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quarta-feira, 30 de abril de 2008

O Hino Que Salvou Quatro Vidas

(Contada por Earl Marlatt)

Era o verão de 1916. Eu me encontrava em Rushville, Indiana, nos EUA, onde o coral real do País de Gales estava fazendo uma apresentação para a Associação Cultural Chautauqua, da cidade. Encerraram com o hino “Fica Comigo”, cantado por um quarteto, com um acompanhamento em tom mais baixo do coral, que participava intermitentemente com o quarteto. Esse final parecia estranho para uma apresentação musical numa noite de quarta-feira que incluíra músicas animadas em vez de música sacra. Fiquei surpreso e interessado na razão para isso. Procurei o diretor e perguntei-lhe por que optara por encerrar com um hino.

“Nós sempre encerramos assim”, respondeu. “É praticamente um ritual”.
Com a persistência de um jornalista, continuei perguntando até obter informação suficiente para poder redigir o meu artigo.

“Estávamos cantando no navio Lusitânia”, disse ele, “quando ele foi bombardeado no Atlântico Norte. Vimos nas ondas o que nos pareceu uma cruz, e ouvimos uma explosão abafada. Poucos minutos depois o barco começou a inclinar. Percebemos o que estava acontecendo e decidimos agir imediatamente. Pelo fato de termos sido criados no litoral do País de Gales, éramos exímios nadadores. Então vestimos os cintos salva-vidas e tencionávamos pular do convés antes do navio afundar. Verificamos o nosso rumo detalhadamente. Nadaríamos por baixo d’água até onde conseguíssemos e nos encontraríamos longe do ponto de sucção, do redemoinho, que sabíamos o navio formaria ao afundar.

“Encontramo-nos bem na hora. Quando subimos à tona, há alguns metros uns dos outros e olhamos para trás, vimos o Lusitania ficar firme por um segundo e depois curvar-se de uma forma terrível e barulhenta afundando no mar. Nadamos rapidamente sem parar. Surgiu diante de nós um bote avariado. Não prestava para nada, a não ser como ponto de apoio quando estávamos cansados de boiar ou de nos agitarmos para nos mantermos na superfície. Todos os barcos de resgate passaram de largo. O sol se pôs no local onde antes estivera o Lusitania. A escuridão e o frio intenso chegaram subitamente.

“Nossos dedos e logo depois nossos corpos começaram e ficar entorpecidos. Ficava cada vez mais difícil agarrarmo-nos ao bote estragado. No escuro e no silêncio do mar, perdemos toda a esperança de sermos resgatados e, desanimados, admitimos esse fato. Sendo cristãos, queríamos um sacramento naquela situação. Nenhum de nós sentia-se bem o suficiente para orar, mas sempre cantáramos — às vezes músicas sacras. Concordamos em cantar uma estrofe de um hino e depois deixarmo-nos afundar, juntos, no mar. Escolhemos ‘Fica Comigo’.
“Fica comigo, a noite e a escuridão são chegados;
As trevas dominam; Senhor, fica ao meu lado.
Sem ajuda e um consolo amigo,
Ajuda dos indefesos; ó Cristo, fica comigo!
“Quando terminamos esse verso ouvimos o som de um apito de navio. Nossas vozes foram carregadas pelo mar afora e chegaram a um pequeno navio de guerra que estava passando pelo local onde o Lusitania naufragara. Ficamos animados e cantamos as outras estrofes. Guiados pela música do hino, a tripulação virou o navio na nossa direção, nos apanhou e levou em segurança à costa.

“Depois disso sentimos que o mínimo que podemos fazer é usar esse hino como uma ação de graças nos nossos concertos”.
Aqueles que se colocam sob os cuidados de Deus, vivenciam a paz que Ele dá.
Depois que tudo terminar, você ainda terá Jesus! Depois que tudo desaparecer, Jesus ainda estará por perto! Quando todos o abandonarem, você ainda terá Jesus! Quando não tiver mais nada, ainda terá Jesus! Quando tudo tiver se desfeito e houver caos, Jesus ainda estará ao seu lado. Quando não restar nada ao mundo, você ainda terá Jesus! — E quando tem Jesus, vocês dois juntos podem cuidar de qualquer situação!

— David Brandt Berg

terça-feira, 29 de abril de 2008

Traduções Errôneas da Bíblia das Testemunhas de Jeová

por
Mathew Slick

Esta lista é apenas representativa. Ela não esgota este assunto.

1. Cl 1:15-17 - A palavra "outro" é inserida 4 vezes. Isto não está no original grego e nem está implícito. Esta é uma seção onde Jesus é descrito como o criador de todas as coisas. Desde que a organização da T.J. acredita que Jesus é um ser criado eles inseriram a palavra "outro" para mostrar que Jesus era ates de tudo "outras" coisas, implicando que Ele também fosse um ser criado.

A. Existem duas palavras, no Grego, traduzidas como "outro": heteros e allos. O primeiro significa outro de uma coisa diferente, ou seja, de natureza diferente. O segundo significa outra coisa da mesma natureza ou do mesmo tipo. Nenhum dos dois é usado nesta seção da Escritura. As T.J. mudaram a Bíblia para torná-la adequada à sua teologia aberrante.

2. Jo 1:1 - Eles traduziram erradamente este versículo como "um deus". Novamente, isto é porque eles negam quem Jesus é e devem mudar a Bíblia para que ela se torne adequada à sua teologia. A versão das T.J. está assim: "No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era um Deus."

3. Hb 1:6 - Neste verso eles traduziram a palavra Grega para adoração, proskuneo, como "reverência." Reverência é uma palavra que significa honra, mostra respeito, até curvar-se diante de alguém. Já que, para eles, Jesus é um ser criado, então ele não pode ser adorado. Eles triveram de fazer isto em outros versículos a respeito de Jesus: Mt 2:2,11; Mt 14:33; Mt 28:9.

4. Hb 1:8 - Este é um versículo onde Deus Pai, está chamando Jesus de Deus: "Mas do Filho diz: O teu trono, ó Deus, subsiste pelos séculos dos séculos, e cetro de eqüidade é o cetro do teu reino.'" Já que as T.J. não concordam com isso, de novo, eles alteraram a Bíblia para que ela se adequasse à sua teologia. Eles traduziram o verso como: "... Deus está no seu trono..." O problema com a tradução das T.J. é que esta passagem é uma citação do Sl 45:6 que, no Hebraico, só pode ser traduzido como "...O teu trono, ó Deus, subsiste pelos séculos dos séculos..." Para justificar a tradução do N.T eles atualmente também trocaram a tradução do Antigo Testamento!

A. A Tradução do Novo Mundo é horrível. Ela mudou o texto para se adequar à sua própria teologia em muitos lugares. Mas antes que você pense que estou apenas mencionando o que outros disseram, eu estudei Grego bíblico por 4 1/2 na Faculdade e no Seminário. Adicionalmente, eu tive 1 1/2 ano de Hebraico bíblico. Eu sei, por exame, que a Tradução do Novo Mundo é corrompida pela visão não-cristã e não-bíblica da sociedade.

A PRIMEIRA COISA A TER EM CONTA SOBRE A ORAÇÃO

“Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti”, Is.26:3

Poucos conseguem orar como Deus quer que oremos. Poucos, por essa razão, sabem orar até serem ouvidos e sabem parar de orar quando são atendidos. Muitos nem sabem se estão a ser ouvidos, quanto mais quando foram atendidos!

Estou falando aqui daquela oração que faz a diferença. Ela é capaz, eficiente, única e exclusiva de alguém que sabe com quem está falando e de quem está ouvindo - e nem será preciso que lhe digam com quem está falando. Os homens estão habituados à gritaria do seu mundo, à concorrência sobre sua atenção. Deus não grita, procura estabelecer-se dentro do homem na paz de espírito e isso é desde logo um modo distinto de empreender as coisas que todo homem nunca entende - é um modulo diferente daquele a que o homem se habituou a ser obediente.

A primeira coisa a levar em conta quando nos aproximamos de Deus, mais que a limpeza de coração e mais que a fé entre outras coisas (coisas essas que vêm de seguida e são obrigatórias), será a realidade e a oportunidade do contacto que mantemos com Ele por Ele por Quem Ele é. Nossa mente não se fixa facilmente em algo que venha de Deus, pois é contrário ao stress que cada humano conhece e procura entender e averiguar por ele mesmo. O que vem de Deus não tem nenhum modo sujeito ao stress e também não se averigua pelo poder do homem. A verdadeira oração é feita pelo Espírito em nós, por nós, usando quem somos e sentimos – se sentimos tudo como convém.

