristo. Esta verdade é apresentada mais detalhadamente na carta aos Hebreus.
O Sábado à Luz de Hebreus 3 e 4
A carta aos Hebreus mostra a superioridade de Cristo. Ele é Deus (cap. 1) e, portanto, superior aos anjos. Ele Se fez homem (cap. 2), mas continua superior a todos os homens. Os capítulos que estamos considerando mostram como Ele é superior a Moisés e a Josué. Estes não conseguiram dar ao povo aquele descanso verdadeiro, mas nós, pela fé no Senhor Jesus Cristo, já entramos no repouso (4.3).
O Repouso
A questão do repouso é introduzida com uma citação do Velho Testamento, tirada do Salmo 95.8-11, já anteriormente citada no capitulo 3.7-11. O escritor quer demonstrar que o Senhor Jesus é maior do que todos os homens. Os que sairam do Egito deveriam ter entrado no descanso em Canaã, mas pela desobediência e incredulidade, seus corações foram endurecidos e Deus jurou na Sua ira que não entrariam no Seu descanso. Este facto serve de exortação aos leitores, para que não venham a cair no mesmo erro (3.12-13). Poderiam ter ouvido as boas novas, mas se o coração se endurecesse pelo engano do pecado não entrariam no repouso desejado (3.13).
Muitos têm mal interpretado esta passagem e, nela baseados, afirmam que o crente pode perder a salvação, mas veja bem que não é isso o que o texto sagrado diz. O Deus afirma e: “A qual casa somos nós, se tão-somente conservarmos firme a confiança e a glória da esperança até ao fim” (3.6). Note bem que não diz que “seremos”, mas que “somos”, agora, no presente, a casa de Deus. Ele não diz que somos enquanto conservarmos firme, mas que já somos a casa de Deus se conservarmos firme. Isto é, a palavra “se”, neste caso, não introduz uma condição, mas, sim, uma evidência. Os hebreus, a quem a carta foi dirigida, professavam ser a casa de Deus, mas alguns poderiam não ser verdadeiros. A realidade da sua profissão seria manifesta pela sua permanência. Veja isto com mais clareza no versículo 14 – “...nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim”. O verbo “tornamos”refere-se a algo já acontecido — é o tempo perfeito no texto original. Ele não está dizendo que vamos participar de Cristo se retivermos firmemente, e, sim, que já participamos de Cristo há muito tempo. A palavra se, no caso, não é condicional, pois se o fora, o versículo não teria sentido. O ensino claro destes dois versículos é que aquele que permanece é aquele que creu e aquele que não permanece demonstra que nunca creu.
No capítulo 4 o Espírito volta a destacar o perigo de não entrar no repouso de Deus: “Temamos, pois que, porventura, deixada a promessa de entrar no seu repouso, pareça que algum de vós fica para trás” (v. 1). Observe, porém, que o texto não fala da possibilidade de ser expulso dum repouso já alcançado, mas, sim, da possibilidade de não chegar a entrar no repouso esperado. É isto o que vemos no Salmo 95: a geração que saiu do Egito não entrou em Canaã. É isto, também, o que Hebreus 4 ensina: alguns que querem entrar no repouso de Deus poderão não entrar. Aqueles que saíram do Egito ouviram as boas novas e esperavam entrar, mas cairam no deserto. Como o texto afirma, nada disto lhes aproveitou, porquanto não estava misturado com a fé. É possível ouvir as boas novas e abandonar o mundo e, contudo, não entrar no descanso porque, na realidade, não creu.
Mas o contraste no versículo seguinte é notável: “Nós, os que temos crido, entramos no repouso” (v. 2). Aqui vemos novamente que a fé é o meio pelo qual entramos no repouso. Eles (v. 2) não entraram porque não creram; nós (v. 3) entramos (presente) porque temos crido (passado). Quem não crê, não entra. Quem creu, já entrou.
Tudo é relacionado com o descanso de Deus no sétimo dia (v. 4), mostrando que aquele repouso de Deus na obra completada pela criação era uma sombra do repouso que o crente tem agora em Cristo. No versículo 5 vemos mais uma vez que o incrédulo jamais entrará neste descanso.