Uma mente que não se firma em Deus conforme Ele é, tem muito poucas hipóteses de conseguir empreender através da oração ou na oração. Na verdade, a primeira questão a ser explorada por Satanás será isso mesmo. Ele impedirá de qualquer maneira que a mente de quem busca Deus se firme n’Ele ou naquilo que Deus tem em mente para nós. Deus tem um objectivo a alcançar na nossa oração. Será que Ele alcança? O mal é que as pessoas acham que são eles que têm objectivos a alcançar de Deus e não Deus a alcançar deles indirectamente e através do que os possa levar a orar fervorosamente.

Se somos maleáveis para tudo quanto nos possa rodear e distrair sempre que nos encontramos com Deus, seremos duros para com Deus. Se somos maleáveis e dirigíveis em relação a tudo quanto Deus nos quer ensinar a cumprir e a fazer do jeito que só Ele sabe ensinar e transmitir, seremos irredutíveis e duros contra tudo que nos tenha como obscurecer o entendimento, desviar nossa atenção ou desfocar nossa visão (nem que seja ligeiramente apenas) do que Deus nos deseja fazer ver logo ali. A tal pessoa nem será necessário dizer para se fixar em Deus ou para se acautelar com aquilo que disputa sua atenção ou a possa desviar. Deus não tem tempo para perder – nós é que achamos que tem ou que podemos perder esse tempo. Por isso pregam muito sobre o tempo de Deus porque as pessoas facilmente se atrasam em relação às Suas coisas e passam a culpar Deus ou o diabo de seus próprios atrasos. Eu afirmo que nem um tremor de terra deveria ser capaz de nos retirar da atenção exclusiva de algo que Deus nos quer transmitir ou focalizar, por pequenina que seja essa coisa que Deus nos queira dar a conhecer. Muitos crentes são simplesmente interrompidos por um simples telefonema de tagarelice e saem duma reunião com a pessoa mais importante de todo universo apenas porque existe uma linha telefónica que Satanás facilmente sabe e pode usar. Jesus bem nos avisou: “Entra em teu quarto e fecha a porta….” e muitos deixam seus celulares ligados ao lado de seus joelhos dobrados.

Pena é que os crentes sejam tão pouco perspicazes e eficazes na quebra e no rompimento com tudo que distrai e que tenha como desvirtuar algo de nossa total disponibilidade e atenção interior para com Deus. É aí que jaz o primeiro segredo de toda a oração. Nada nos deve poder interromper duma reunião a sós com Pessoa tão importante assim. Se estivermos numa reunião de trabalho, no banho, numa conferência ou em algum programa de televisão, não queremos ser interrompidos, chamados à atenção ou distraídos. Muitas vezes nem atendemos o telefone quando estamos ocupados. Só com Deus é que permitimos ser levados de nossos deveres e afazeres que nos dão vida real e verdadeira e a qual exige de nós todo nosso coração. Aquilo que Deus quer deveria ser algo que deveriam ser os nossos únicos afazeres de verdade.

Se temos um compromisso com Deus, um encontro real no qual Deus realmente nos fala, nem a aparição dum anjo, nem um ataque dum demónio deveria ser capaz de nos confiscar um pouquinho de toda a nossa atenção daquilo que Deus nos deu para fazer, nos entregou confiando em nós. A maioria dos crentes sérios fazem um encontro-compromisso com Deus e eles fazem de tudo para o cumprir até ao fim. Chega-se a um ponto que nem Satanás terá como impedir isso mais. Mas, se isso é algo extraordinário de ser conseguido (mas não deveria ser) as pessoas ao conseguirem manter seu tempo com Deus durante anos a fio, sentem-se realizados apenas com isso. Mas, eu creio firmemente que isso é o apenas o mínimo dos mínimos para alguém que necessita salvar toda sua vida de toda e qualquer influencia de pecado e do modo de vida anterior. Deus tenha misericórdia de nós!

Deus tem um objectivo a alcançar nesse nosso tempo com Ele. Por vezes esquecemos isso por nos sentirmos facilmente realizados sempre que conseguimos manter nosso tempo com Deus diariamente. Manter esse tempo é sempre bom, mas provavelmente não é o que Deus pretende que se alcance ainda, pois o uso desse tempo para entender, apreender calmamente e consolidar tudo que Deus tem para nos transmitir e ensinar directamente relacionado com nossa vida interior e pessoal que Ele deu, é o que Ele tem em mente antes de Lhe obedecermos fielmente. Alcançando nossos objectivos, poderemos não ter atingido os Seus em relação a nós ainda. Seria como nos concentrarmos para ir ao médico e sentirmo-nos felizes porque o conseguimos, mas não fomos tratados de nada ainda após a consulta. Se me concentro em me encontrar com Deus e ser achado d’Ele oportunamente, poderei estar livre para tudo que vem da forja de Seu amor para me transmitir, ou estarei ainda gozando a vitória conseguida em não ter ido para outro lado naqueles momentos? Se me concentro em me concentrar em Deus, não estarei concentrado em Deus e nem naquilo que Ele me quer ensinar para poder fazer.

Mantermos um tempo diário e contínuo com Deus é o mínimo dos mínimos que se pode exigir de alguém que corre perigo eterno e de alguém que precisa viver duma vida nova através de novos hábitos que necessitam ser consolidados e confirmados e onde cada dia é pouco para consegui-lo, aprendendo tudo que não aprendeu durante anos vivendo de outro jeito e através de outros meios, discernindo como se fazem as coisas no céu e aquele o jeito de o conseguir fazer do jeito de Deus para o fazer aqui na terra dessa mesma maneira depois também. Ámen.

José Mateus

domingo, 27 de abril de 2008

Testemunhas de Jeová é uma Seita Não-Cristã

por
Mathew Slick


Como todas as seitas, a organização das TJ distorcem as doutrinas essenciais do Cristianismo. Ela nega a divindade de Cristo, a ressurreição física e a salvação pela graça. Para sustentar as suas doutrinas errôneas, a organização Torre de Vigia (que é a autora e mentora de toda teologia oficial das TJ) vem alterando a Bíblia para fazer com que ela diga o que eles querem.
Tipicamente, os cultos que usam a Bíblia para embasar suas posições caem em alguns erros de interpretação:

Tirar os versículos e passagens de seu contexto imediato.
Recusar-se a ler as passagens dentro do contexto bíblico completo.
Inserir as suas pressuposições teológicas no texto.
Alterar o texto bíblico para suprir as suas necessidades.
Basear-se em um verso para interpretar um conjunto de outros.
Trocar os significados das palavras.
Proclamar que algumas passagens têm sentido figurado quando elas contradizem as suas doutrinas.
Adicionar coisas à Palavra de Deus.

Adicionalmente, as seitas exigem de seus membros a freqüência regular aos seus "estudos bíblicos" semanais onde são repetidamente doutrinados com ensinos anti-cristãos. Eles fazem isso por meio da leitura das revistas Sentinela e Despertai!, que basicamente, mantém seus pensamentos cativos às doutrinas deles. Eles ensinam que serão perseguidos quando forem de porta em porta ensinar as suas falsas doutrinas e que, quando alguém os contrariar ou divergir deles, eles serão justificados por serem TJ. Eles dizem que são a única organização verdadeira na terra (assim como todas as seitas afirmam!). Eles são fortemente encorajados a ter apenas amigos e fazer negócios com pessoas dentro da organização, o que mantém as pessoas e idéias longe do exame externo. Eles ensinam a evitar aqueles que deixaram o seu grupo, mantendo assim, o outros afastados para que não questionem o porquê da sua saída. Eles são geralmente paranóicos, como eu pude testemunhar em uma sala de chat (IRC) onde, depois de fazer uma pergunta a respeito de um texto bíblico, fui banido. Subseqüentemente, meu nome foi passado para todas as outras salas de TJ, de onde eu fui banido da mesma maneira. Aparentemente, o exame das suas doutrinas não é permitido.

Primariamente, a organização das TJ é uma seita porque ela viola as três doutrinas essenciais do Cristianismo. A Bíblia diz que Jesus é Deus em carne, que jesus ressuscitou da morte no mesmo corpo em que Ele morreu e que a salvação é pela graça mediante a fé. O organização Torre de Vigia contraria todas as três.

A organização Torre de Vigia é uma seita não-cristã que usa o seu povo para proclamar suas falsas doutrinas, vender uma imensidão de literatura, e expandir suas garras nas vidas de seus seus membros e das suas famílias.

O Pecado da Incredulidade

por
Charles Haddon Spurgeon


Um Sermão (Nº 003)
Pregado na Manhã de Domingo, 14 de Janeiro de 1855 pelo
Reverendo C. H. Spurgeon
No New Park Street Chapel— Southwark—Inglaterra


“Um capitão, em cujo mão o rei se apoiara, respondeu ao homem de Deus: ainda que o Senhor fizesse janelas no céu, poderia suceder isso conforme essa palavra? E ele disse: eis que tu o verás com os teus olhos, porém disso não comerás” (2 Reis 7:19)

Um sábio pode salvar uma cidade inteira; um justo pode libertar multidões. Os crentes são o sal da terra; graças à sua presença entre os ímpios, estes são poupados. Se os filhos de Deus não atuassem como preservadores das massas, a raça humana não mais existiria. Na cidade de Samaria, onde nosso texto nos leva, havia um justo: era Eliseu, homem de Deus. A piedade havia completamente desaparecido da corte. O rei Jorão era um pecador mergulhado nos mais negros vícios; suas iniqüidades eram gritantes e infames. Ele seguia o caminho de Acab, seu pai, e servia publicamente aos falsos deuses. Como seu monarca, os habitantes de Samaria tinham sido infiéis. Eles tinham abandonado a Jeová, e esquecido o Santo de Israel. A antiga divisa de Jacó: O Eterno seu Deus é o único Senhor (Deut 6:4), não era para eles mais que uma letra morta, e se curvavam diante das divindades abomináveis dos pagãos. Por isso o Deus dos Exércitos fez Israel cair sob as mãos de seus opressores; ele permitiu que Samaria fosse atacada por um exército estrangeiro, ao mesmo tempo castigada por uma fome terrível, de sorte que as maldições pronunciadas sobre o monte Hebal, se cumpriram à letra, e se viu nos muros de Samaria a mulher mais suave e delicada, que não teria, por delicadeza, tentado por a planta de seu pé sobre a terra, olhar, com cobiça nos olhos, seus próprios filhos; e rendida ferozmente pela fome, devorar o fruto de suas entranhas. (Deut 28:56-58).

Entretanto, nesta horrível conjuntura, o profeta do Altíssimo tornou-se um instrumento de salvação para a cidade pecadora. Deus usou o sal para conservar Samaria; ele foi o libertador de todo um povo sitiado. Por causa de Eliseu, de fato, e por sua instrumentalidade, Deus prometeu solenemente que, a partir do dia seguinte, os alimentos, que só se podiam obter a peso de ouro, seriam vendidos a preço vil nas portas da cidade. Imaginem, meus irmãos, a alegria da multidão ao ouvir esta predição sair da boca do santo homem. Todos reconheciam nele um profeta do Eterno; suas credenciais estavam marcadas com o selo divino; tudo o que ele havia predito se realizou. Assim, ninguém poderia duvidar, que nesta ocasião ele estivesse, mais uma vez, falando em nome de Deus.

Certamente os olhos do monarca brilharam de alegria e a multidão esfomeada saltou de júbilo, à perspectiva de uma libertação tão próxima. “A partir de amanhã”, todos eles devem ter gritado, “a partir de amanhã nossa fome será saciada! A partir de amanhã mataremos nossa fome!”.

Mas entre a alegria geral, uma voz se fez ouvir com palavras de incredulidade. Era a voz daquele capitão sobre o qual o rei se apoiara. Não nos é dito, notemos, que uma única pessoa do povo comum tenha desconfiado da predição de Eliseu; mas um alto personagem ousou fazê-lo. É uma coisa estranha, meus caros ouvintes, mas é um fato incontestável, que Deus escolhe raramente os grandes deste mundo; na verdade parece que o alto status e a fé em Cristo dificilmente estão de acordo. “Impossível!”. Gritou o oficial da corte; e somando a ironia à incredulidade, acrescentou: “eis que ainda que o Senhor fizesse janelas no céu, poder-se-ia isso fazer conforme essa palavra?”. Este foi o seu pecado: não creu na declaração do profeta, ainda que os milagres antes operados, testemunhassem da maneira mais estrondosa que ele era enviado de Deus.

Sem dúvida, o capitão de Samaria havia assistido à maravilhosa derrota de Moab; sem dúvida lhe haviam contado como Eliseu tinha descoberto os segredos de Ben-Hadad; como ele tinha abatido com cegueira os soldados enviados para lhe prender; como os tinha levado até aos muros de Samaria. Não podemos imaginar que a ressurreição do filho da Sunamita, ou a história dessa viúva, cujo óleo miraculosamente foi multiplicado pelo homem de Deus e bastou para pagar sua dívida, não fossem de seu conhecimento; e quanto à cura de Naamã; ela deve ter sido, certamente, o assunto de todas as conversas da corte (2 Reis 3, 2Reis 4, 2 Reis 5, 2 Reis 6). Entretanto, na presença de tamanha quantidade de evidências, diante dessas provas irrefutáveis da missão divina do profeta, o capitão não depositou fé em sua palavra. Pior ainda, ele a ridicularizou. Foi então que o Senhor, pela boca daquele mesmo que acabara de proclamar a libertação, fez ouvir sua sentença de condenação: “Tu verás com os teus próprios olhos, mas não comerás”. E a Providência, que sempre cuida em fazer cumprir a palavra de sua profecia, tão fielmente quanto o papel reproduz os caracteres nela impressos, - a Providência, dizíamos, fez morrer esse homem. Pisoteado nas ruas de Samaria, pereceu às portas da cidade, tendo contemplado com seus próprios olhos a abundância prometida, mas não podendo aproveitá-la.

As circunstâncias que ocasionaram esta morte trágica são desconhecidas. Talvez a forma orgulhosa e insultante do infeliz, tenha exasperado a povo; talvez ele tenha tentado impedir a multidão que se precipitava em direção às portas; talvez, ainda, tenha sido atropelado por um simples acidente (como comumente se diz); o que quer que tenha sido, o que permanece certo é que ele viveu para ver a profecia justificada pelo acontecimento, mas não o bastante para desfrutar dos benefícios anunciados pela palavra do profeta.

Eu me proponho, meus caros ouvintes, a chamar sua atenção neste dia, sobre dois pontos principais: o PECADO do homem e o seu CASTIGO. Pode ser que ao tratar do meu tema, eu não faça, exceto raramente, alusão ao homem que acabei de lhes lembrar nesta emocionante história; entretanto, espero que esse caso em particular, me ajude a melhor extrair as verdades gerais que quero lhes apresentar.

I. Em primerio lugar, o PECADO.

Primeiramente, dissemos já uma vez, que O PECADO desse homem foi a incredulidade. Ele não depositou fé na palavra de Deus; ele duvidou da veracidade e do poder do Altíssimo. Em outros termos, ele acreditava que o Senhor não cumpriria sua promessa, ou que a coisa prometida estava fora dos limites da possibilidade.

Nada é mais complexo que a incredulidade; ela possui mais fases que a lua e mais nuanças que o camaleão. Segundo uma crença popular, o diabo se mostraria às vezes de uma forma e ora de outra. O que é falso quanto a Satanás em pessoa, é perfeitamente verdadeiro quanto à incredulidade, esta filha primogênita de Satanás. Pode-se dizer dela, com toda a verdade, que seu nome é legião, porque suas formas são várias. Ora a incredulidade me aparece disfarçada em anjo de luz; ela se cobre com o nome de humildade e fala algo parecido com estes termos: "Deus me guarde da presunção ! Deus me guarde de afirmar que o Senhor me perdoa; eu sou um pecador grande demais para ousar contar com sua graça". Com freqüência os cristãos mesmos se deixam levar por esta artimanha de Satanás, e louvam a Deus por ter abençoado uma alma com tão bons sentimentos. Mas, longe de louvar a Deus, eu gemo por essa alma, porque sob esse agasalho emprestado, reconheço o demônio da dúvida.

Outras vezes, a incredulidade coloca em questão a fidelidade de Deus: "É verdade que o Senhor me ama, se diz; mas quem pode dizer se ele não vai me rejeitar em seguida ? É verdade que ontem ele me socorreu e me ponho ainda sob a sombra de suas asas; mas quem pode dizer se ele amanhã não me abandonará ? Quem pode dizer se ele sempre se lembrará de sua aliança e não esquecerá sua compaixão ?" Outras vezes ainda, a incredulidade inspira dúvidas sobre o poder de Deus. Alguém encontra em seu caminho novos entraves, ou é enlaçado por uma rede de dificuldades e pensa em seu coração: "Certamente o Senhor não saberia nos livrar". Então tenta por si mesmo se desembaraçar de seu fardo, e por que não consegue, imagina que o braço de Deus é tão curto quanto o nosso, e que sua força tão fraca como a força humana.