A partir do versículo 6, o Espírito Santo torna a falar do descanso concedido em Canaã, mostrando que não correspondeu plenamente à sombra, pois, de outra sorte, Davi não teria, no Salmo 95, falado de outro dia. Isto leva logicamente à conclusão de que “resta ainda um repouso (literalmente, “um sábado de repouso”) para o povo de Deus” (v. 9).
O sábado do Velho Concerto, portanto, era uma sombra do descanso que gozamos hoje em Cristo. O assunto é concluído com uma afirmação e uma exortação.
A afirmação: “Aquele que entrou no seu repouso, ele próprio repousou das suas obras, como Deus das suas” (v. 10). Quando descobrimos que as nossas tentativas de alcançar a vida eterna eram inúteis e deixamos de confiar em nossas justiças, orações, obras, etc., e confiamos no Senhor Jesus Cristo e no valor da obra consumada na cruz, descansamos das nossas obras e entramos no descanso de Deus.
A exortação: É dirigida àqueles que ainda não entraram no repouso de Deus e diz: “Procuremos entrar... para que ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência” (v. 11).
A Conclusão
O Sábado foi uma dádiva preciosa que Deus concedeu ao povo de Israel, mas aquele povo não apreciou. Era uma parte integrante daquela lei do velho concerto e traz lições preciosas para nós, cristãos, no dia de hoje, sendo uma sombra do nosso descanso espiritual em Cristo.
Mas aquela “cédula que era contra nós” foi riscada (literalmente, apagada, como quando se apaga o que foi escrito numa lousa) e tirada do meio de nós pela cruz de Cristo (Cl 2.14). Continuando este ensino, o Espírito Santo pergunta: “Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam AINDA de ordenanças...?” (Cl 2.20).
Nesta Escritura Deus mostra claramente que o cristão não deve guardar a lei do velho concerto (isto inclui o sábado), pois tal lei foi apagada e tirada do meio de nós. Na carta aos Gálatas, porém, Deus apresenta, por meio duma alegoria, a nossa responsabilidade nesta parte.
Abraão teve dois filhos, um da escrava e outro da livre. Na alegoria, Agar, a escrava, representa o velho concerto firmado no monte Sinai, enquanto Sara representa o novo. Na conclusão da alegoria, Deus diz: “Lançai fora a escrava e seu filho, porque de modo algum o filho da escrava herdará com o filho da livre” (v. Gl 4.21-31). Temos a responsabilidade de lançar fora o velho concerto, bem como as conseqüências que ele produz, pois de modo algum poderão os dois concertos conviver um com o outro.
Portanto, em Colossenses vemos o lado divino desta mudança — Ele apagou a “cédula”, tirando-a do meio de nós (Cl 2.14), mas em Gálatas vemos o lado humano — nossa responsabilidade de lançar fora o velho concerto, inclusive o sábado.
O sábado é mencionado frequentemente na Bíblia, especialmente no Velho Testamento. Estas constantes menções indicam que o assunto é muito importante e merece um estudo cuidadoso.
Em nossos dias é um assunto polémico, mas nem por isso devemos deixar de examiná-lo. Devemos, sim, deixar de lado o que os homens falam e considerar o que as Escrituras Sagradas dizem a respeito. Vamos observar primeiramente o que a Bíblia revela sobre
A História do Sábado
Embora não encontremos a palavra "sábado", na Bíblia, até chegarmos em Êxodo capítulo 16, cerca de 2.500 anos depois de Adão, a doutrina do sábado começa com a criação do homem, quando Deus trabalhou seis dias e no sétimo dia descansou de toda a Sua obra. “E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou" (Gn 2.3).
Apesar do silêncio da Palavra de Deus quanto ao sábado, nos primeiros 2.500 anos da história humana, é provável que os fiéis o observassem durante aquele tempo. Quando Israel estava no deserto, Deus lhes deu o maná durante seis dias e avisou que no sétimo dia não haveria maná, pois aquele dia era "o santo sábado do Senhor" (Ex 16.23). Esta declaração, sem nenhuma explicação, leva-nos a crer que o sábado não lhes era desconhecido. Notemos, a seguir,
O Sábado Dado a Israel
Nos dias de Moisés o sábado foi dado à nação de Israel (Ex 16.29) e a partir daquele tempo a sua história fica mais clara. Ele foi incluído nas leis da aliança que Deus fez com Israel, sendo escrito pelo dedo de Deus na tábua de pedra, e também por Moisés no livro da lei (Ex 24.4; Dt 31.24).