Mas, se essas diversas formas de incredulidade são perigosas no mais alto grau, porque elas retêm as almas longe de Jesus e levam-nas a duvidar de seu poder ou de seu amor, o que dizer daquela incredulidade terrível, confessada, mais revoltante, que, orgulhosamente e em suas cores verdadeiras, blasfema contra Deus e nega atrevidamente sua existência? O deismo, o ceticismo e o ateísmo, tais são os frutos maduros e envenenados da árvore da dúvida; essas são as mais terríveis erupções do vulcão da incredulidade. Sim, pode-se dizer verdadeiramente que ela atingiu sua perfeita estatura, que ela encontrou seu apogeu, esta incredulidade que, tirando toda a máscara e deixando de lado todo o disfarce, percorre insolentemente a terra dando seu grito de revolta: "Não há Deus !" E que levantando o braço contra Jeová, tenta abalar o trono da divindade, e em sua inconcebível loucura, parece não aspirar nada mais que se fazer Deus. Entretanto, meus amigos, notem bem que a incredulidade se manifesta sob formas mais ou menos grosseiras, mais ou menos atenuadas, mas sua natureza permanece a mesma; a seiva é a mesma, ainda que os ramos sejam infinitamente variados.

Há neste mundo certas pessoas muito estranhas, para dizer pouco, que sustentam que a incredulidade não é pecado. E o que é mais inexplicável, é que há pessoas que apesar de uma fé religiosa robusta, caem nesse erro. Conheço um jovem que entrou um dia em uma reunião de amigos e ministros do Evagelho, no momento em que se discutia muito seriamente esta questão: "É pecado o homem não crer no Evangelho ?" Pasmo, o jovem tomou a palavra e disse: "Senhores, estou ou não na presença de cristãos ? Vocês crêem ou não crêem na Bíblia ?" – "É inegável que nós somos cristãos", responderam todos de uma só voz. "Então, retomou o jovem, por que esta discussão ? A Escritura não diz, expressamente, que o mundo será convencido do pecado, porque não crerá em Cristo ? Ela também não denuncia a condenação de todo o pecador que recusa crer no Filho de Deus ?"

Este arrazoado, meus irmãos, não lhes parece tão simples quanto conclusivo ? Quanto a mim, lhes confesso, não posso compreender que homens que dizem ter respeito pela palavra inspirada, não aceitem implicitamente o que ela ensina. Eu não posso compreender que sob o pretexto de aliar a verdade com não sei quais dados da razão humana, se tenha ousadia de negar as declarações divinas. A verdade é uma torre forte que não tem necessidade de ser apoiada pelo erro. A Palavra de Deus saberá muito bem permanecer em pé, apesar dos ataques de seus inimigos e sem os sofismas de seus pretensos amigos. Pois a Escritura declara nestes termos a causa da condenação: que a luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas do que a luz; lá nós lemos palavras como estas: aquele que não crê, já está condenado, porque não crê no nome do Filho de Deus; eu não temo afirmar da maneira mais positiva, com a Palavra de meu Mestre, que a incredulidade é um pecado.

Sejamos razoáveis, são necessários grandes argumentos para demonstrar esta verdade ? Ela não se prova, por si mesma, a todo espírito racional e sem preconceito ? O quê ? Não é uma coisa medonha, que uma criatura ouse colocar em dúvida a Palavra daquele que a formou ? Não é um crime e um insulto à Divindade, que eu, miserável átomo, grão de areia perdido nesta imensidão, ouse desmentir o Todo-poderoso ? Não é o cúmulo da arrogância e do orgulho, que um filho de Adão diga em seu coração: "Deus ! Eu duvido de tua graça, duvido de teu amor, duvido de teu poder !" Oh ! Meus queridos ouvintes, creiam-me; ainda que fosse possível amalgamar, por assim dizer, os mais vergonhosos delitos; ainda que vocês pegassem os assassínios, a blasfêmia, a cobiça, o adultério, a fornicação, em resumo, tudo o que há de mais vil, de mais imundo, de mais revoltante sobre a terra, e que todos estes crimes reunidos, vocês pudessem deles fazer um único crime monstruoso, esta massa hedionda de corrupção e de impureza, seria menos ainda que o pecado de incredulidade. Sem opositor, esse é o pecado rei; ele é a quintessência de tudo o que é mal; o princípio e o veneno de todo o vício; a escória de toda a maldade, a obra-prima de Satanás. Mas para melhor lhes fazer compreender a excessiva malignidade desse pecado, permitam-me entrar com alguns desenvolvimentos.

1. Primeiramente, observem que a incredulidade pode ser chamada, e com justiça, a mãe de todos os outros pecados. De fato, não há crime que ela não possa engendrar. A ela deve ser imputada, em grande parte, a culpa pela queda de nossos pais. O quê ? -pergunta o tentador à Eva – Deus disse para vocês não comerem de toda a árvore do jardim ? Ele insinua habilmente uma dúvida em sua alma - "Seria correto lhes fazer uma restrição como essa ?" parece lhe dizer.
A incredulidade foi como a parte mais afiada da lâmina mortal, que Satanás introduziu no coração de Eva; foi ela quem abriu passagem à curiosidade, à cobiça e a todo tipo de maldades pensadas. E desde o dia, nunca suficientemente lamentado, quando o pecado entrou no mundo, e pelo pecado a morte, quem poderia contar as iniqüidades sem número, às quais a incredulidade deu origem ? Todo incrédulo é capaz de cometer o mais negro dos crimes que jamais tenha poluído a terra. A incredulidade, meus irmãos, foi ela que endureceu o coração de Faraó, ela que descontrolou a língua de Rabsaquê, ela que tornou-se deicida e crucificou o Rei da Glória ! Não é a incredulidade, que a cada dia ainda, afia a faca do suicida, prepara a taça envenenada, conduz à prisão milhares de criminosos, e faz descer à tumba ignominiosa o pecador contumaz que se lança ao encontro de seu Juiz, com as mãos ainda tintas de sangue ? Aponte-me um homem incrédulo; me assegurem de que ele despreza a Palavra de Deus, que ele não deposita fé nem em suas promessas, nem nas suas ameaças; e postas estas premissas , eu não temeria concluir que, a menos que um poder preventivo extraordinário seja exercido sobre esse homem, algum dia ele será culpado dos excessos mais vergonhosos. A incredulidade é o Belzebu dos pecados; como o príncipe dos demônios, ela não anda só; mas quando ela penetra no coração, traz sempre em seguida um longo cortejo de maus espíritos. Nela encontramos o germe de todos os vícios, a semente de toda a iniqüidade; em resumo, não há nada mais odioso, mais vil, mais degradante no mundo, que não esteja incluído nesta única palavra: INCREDULIDADE.

E este é o momento de dizer que a incredulidade que se introduz em alguns momentos no coração do filho de Deus, é absolutamente da mesma natureza daquela do não convertido. Sem dúvida, suas conseqüências finais serão bem diferentes, porque a incredulidade do cristão lhe será perdoada... Que digo eu ? Ela já está perdoada ! Ela foi colocada, com todas as suas transgressões, sobre a cabeça daquele cujo símbolo era o bode emissário; por conseqüência, ela foi expiada e apagada para sempre. Entretanto, repito, quanto à sua natureza, ela não difere em nada da outra incredulidade. Digo mais: se há um pecado mais odioso ainda que a incredulidade do mundano, certamente deve ser a incredulidade do filho de Deus. Que alguém ponha dúvida na Palavra de seu Mestre, aquele que recebeu inumeráveis testemunhos de seu amor, de garantias reiteradas de sua misericórdia, mostre desconfiança em seu Pai celeste, oh! não é isso, lhes pergunto, uma iniqüidade sem nenhum paralelo ? No cristão, não menos que no mundano, a falta de fé é a raiz de toda a sorte de maldade. Quando eu for perfeito na fé, serei perfeito em relação a tudo. Obedecerei sempre os preceitos de Deus, se eu sempre crer em suas promessas. Eu peco, porque minha fé é fraca. Que eu seja pobre, abatido por preocupações, desprovido de tudo, mas se posso com confiança levantar minhas mãos ao alto e dizer: “o Senhor proverá”, ninguém me verá jamais recorrer a meios iníquos para melhorar minha posição; mas, ao contrário, se não deposito fé nas promessas divinas, o quê virá ? Talvez pudesse furtar, ou cometer alguma ação desleal para escapar dos meus credores, ou mergulharia nos hábitos da intemperança para afogar minhas ansiedades. Tirem-me a fé, e meu ser moral não terá mais freio. Ora, como controlar sem freios nem rédeas, um cavalo indócil ? Tal como a fábula nos apresenta o carro do sol conduzido por Faeton, assim nós seríamos sem a fé – errantes ao acaso e indo para a perdição. É, portanto, correto dizer que a incredulidade é a mãe de todos os vícios; é o pecado por excelência, porque traz em seu seio todos os outros.

2. Mas não é tudo. Não somente a incredulidade dá origem aos pecados, mas ainda os alimenta e conserva. Vocês nunca se perguntaram, meus amados ouvintes, como os homens continuam vivendo segundo os ditames de seu próprio coração, mesmo tendo sobre seus ouvidos as ameaças do Sinai ? Como se explica, por exemplo, que quando um Boanerges (isto é, filho do trovão, Mc 3:17), sustentado pela graça de Deus, levanta a voz e grita do alto da tribuna da verdade: “Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da lei, para praticá-las” (Gl 3:10; Deut 27:26); como se explica que o pecador escute sem tremer as terríveis ameaças da justiça divina, e permaneça em seu endurecimento e nada mude em seu mau caminho ? Vou lhes dizer, meus amigos, é simplesmente porque a incredulidade está no fundo de seu coração; é ela que impede as ameaças de Deus tocarem seu coração. Quando nossos mineiros trabalhavam diante de Sebastopol, eles não podiam, e vocês sabem por que, trabalhar tranqüilamente diante dos muros da cidade; assim, o que fizeram eles ? Primeiro eles tiveram o cuidado de construir as trincheiras atrás das quais poderiam responder ao fogo inimigo e prosseguir seu trabalho embaixo da terra sem perigo. Acontece o mesmo com o não convertido. Sua trincheira é a incredulidade. Satanás lhe dá este abrigo, a fim de que as exigências da lei não atinjam sua consciência. Ah ! Pecador que hoje está envolvido por uma orgulhosa indiferença, se nunca o Santo Espírito se dignar a converter sua incredulidade, se ele não se dirigir a você com uma demonstração de espírito e de poder, com que força a Palavra de Deus salvará sua alma ? Virá o dia quando os homens serão fortemente convencidos que a lei é santa e que o mandamento é santo, justo e bom; quem poderia marcar limites ao poder da Escritura sobre seus corações ? Eles se veriam constantemente suspensos em cima do inferno; eles levariam a sério às ameaças divinas. Então, não haveria mais, na casa de oração, nem indiferentes, nem sonolentos, nem ouvintes desatentos; então, depois de ouvir a Palavra, ninguém a esqueceria tão rápido. Sim, eu digo isto com plena convicção, sem a incredulidade, nenhuma exigência lançada pelas temíveis baterias da lei, deixaria de atingir seu alvo e grande seria o número daqueles que seriam mortos pelo Eterno. (Is 66:16).

Como é possível que os homens possam ouvir os doces, tocantes convites da cruz do Calvário, sem vir a Cristo ? Como é possível que quando os pregadores do Evangelho tentem lhes expor os sofrimentos inexprimíveis de Jesus, quando lhes falam de sua paixão e de sua agonia, e terminem por lhes dizer da parte de Deus – há ainda lugar; venham porque tudo foi feito – digam, meus caros ouvintes, como é possível que seus corações não lhes sejam quebrantados ? Por que vocês não gritam, batendo no peito:

Ó Cristo, teu amor profundo
Toque, penetre nosso coração;
Tu morreste pelos pecados do mundo,
Só tu és nosso Deus e Salvador ?

E no entanto me parece que a cena do Calvário é comovente o suficiente para amolecer o mármore mais duro! Creio que o lúgubre drama do Gólgotha faria chorar até as pedras, e deveria arrancar lágrimas de arrependimento e de amor ao miserável mais endurecido! Mas vejam. Nós lhes falamos e falamos estas coisas e onde estão aqueles que se afligem ? Onde estão aqueles que choram ? Oh ! Humilhante insensibilidade do coração do homem ! Até as rochas se fenderam ao ver Jesus morrer; e vocês, que a cada dia o contemplam, por assim dizer, crucificado de novo sob seu olhos, assistem a este espetáculo com tanta despreocupação que ele não lhes diz mais nada ! Oh ! Vocês todos que passam, olhem e vejam. Não lhes importa que Jesus esteja morto ? "Não. Isso não nos toca", na maioria das vezes vocês respondem. Por que é assim, meus amigos ? Ah ! É por que entre vocês e a cruz do meu Salvador, há pensamentos de incredulidade. Se o véu espesso da dúvida não lhes furtasse a figura divina de Jesus, seu olhar de amor derreteria o gelo de seus corações. Mas a incredulidade neutraliza, de alguma maneira, o poder do Evangelho; ela o impede de agir sobre a alma e somente quando o Santo Espírito expulsa essa incredulidade, quando Ele dá um golpe mortal no ceticismo natural do coração humano, então o pecador pode se aproximar de Jesus e pôr nele sua confiança.

3. Uma terceira consideração que nos fará compreender bem apropriadamente o quanto a incredulidade é odiosa, é que ela nos incapacita para toda boa obra.
Estas palavras do Apóstolo – tudo o que não é feito com fé, é pecado (Rm 14:23) - são verdadeiras em mais de um sentido. Deus não se agrada quando não dou valor à moralidade ! Deus se agrada quando eu me refiro à probidade, à temperança ou qualquer outra virtude humana, com elogio e respeito. Mas depois de ter dado a essas coisas seu legítimo valor, sabem o quê eu acrescentarei ? Isto: todas as virtudes puramente humanas, são parecidas com aquelas pequenas conchas que servem de moeda em certas partes da Índia. Eles servem para comprar na Índia, mas na Europa não têm valor algum. Analogamente, as virtudes humanas podem servir como moeda corrente aqui embaixo, mas no alto não servem para nada. Se você não tem algo melhor que sua própria excelência, você não entrará jamais no céu. Sem dúvida, se devesse passar minha vida no meio do povo indiano, eu teria que ter muitas conchas; mas se devo viver num país civilizado, uma outra moeda me é necessária. Assim, a probidade, a temperança e outras coisas semelhantes, são muito boas para a terra, e quanto mais vocês as possuírem, mais lhes valerá. Todas as coisas que são justas, puras, amáveis e de boa reputação, eu lhes exorto, meus irmãos, à procurar e praticar; mas ao mesmo tempo lhes declaro, lhes é necessário mais para entrar no céu. Sem a fé, todas essas coisas reunidas não têm nenhum valor diante de Deus. As virtudes, sem a fé, são pecados caiados por fora e nada mais. A obediência sem a fé – (admitindo que isso fosse possível) – não seria mais que desobediência disfarçada. A incredulidade anula tudo. É a mosca que deteriora o perfume (Ecc 10:1); é a erva venenosa que envenena o jarro (2 Reis 4:38-41). Se possuíssemos todos nós a pureza mais amável, a filantropia mais generosa, a simpatia mais desinteressada, o gênio mais nobre, o patriotismo mais devotado, a integridade mais conscienciosa, mas não tivéssemos a fé, não temos nada. Sem a fé, diz o Apóstolo, é impossível agradar a Deus.
E esta incapacidade para o bem, inseparável da incredulidade, é encontrada entre os cristãos mesmos, por conta de uma fé fraca.

Permitam-me, meus irmãos, lhes contar uma simples história, um fato narrado nos Evangelhos. Um certo homem tinha um filho possuído de espírito maligno. Jesus estava no monte Tabor, na glória de sua transfiguração. Não podendo chegar até o Mestre, o infeliz pai conduziu seu filho aos discípulos. A primeira atitude deles foi dizer: "Sim. Nós expulsaremos o demônio!" e logo lhe impuseram as mãos. Mas de repente uma dúvida surgiu em seus corações. "Será que vamos conseguir?" questionaram uns aos outros com inquietação. Logo o possuído começou a espumar; rangia os dentes, e rolava por terra, se debatia em terríveis convulsões. Evidentemente, o espírito maligno ainda estava lá. Em vão os discípulos redobraram os esforços. Como um leão na caverna, o demônio parecia lhes desafiar. “Espírito impuro! Sai deste homem!” gritaram com nova energia; mas ele não saiu. “Espírito das trevas! Volte para o seu lugar !" repetiram; mas ele não lhes obedeceu. Os lábios incrédulos dos discípulos não podiam incomodar o Maligno, que pronto lhes pôde dizer: "Eu conheço a fé e conheço Jesus, mas não sei quem são vocês." Se os discípulos tivessem a fé somente como um grão de mostarda, eles teriam expulsado o demônio; mas sua fé era fraca; por isso eles foram incapazes.