Entre as outras leis, o sábado assumiu um lugar destacado para Israel, pois Deus o deu por sinal da aliança. Assim como Deus estabeleceu a circuncisão como sinal da aliança que fez com Abrão (Gn 17.11), o sábado foi estabelecido como sinal da aliança entre o Senhor e Israel (Ex 31.13,17 e Ez 20.12).
O sábado não foi dado às outras nações, mas exclusivamente a Israel, como sinal da sua posição privilegiada, em concerto com o Senhor. Este facto é confirmado quando Moisés exortou o povo e disse: “E que gente há tão grande, que tenha estatutos e juízos tão justos como toda esta lei que hoje dou perante vós?” (Dt 4.8). A lei, incluindo o sábado, foi dada com exclusividade a Israel. Notemos, ainda,
O Sábado Ampliado
Ao dar o sábado a Israel, Deus o ampliou. A partir daquele tempo o sábado não seria apenas o sétimo dia de cada semana: mais dias além do sábado seriam “sábados do Senhor”. O Dia da Expiação, por exemplo, que é o décimo dia do sétimo mês, seria “sábado de descanso” (Lv 16.29-31), mas este dia poderia cair no começo, no meio, ou no fim da semana, dependendo do ano.
A terra também teria o seu sábado. O povo poderia cultivar a terra seis anos, mas o sétimo seria “sábado de descanso para a terra, um sábado ao Senhor” (Lv 25.4). Naquele ano não poderiam semear o campo, nem podar a vinha. Mas convém que notemos, agora,
O Sábado Profanado
Israel foi infiel; não guardou os sábados ao Senhor. Profanou o sábado ainda no deserto, antes mesmo de entrar na terra prometida.
Referindo-se àqueles anos no deserto, Deus disse: "Também lhes dei os meus sábados... mas... Israel se rebelou contra mim no deserto... e profanaram grandemente os meus sábados” (Ez 20.12-13). Após a entrada na terra, a avareza levou o povo a considerar o sábado como um peso desagradável e difícil de suportar. Diziam: “Quando passará o sábado, para abrirmos os celeiros de trigo, diminuindo o efa, e aumentando o siclo”(Am 8.5). Tal hipocrisia era insuportável a Deus e a repreensão veio nas palavras do profeta: “O incenso é para mim abominação... e os sábados; ... não posso suportar iniqüidade, nem mesmo o ajuntamento solene" (Is 1.13).
O Sábado Interrompido
Por causa daquela iniquidade e hipocrisia, Deus tirou de Israel os Seus sábados. Ele disse, por intermédio do profeta: Farei cessar todo o seu gozo, as suas festas, as suas luas novas, e os seus sábados...”(Os 2.11). Ele afirmou ainda, através de Jeremias: “O Senhor em Sião pôs em esquecimento a solenidade e o sábado, e na indignação da Sua ira rejeitou com desprezo o rei e o sacerdote” (Lm 2.6).
O Sábado Reestabelecido
Apesar da profanação do sábado por parte de Israel, Deus não abandonou o Seu propósito. Ele ainda há de restaurar o Seu povo e esta nação ainda guardará os sábados ao Senhor. As promessas feitas a Abrão serão cumpridas e o sábado será observado. Descrevendo aqueles dias gloriosos que ainda estão por vir, Ezequiel fala dos holocaustos e das ofertas que serão trazidas nas luas novas e nos sábados (Ez 45.17). O mesmo profeta fala da porta do átrio interior do templo que será reconstruído e diz que “estará fechada durante os seis dias, que são de trabalho; mas no dia de sábado ela se abrirá” (Ez 46.1; veja também Ez 46.3, 4, 12). Agora, voltemos a nossa atenção para
Um Detalhe Importante
Considerando a história do sábado, é importante observar que não há mandamento algum para a igreja guardar o sábado. E isto não é uma omissão. Deus não omitiu da Sua Palavra coisa alguma que fosse necessária ao Seu povo (veja 2 Tm 3.17). Longe de apresentar qualquer mandamento para guardar o sétimo dia, o Novo Testamento mostra que o cristão que estima um dia acima do outro é um cristão fraco (Rm 14.1-6). Reforçando isto, Paulo disse, escrevendo aos Colossenses: “Portanto ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados” (Cl 2.16). Vemos, ainda, que, na carta aos Gálatas, escrita a igrejas que estavam começando a guardar dias, Paulo disse: “... Agora, conhecendo a Deus... como tornais outra vez a estes rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir? Guardais dias... receio de vós, que não haja trabalhado em vão para convosco” (Gl 4.9-11). Esta preocupação do apóstolo com relação aos gálatas deixa muito claro que o cristão que guarda o sábado, ou qualquer outro dia, está cometendo um erro gravíssimo e está jogando por terra a obra que Deus está fazendo.
O Propósito e o Significado do Sábado
Um dia, quando o Senhor passava pelas searas, com Seus discípulos, estes começaram a colher espigas e foram severamente criticados pelos fariseus (veja Marcos 2.23-28). Respondendo as críticas, o Senhor afirmou ser o Senhor do sábado e revelou, pelo menos em parte, o propósito do mesmo.
Para o Homem
Ele disse: “O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado” (v. 27). O sábado nunca foi uma restrição, ou uma exigência pesada que Deus impôs ao homem, mas sim uma bênção. Deveria ser uma ocasião alegre e benéfica para o homem.
No Velho Testamento vemos a maneira como este dia deveria ser uma bênção para o homem. Traria benefícios físicos, pois seria um dia de descanso depois de seis dias de trabalho (Êx 20.10). Quando esta lei foi dada a Israel, Deus relacionou este descanso semanal com a Sua própria obra na criação: “Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar, e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou: portanto abençoou o Senhor o dia de sábado, e o santificou”(Êx 20.11). Quando, porém esta lei foi repetida na campina ao oriente do Jordão, Deus mencionou outro propósito do sábado. “Guarda o dia de sábado...seis dias trabalharás... mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhuma obra nele...Porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito, e que o Senhor teu Deus te tirou dali com mão forte e braço estendido” (Dt 5.l2-13).
O sábado, portanto, seria um dia de descanso físico e também seria um dia de recordação das bênçãos recebidas do Senhor. Seria uma bênção para o corpo e também para a alma.
Para Deus
Foi de facto uma dádiva preciosa que Deus deu ao povo de Israel (Êx 16.29), mas convém observar que não é somente “o sábado do Senhor” (Êx 16.23), é também “um sábado ao Senhor” (Êx 31.15). Ao mesmo tempo que proporcionava descanso e refrigério ao homem, deveria proporcionar algo também a Deus. Ao deixar de lado a preocupação com as coisas materiais, o homem deveria ocupar-se com as coisas espirituais, e assim Deus receberia adoração e louvor.
Além do propósito imediato de proporcionar ao homem descanso e trazer a Deus honra e louvor, havia algo mais, na celebração do sétimo dia. Era uma sombra “das coisas futuras” (Cl 2.17). Vejamos vários aspectos disto.
O Descanso em Canaã
Logo que o pecado entrou no jardim do Eden, o descanso de Deus foi interrompido e Ele se pôs a trabalhar (Jo. 5.17). O sábado não seria mais uma expressão do descanso do Criador, mas sim, uma sombra dum descanso futuro, baseado na obra perfeita terminada pelo Senhor Jesus Cristo.
Em primeiro lugar, prefigurava o descanso que Deus queria dar ao povo de Israel em Canaã. Moisés disse àquele povo: “Até agora não entrastes no descanso ...mas passareis este Jordão, e habitareis na terra que vos fará herdar o Senhor vosso Deus; e vos dará repouso dos vossos inimigos... ”(Dt 12.9-10).
Num sentido limitado, este descanso foi alcançado nos dias de Josué, pois “o Senhor lhes deu repouso em redor, conforme a tudo quanto jurara a seus pais”(Hb. 4.8).