Vejam, ainda, o que aconteceu ao Apóstolo Pedro. Ele cria na palavra de Jesus e andou sobre as ondas. Que andar admirável, que me faz freqüentemente invejar o apóstolo. Se sua fé não tivesse enfraquecido, quem poderia dizer até onde Pedro teria ido ? Com a fé para sustentá-lo, ele teria podido atravessar o Atlântico e atingir o Novo Mundo ! Mas eis que, depois de um momento, Pedro vê uma onda ameaçadora que vem em sua direção e ele se pergunta aterrorizado: "Ela não vai me engolir ? " Depois ele pensa: "Que presunção a minha em ousar me aventurar assim sobre as ondas ?" Logo, Pedro começa a afundar. A fé era a corda que o mantinha em cima da água. Com ela, seu passo estava firme; sem ela, começou a perder o pé. Será sempre assim conosco também, meus amados irmãos. Todos, quantos sejamos, temos de andar sobre as águas. O quê é sua vida ou a minha, senão um andar constante em meio às ondas furiosas? Você queria permanecer de pé em meio ao mar tormentoso ? Tenha fé em Deus. No momento em que você deixar de crer, as águas da aflição entrarão em sua alma e você afundará. E por que, então, você ainda duvida, ó gente de pequena fé ?
A fé desenvolve todo o bom pensamento, todo o bom sentimento; a incredulidade, ao contrário, os mata. Quantas orações não foram sufocadas desde seu nascedouro! Quantas santas aspirações não foram abatidas de morte, antes mesmo de verem o dia! Quantos louvores não teriam alimentado os corações celestes e foram rechaçados pelo sopro ímpio da dúvida! Quantos nobres projetos, concebidos no coração, foram tristemente abortados por causa da incredulidade ! Aquele homem seria talvez um missionário devotado; aquele outro, um ousado pregador do Evangelho, se a incredulidade não tivesse esfriado seu generoso propósito. Mostre-me um gigante espiritual incrédulo, e logo ele se tornará um anão. A fé é, para o cristão, o que era sua cabeleira para Salomão. Tire-lhe a fé e você poderá lhe furar os olhos e reduzi-lo a uma completa incapacidade.

4. Observem ainda, meus caros ouvintes, que o pecado de incredulidade deve ser de uma natureza odiosa, porque em todos os tempos o Senhor o puniu severamente. Para nos convencermos desse fato, abramos as Escrituras.

Eu vejo um mundo cheio de brilho, beleza e esplendor, onde suas montanhas riem ao sol e seus vales são banhados por uma atmosfera de ouro. Virgens dançam sob as sombras e jovens cantam em coro. Oh! Maravilhosa visão!
Mas, subitamente um velho de aspecto grave e respeitável aparece em cena. Ele levanta sua mão e grita : “Em breve um dilúvio vai cair sobre a terra e as fontes do grande abismo se romperão; as águas cobrirão todas as coisas. Estão vendo esta arca? Durante 120 dias trabalhei com minhas próprias mãos para construí-la. Apressem-se e nela busquem refúgio e serão salvos”. “Ah ! Velho crédulo, que temos nós contigo? Lhes respondem zombando. Deixe-nos aproveitar a vida em paz. Pensaremos no dilúvio quando ele vier. Mas ele não virá, nós sabemos. Vá profetizar a outros. “E a multidão despreocupada, retoma seus cantos e danças. Mas ouçam, incrédulos! Vocês ouvem esse barulho surdo e estranho? As entranhas da terra começam a perturbar-se; seus vastos flancos estão sendo devastados por terríveis convulsões internas. Cedendo a uma tensão enorme, elas eclodem, e águas concentradas, que desde o dia em que Deus as confinou no interior do globo, jamais haviam aflorado, escapam por todas as partes em torrentes impetuosas. E a abóbada celeste! Ela é fendida ao meio. E chove, não apenas gotas de água, mas torrentes de nuvens inteiras. Uma catarata, mais potente que a de Niágara, se precipita do firmamento com um clamor terrível. Os dois abismos – o abismo de cima e o abismo de baixo – se encontram e dão as mãos. Onde estão vocês agora, ó incrédulos ? Eu olho, procuro, e não vejo mais que um único homem; em pé sobre uma ponta de rocha, que se eleva solitário acima das águas. Por longo tempo sua mulher se agarrou a seu corpo, mas seu esforço foi em vão! Ela acaba de ser arrastada. Ele mesmo perde rapidamente o pé. A água atinge seu peito. Ouçam seu último grito! Ele sucumbe, se afoga e é levado pela correnteza. Então Noé, olhando da arca, não vê nada, mais nada. Reina o vazio, o caos, o nada! Os monstros marinhos se batem dentro dos palácios dos reis. Tudo está revirado, submerso, revolvido sob as águas. Qual é a causa desta terrível catástrofe? Meus irmãos, vocês disseram: é a incredulidade! Pela fé, Noé foi salvo. Pela incredulidade, o mundo pereceu.

Abramos, ainda, a Escritura. Eis aqui dois grandes servos de Deus, Moisés e Arão. Eles receberam a missão de introduzir o povo de Israel na terra de Canaã, mas, coisa estranha, eles mesmo não puderam entrar. Por que isso? A Palavra de Deus vai nos dizer. Eles não honraram o Eterno diante do povo, nas águas de contestação. Eles bateram na rocha com um gesto de impaciência, ou seja, eles foram incrédulos; e o Senhor os condenou a morrer antes de entrar na terra da promessa, naquele bom país pelo qual eles haviam suspirado e sofrido (Nm 20: 1-13).

Um outro exemplo. Deixem-me lhes conduzir, meus irmãos, por aquele meio selvagem e desolador que Moisés e Arão andaram. Como o beduíno nômade, tornaram-se filhos do deserto. Viajantes cansados, errantes pelas areias escaldantes do deserto da Arábia. Ali, jaz um esqueleto ressecado pelo sol; aqui, podemos ver um outro; mais distante, um terceiro; mais longe ainda, outros vários. O que são esses ossos ressequidos? De onde vieram tantos restos humanos? Quem me explicará sua presença neste lugar ? Certamente, o vento do deserto ou o fogo inimigo fez perecer aqui, em uma única noite, um potente exército. Não, esses ossos são os ossos de Israel; esses restos são das velhas tribos de Jacó. Elas não puderam entrar no país da promessa, por causa do medo e da incredulidade. Elas não depositaram confiança em Deus. Os espias tinham declarado que a conquista de Canaan era impossível e o povo creu neles mais que em Jeová (Nm 13).

Eis por que os corpos mortos daquela geração caíram em sua solidão. Não foram os descendentes de Hanaque que destruíram Israel; o vento em brasa do deserto não consumiu aquela gente de elite e as águas do Jordão não puseram obstáculo à sua entrada em Canaan; nem os Heveus, nem os Jebuseus os exterminaram. A incredulidade somente, foi a causa de sua perdição. Oh ! Infeliz Israel ! Depois de quarenta anos de marcha penosa no deserto, ver-se excluída da terra prometida, em punição de sua incredulidade !

E sem ter medo de multiplicar, além da medida, a quantidade de exemplos do mesmo gênero que a Bíblia me fornece, vejam Zacarias, o pai do Precursor. Ele duvidou, vocês sabem, e imediatamente o anjo o fez ficar mudo; sua língua foi amarrada, por causa de sua falta de fé.

Mas queiram, meus queridos amigos, contemplar, sob as cores mais sombrias, as terríveis manifestações de incredulidade. Vocês querem saber de que maneira o Senhor castiga uma nação que não crê? Venham comigo à Jerusalém, a este massacre assustador, sem precedentes na história! Vejam os Romanos pondo no chão as muralhas da santa Cidade; vejam-nos fazendo passar ao fio da espada ou vendendo como escravos nos mercados públicos, todos os habitantes que encontraram na cidade. Releiam a história comovente da destruição de Jerusalém cumprida por Tito. Detenham-se no relato trágico da morte desses judeus desesperados que, antes de cair nas mãos dos Romanos, se golpearam mutuamente. Mas, por que temos necessidade de olhar o passado? Os julgamentos de Deus não pesam ainda sobre o seu povo ? Hoje ainda, Israel não está dispersa sobre a face da terra, errante, exilada, sem nacionalidade e sem pátria ? Ela foi cortada, como um sarmento é cortado do cepo. E vocês sabem por que ? Foi em punição por sua incredulidade. Aqui e em nenhum lugar mais, está a causa das calamidades que foram derramadas sobre esse povo. Também, toda a vez que vocês encontrarem um judeu com olhos sombrios e tristes; toda a vez que vocês o virem, filho de uma terra longínqua, pisando, como um proscrito, um solo estrangeiro, digam a vocês mesmos: “Foi a incredulidade, ó Israel, que lhe fez tornar-se assassina de Cristo; foi ela que lhe dispersou entre as nações; e só a fé – a fé no Nazareno crucificado – poderá lhe fazer entrar outra vez em sua pátria e lhe dar seu antigo esplendor.”

Oh! Sim, Deus odeia a incredulidade com um ódio todo particular. Como Caim, Ele a marcou na fronte com o sinal de sua cólera. Ele a abateu com rudes golpes no passado e a aniquilará completamente no fim. A incredulidade desonra o Senhor. Qualquer outro crime não toca, por assim dizer, Seu território, mas este ousa atacar sua divindade mesma; ele vai contra a Sua verdade, nega Sua misericórdia, insulta Seus atributos, desfigura Seu caráter. Por isso repito, não há nenhum pecado tão abominável aos olhos de Deus como o pecado da incredulidade, sob qualquer forma que ele seja produzido.

5. Emfim, para fechar esta parte de meu tema, eu lhes faria notar, meus amigos, que a incredulidade é um pecado irremissível. O Evangelho nos fala de um pecado pelo qual Cristo não morreu: é o pecado contra o Espírito Santo. Mas existe um outro pelo qual Jesus jamais fez expiação: o pecado da incredulidade. Digam-me, um após outro, todos os crimes que figuram no catálogo do mal, e lhes citarei as pessoas a quem esses crimes foram perdoados; mas perguntem-me se um homem que morre incrédulo pode ser salvo, eu lhes responderei sem hesitar: “Não, não há perdão, não há salvação possível para esse homem!”. Sem dúvida, a incredulidade do filho de Deus foi expiada, porque ela é temporária; mas para aquela incredulidade final, que jamais se arrepende, eu lhes repito, não foi feita expiação por ela. Examinem a Bíblia do começo ao fim; em seu todo vocês encontrarão que o homem que morre sem possuir a fé, não pode esperar nada mais que condenação eterna. Ele está fora da graça divina. Se foi dado como culpado de todos os outros pecados, mas havia possuído a fé, ele foi salvo; mas se não a possuiu, por conseqüência está condenado. Demônios, ele lhes pertence! Espíritos infernais, precipitem-no no abismo! Ele não creu e foi para convidados como esse que o inferno foi preparado. O inferno é o quinhão dos incrédulos; é sua herança, seu patrimônio, a prisão que em todos os tempos lhes foi destinada. As cadeias eternas estão marcadas com seus nomes, e eles reconhecerão, como nunca, a verdade desta palavra de Cristo: Aquele que não crer será condenado!

II. Isto nos conduz naturalmente a abordarmos a segunda parte de nosso temam, ou seja, o CASTIGO.

Nós pedimos sua atenção sobre a natureza e sobre alguns dos principais caracteres do pecado no qual o capitão de Samaria se fez culpado; nos falta constatar qual foi seu CASTIGO. “Eis que tu o verás com os teus olhos, porém disso não comerás” – tal foi a sentença da parte de Deus que Eliseu lhe pronunciou.

Ouçam esta sentença, ó incrédulos, porque se vocês não se converterem, ela será também a sua ! Sim, vocês também, vocês verão com os seus olhos, mas não comerão jamais. E isto, em certas circunstâncias, pode ser aplicado mesmo aos filhos de Deus. Quando sua fé é flácida, eles contemplam as maravilhas da graça divina, mas não podem delas nutrir-se. Assim, por exemplo, se pode dizer que naquela terra do Egito, há agora trigo em abundância; entretanto, há muitos cristãos que no domingo, ao entrar na casa de Deus, dizem com tristeza : “Eu não sei em verdade se o Senhor estará comigo hoje”. Outros ainda, ouvindo o pregador, pensam em suas mentes: “Certamente o Evangelho foi fielmente anunciado, mas não sei se penetrará nos corações”. Estes cristãos estão sempre a duvidar e a temer; a temer e a duvidar. Também lhes pergunte, ao sair do culto divino, se suas almas encontraram o alimento que precisavam. “Não”, lhes responderão suspirando, “não havia nada que nos convencesse”. Eh! É tudo muito simples, meu irmão. Você viu com os seus olhos o pão da vida, mas não o pôde comer, porque você não tinha fé. Se você tivesse trazido à casa de Deus um coração simples e confiante, você teria se alimentado bem. Eu conheço cristãos que se tornaram tão extremamente exigentes e refinados, que se a carne espiritual que lhes apresentam, permitam-me a expressão, não foi destacada de suas imaginações, ou servida através da pesquisa mais esmerada, eles não a querem. Então, não ficarão totalmente subnutridos? E que tomem cuidado, porque isto acontecerá com eles muito provavelmente, se continuarem a se mostrar tão difíceis. Ou talvez, as ervas amargas da aflição estimularão seus apetites enojados ou Deus lhes obrigará a jejuar durante algum tempo, após o que, eles se verão como muito felizes ao receber o alimento mais ordinário e simples. Ora, onde procurar a causa secreta desse espírito descontente e crítico que impede também os filhos de Deus de aproveitar da pregação do Evangelho, se não na incredulidade? Se vocês cressem, meus amados, vocês ouviriam uma única promessa de Deus, e isso lhes bastaria. Bastaria apenas dirigir a vocês uma boa palavra diretamente do trono de Deus; porque não é o que ouvimos, mas o que nós nos apropriamos, por uma fé real e viva que traga proveito à alma.

Mas é, sobretudo, aos não convertidos que se aplica esta terrível ameaça : tu verás com os teus olhos, mas não o comerás. De fato, os filhos do mundo vêem cumprir-se sob seus olhos as obras magníficas do Senhor, e permanecem completamente estranhos. Hoje mesmo uma grande multidão veio a este lugar de culto para ouvir a pregação da Palavra, mas quantos, infelizmente retornarão com a alma tão vazia quanto entraram ! O homem não pode nutrir sua alma pelas orelhas, mais do que seu corpo pelos olhos. E, no entanto, a maioria de nossos ouvintes, vem à casa de Deus por pura curiosidade. “Vamos ouvir aquele orador, dizem eles; vamos ver aquele caniço agitado pelo vento”. Assim, eles vêm e voltam; eles vêm, vêm, vêm de novo, mas não recebem nenhuma bênção. Ao redor deles, há talvez pessoas que se convertem. Aqui, uma alma foi chamada pela graça soberana de Deus; ali, um pobre pecador se derrete em lágrimas sentindo a sua culpa; acolá, um coração contrito implora a graça divina e além dele uma voz repete a oração do arrependido: Oh! Deus, tenha misericórdia de mim, pecador. Mas quanto àqueles, nada os toca. Eles permanecem frios e impassíveis. É assim que, neste momento em que lhes falo, uma bela obra se processa neste rebanho; mas a maior parte de vocês, daquilo não sabe nada, nem se interessa, porque nenhuma obra é feita em seus próprios corações. E como poderia ser diferente, meus amigos ? Vocês julgam esta obra impossível; duvidam do poder de Deus; não crêem em sua ação regeneradora; em outros termos, vocês são incrédulos. Disso vem, que neste tempo de glorioso avivamento e de efusão da graça, o Senhor, que nunca prometeu agir em favor daqueles que não o honram, permite que suas almas permaneçam sem arrependimento, sem vida e sem salvação. Vocês vêem com seus olhos, mas não comem.
Mas não é tudo, ó pecadores ! O mais terrível cumprimento desta sentença, ainda está por vir. Conta-se que o ilustre pregador Whitefield levantava, às vezes, suas duas mãos aos céus, gritando com todas as suas forças – e como eu gostaria que me fosse dado a gritar neste instante mesmo – “A cólera virá ! A cólera vem!”. O que é a cólera do tempo presente, comparada com aquela que caíra sobre vocês no futuro? Oh! Então, verdadeiramente vocês verão com seus olhos, mas não poderão comer.