O descanso em Canaã não permaneceu, e Deus falou ainda dum descanso futuro (Sl 95.8-11).
Descanso para o Mundo no Milênio
Um dia Satanás será preso no abismo (Ap 20.1-3); todo inimigo será derrotado (1 Co 15.25); a criação deixará de gemer (Rm 8.22-23); e a terra há de gozar o seu sábado. O profeta anunciou isto ao dizer: “Já descansa, já está sossegada toda a terra! exclamam com júbilo” (Is 14.7). O mesmo profeta ainda disse: ”As nações perguntarão pela raiz de Jessé, posta por pendão dos povos, e o lugar do seu repouso será glorioso”(Is 11.10).
O Descanso Eterno
Este maravilhoso descanso milenar, porém não perdurará. Satanás será solto da sua prisão e sairá para enganar as nações que estão nos quatro cantos da terra, liderando uma última rebelião contra Deus.
Mas ele será derrotado, e lançado no lago de fogo. Os mortos serão julgados e haverá um novo céu e uma nova terra onde habita a justiça (2 Pe 3.13 e Ap 21.1). Deus será tudo em todos e será glorificado naquele descanso eterno.
O Descanso presente em Cristo
O sábado é a sombra; a substância é Cristo (Cl 2.16-17). Por isto, não nos ocupamos mais com a sombra; temos a substância. Não guardamos o sábado; descansamos em Cristo. Esta verdade é apresentada mais detalhadamente na carta aos Hebreus.
O Sábado à Luz de Hebreus 3 e 4
A carta aos Hebreus mostra a superioridade de Cristo. Ele é Deus (cap. 1) e, portanto, superior aos anjos. Ele Se fez homem (cap. 2), mas continua superior a todos os homens. Os capítulos que estamos considerando mostram como Ele é superior a Moisés e a Josué. Estes não conseguiram dar ao povo aquele descanso verdadeiro, mas nós, pela fé no Senhor Jesus Cristo, já entramos no repouso (4.3).
O Repouso
A questão do repouso é introduzida com uma citação do Velho Testamento, tirada do Salmo 95.8-11, já anteriormente citada no capitulo 3.7-11. O escritor quer demonstrar que o Senhor Jesus é maior do que todos os homens. Os que sairam do Egito deveriam ter entrado no descanso em Canaã, mas pela desobediência e incredulidade, seus corações foram endurecidos e Deus jurou na Sua ira que não entrariam no Seu descanso. Este facto serve de exortação aos leitores, para que não venham a cair no mesmo erro (3.12-13). Poderiam ter ouvido as boas novas, mas se o coração se endurecesse pelo engano do pecado não entrariam no repouso desejado (3.13).
Muitos têm mal interpretado esta passagem e, nela baseados, afirmam que o crente pode perder a salvação, mas veja bem que não é isso o que o texto sagrado diz. O Deus afirma e: “A qual casa somos nós, se tão-somente conservarmos firme a confiança e a glória da esperança até ao fim” (3.6). Note bem que não diz que “seremos”, mas que “somos”, agora, no presente, a casa de Deus. Ele não diz que somos enquanto conservarmos firme, mas que já somos a casa de Deus se conservarmos firme. Isto é, a palavra “se”, neste caso, não introduz uma condição, mas, sim, uma evidência. Os hebreus, a quem a carta foi dirigida, professavam ser a casa de Deus, mas alguns poderiam não ser verdadeiros. A realidade da sua profissão seria manifesta pela sua permanência. Veja isto com mais clareza no versículo 14 – “...nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim”. O verbo “tornamos”refere-se a algo já acontecido — é o tempo perfeito no texto original. Ele não está dizendo que vamos participar de Cristo se retivermos firmemente, e, sim, que já participamos de Cristo há muito tempo. A palavra se, no caso, não é condicional, pois se o fora, o versículo não teria sentido. O ensino claro destes dois versículos é que aquele que permanece é aquele que creu e aquele que não permanece demonstra que nunca creu.
No capítulo 4 o Espírito volta a destacar o perigo de não entrar no repouso de Deus: “Temamos, pois que, porventura, deixada a promessa de entrar no seu repouso, pareça que algum de vós fica para trás” (v. 1). Observe, porém, que o texto não fala da possibilidade de ser expulso dum repouso já alcançado, mas, sim, da possibilidade de não chegar a entrar no repouso esperado. É isto o que vemos no Salmo 95: a geração que saiu do Egito não entrou em Canaã. É isto, também, o que Hebreus 4 ensina: alguns que querem entrar no repouso de Deus poderão não entrar. Aqueles que saíram do Egito ouviram as boas novas e esperavam entrar, mas cairam no deserto. Como o texto afirma, nada disto lhes aproveitou, porquanto não estava misturado com a fé. É possível ouvir as boas novas e abandonar o mundo e, contudo, não entrar no descanso porque, na realidade, não creu.
Mas o contraste no versículo seguinte é notável: “Nós, os que temos crido, entramos no repouso” (v. 2). Aqui vemos novamente que a fé é o meio pelo qual entramos no repouso. Eles (v. 2) não entraram porque não creram; nós (v. 3) entramos (presente) porque temos crido (passado). Quem não crê, não entra. Quem creu, já entrou.
Tudo é relacionado com o descanso de Deus no sétimo dia (v. 4), mostrando que aquele repouso de Deus na obra completada pela criação era uma sombra do repouso que o crente tem agora em Cristo. No versículo 5 vemos mais uma vez que o incrédulo jamais entrará neste descanso.
A partir do versículo 6, o Espírito Santo torna a falar do descanso concedido em Canaã, mostrando que não correspondeu plenamente à sombra, pois, de outra sorte, Davi não teria, no Salmo 95, falado de outro dia. Isto leva logicamente à conclusão de que “resta ainda um repouso (literalmente, “um sábado de repouso”) para o povo de Deus” (v. 9).
O sábado do Velho Concerto, portanto, era uma sombra do descanso que gozamos hoje em Cristo. O assunto é concluído com uma afirmação e uma exortação.
A afirmação: “Aquele que entrou no seu repouso, ele próprio repousou das suas obras, como Deus das suas” (v. 10). Quando descobrimos que as nossas tentativas de alcançar a vida eterna eram inúteis e deixamos de confiar em nossas justiças, orações, obras, etc., e confiamos no Senhor Jesus Cristo e no valor da obra consumada na cruz, descansamos das nossas obras e entramos no descanso de Deus.
A exortação: É dirigida àqueles que ainda não entraram no repouso de Deus e diz: “Procuremos entrar... para que ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência” (v. 11).
A Conclusão
O Sábado foi uma dádiva preciosa que Deus concedeu ao povo de Israel, mas aquele povo não apreciou. Era uma parte integrante daquela lei do velho concerto e traz lições preciosas para nós, cristãos, no dia de hoje, sendo uma sombra do nosso descanso espiritual em Cristo.
Mas aquela “cédula que era contra nós” foi riscada (literalmente, apagada, como quando se apaga o que foi escrito numa lousa) e tirada do meio de nós pela cruz de Cristo (Cl 2.14). Continuando este ensino, o Espírito Santo pergunta: “Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam AINDA de ordenanças...?” (Cl 2.20).
Nesta Escritura Deus mostra claramente que o cristão não deve guardar a lei do velho concerto (isto inclui o sábado), pois tal lei foi apagada e tirada do meio de nós. Na carta aos Gálatas, porém, Deus apresenta, por meio duma alegoria, a nossa responsabilidade nesta parte.
Abraão teve dois filhos, um da escrava e outro da livre. Na alegoria, Agar, a escrava, representa o velho concerto firmado no monte Sinai, enquanto Sara representa o novo. Na conclusão da alegoria, Deus diz: “Lançai fora a escrava e seu filho, porque de modo algum o filho da escrava herdará com o filho da livre” (v. Gl 4.21-31). Temos a responsabilidade de lançar fora o velho concerto, bem como as conseqüências que ele produz, pois de modo algum poderão os dois concertos conviver um com o outro.
Portanto, em Colossenses vemos o lado divino desta mudança — Ele apagou a “cédula”, tirando-a do meio de nós (Cl 2.14), mas em Gálatas vemos o lado humano — nossa responsabilidade de lançar fora o velho concerto, inclusive o sábado.
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