Parece que o grande dia do julgamento é chegado. O tempo já não existe; eu ouço vibrar seu sino fúnebre; sua última hora soou; a eternidade tomou lugar. O mar está em ebulição; suas vagas batem com um estrondo sobrenatural. Eu vejo um arco-íris, uma nuvem densa que atravessa o espaço. Sobre essa nuvem está um trono, e sobre o trono está sentado alguém semelhante ao Filho do Homem. Sim, é ele, eu o reconheço ! Em sua mão, ele segura a balança da justiça divina. Diante dele estão os livros – o livro da Vida, o livro da Morte, e o livro das memórias. Eu vejo seu esplendor, e me regozijo; eu contemplo a pompa de sua chegada e estremeço de alegria por aquele que, enfim, veio para ser admirado por todos os seus santos. Mas eu percebo, no fundo do quadro, uma multidão de infelizes, tremendo, perdidos, tomados de horror. Eles curvam suas frontes até ao pó; eles tentam se esquivar de todos os olhares. “Rochas, caiam sobre nós ! “ - eles gritam. “Montanhas, escondam-nos de sua face ! “ Sua face ? Que face é esta que lhes causa tanto medo? “É a face de Jesus, daquele que foi morto e que agora veio para julgar. Mas é em vão, ó pecadores, que vocês procurem fugir da presença do Filho do Homem; é necessário que vocês contemplem Aquele que vocês traspassaram. Vocês não se sentarão à direita do Senhor, vestidos de roupas fulgurantes, mas vocês serão testemunhas de sua glória; e quando o cortejo triunfal de Jesus aparecer sobre as nuvens do céu, vocês não poderão participar, mas verão com seus olhos. Oh! Eu creio que o vejo neste instante mesmo, o poderoso Redentor, subindo aos céus, em seu corcel de vitória ! Vocês ouvem este barulho estrondoso? Esses são os passos de seu poderoso exército, que ressoa sobre as colinas eternas. Um cortejo vestido de branco vem após ele, e nas rodas de sua carruagem estão atados Satanás, a morte e o inferno. Vejam como estes resgatados batem palmas; ouçam seus gritos de alegria. “Tu subiste às alturas; levaste cativo o cativeiro” (Sl 58:18), dizem eles. Admirem o esplendor de sua aparência; observem as coroas que cingem suas frontes; vejam suas túnicas brancas como a neve; notem a piedade que transpira de suas faces. Ouçam ! Eles entoam um canto sublime: Aleluia, o Senhor Deus onipotente reina ! (Ap 19:6). E a voz do Eterno lhes responde: Eu me regozijarei por tua causa com grande alegria; eu me regozijarei por tua causa, com um canto de triunfo, porque te esposei para sempre! (Sf 3:17; Os 2:19).

E onde estão vocês durante esse tempo, ó incrédulos? Vejam a multidão dos resgatados, mas onde estão vocês? Infelizmente! Vocês vêem com seus olhos, mas não podem comer. O banquete de núpcias está pronto; o fruto da vinha foi servido; os convidados tomam lugar à mesa do Rei; mas vocês, infelizes e famintos, não podem provar do festim eterno. Oh! Eu creio que lhes posso ver, torcendo suas mãos de desespero!

Se ao menos lhes fosse possível comer como os cães, das migalhas que caem sob a mesa do Mestre; mas não, até isto lhes foi impedido!

Um pensamento mais e termino.

Pecador impenitente, eu lhe vejo agarrado a um rochedo nas profundezas do inferno; a alma destroçada pelo cruel abutre do remorso. Você eleva os olhos e reconhece Lázaro, descansando no seio de Abraão. “Isto é possível ?” – você grita. “O que ? Este mendigo que se deitava sobre o esterco; este miserável que os cães vinham lamber suas feridas; hei-lo no céu, enquanto eu, rico quando vivia, estou no inferno pela eternidade ! Pai Abraão, tenha piedade de mim, e envie Lázaro a fim de que molhe seus dedos na água, para me refrescar a língua.” Mas sua súplica é vã, ó pecador ! E se pode haver no inferno um sofrimento mais intenso que qualquer outro, será aquele que você provará ao ver os santos regozijarem-se com uma felicidade da qual você jamais poderá ter parte. Oh ! Jovem, olhe. Veja sua mãe no céu, enquanto que você foi jogado fora ! Veja seu irmão, aquele que dormiu no mesmo berço que você e brincou no mesmo lar; veja seu próprio irmão elevado à glória, enquanto que você foi baixado até o abismo ! Marido, veja sua mulher entre os bem-aventurados, e você, contado com os perdidos ! Pai, veja teu filho em pé diante do trono, e você, maldito de Deus e dos homens, está no fogo eterno ! Oh ! Quem poderia dizer o que passará no coração do condenado, quando ele vir seus pais, seus amigos, saciados com as delícias inefáveis e o que sentirá em ser privado dessas coisas por toda a eternidade ! Tu verás com os teus olhos, mas nunca o comerás !
E agora, eu lhes conjuro, meus queridos ouvintes, - pela morte de Cristo; pela sua agonia e seu suor sangrento; por sua cruz e paixão; por tudo que há de mais sagrado sobre a terra, mais santo no céu, mais solene no tempo e na eternidade; pelos horrores indizíveis do inferno; pelas alegrias inexprimíveis do paraíso; - eu lhes conjuro, levem estas coisas a sério e lembrem-se que, se sua alma for perdida, será a incredulidade a razão de sua perdição. Sim, se vocês perecerem, será porque vocês recusaram crer em Jesus Cristo; e a gota mais amarga de sua dor, será o pensamento que você não quis entregar-se a este Salvador amoroso que diz a todos em sua Palavra : de maneira nenhuma lançarei fora aquele que vier a mim !

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Traduzido por: Paulo Athayde
Janeiro de 2006.

sábado, 26 de abril de 2008

O Exemplo dos Apóstolos

por
E. M. Bounds

Dê-me uma centena de pregadores que nada temem a não ser o pecado, nada desejem a não ser Deus, e não me importa se são clérigos ou leigos; somente tais pessoas abalarão os portões do inferno e estabelecerão o reino dos céus sobre a terra. Deus nada fez a não ser em resposta à oração.
— João Wesley

Os apóstolos conheciam a necessidade e o valor da oração para o seu ministério. Reconheceram que a sua nobre missão como apóstolos, em lugar de aliviá-los da necessidade de oração, impelia-os a ela como uma necessidade mais urgente; assim eles foram excessivamente zelosos para que alguma outra tarefa importante não viesse esgotar seu tempo e impedisse a sua oração como deviam fazer; assim, escolheram leigos para cuidar dos deveres delicados e crescentes de ministrar aos pobres, a fim de que eles (os apóstolos) pudessem, sem empecilho, “perseverar na oração e no ministério da palavra” (Atos 6:4). Colocaram a oração em primeiro lugar e derem ênfase à sua posição com respeito à oração, “entregaram-se a ela”, tornando-a uma tarefa, sujeitando-se a ela, dando-lhe fervor, urgência, perseverança e tempo.
Como os santos apóstolos se devotaram a este divino trabalho de oração! “Orando abundantemente dia e noite”, diz Paulo. “Mas nós perseveraremos na oração...” foi a resolução dos dedicados apóstolos.

Como estes pregadores do Novo Testamento se entregaram à oração pelo povo de Deus! Como apresentaram Deus às suas igrejas, com toda plenitude, por suas orações! Estes santos apóstolos não tinham a presunção de que haviam satisfeito seus altos e solenes deveres pela entrega fiel da Palavra de Deus, mas sua pregação, pelo ardor e insistência de suas orações, ficou gravada nas mentes dos ouvintes e produziu efeitos.
A oração apostólica era tão determinante, árdua e imperativa como a pregação. Oravam poderosamente, de dia e de noite para trazer seu povo aos lugares mais altos da fé e santidade. Oravam mais poderosamente para conservá-lo nesta atitude espiritual. O pregador que nunca aprendeu, na escola de Cristo, a nobre e divina arte da intercessão pelo seu povo, nunca aprenderá a arte da pregação, mesmo que conheça muito bem as regras da homilética e seja o mais dotado gênio da confecção do sermão e na transmissão.
As orações dos santos líderes apostólicos fizeram muito para tornar santos aqueles que não eram apóstolos. Se os líderes da Igreja, nos anos posteriores tivessem sido tão cuidadosos e fervorosos em suas orações pelo seu povo, como os apóstolos, os tempos tristes e tenebrosos do mundanismo e apostasia não teriam manchado a história, ofuscado a glória e detido o avanço pela Igreja. A oração apostólica faz santos apostólicos e conserva os tempos apostólicos de pureza e poder da Igreja.

Edward McKendree Bounds, ministro metodita e escritor devocional, nasceu em 15 de Agosto de 1835 (em Shelby County, Missouri) e morreu em 24 de Agosto de 1913. Estudo direito e aos 21 anos de idade já estava praticando a advocacia. Após advogar por três anos, começou a pregar na Igreja Episcopal Metodista do Sul. No tempo de seu pastorado em Brunswick, Misouri, foi declarada uma guerra, e ele foi feito prisioneiro de guerra por rejeitar fazer o juramento de lealdade ao Governo Federal. Depois de solto, ele serviu como capelão do Quinto regimento de Missouri [para o Exército Confederado] até o término da guerra, quando capturado e mantido como prisioneiro em Nashville, Tennessee. Após a guerra terminar, Bounds serviu como pastor de igrejas em Tennessee, Alabama, e St. Louis, Missouri....Gastou os últimos dezessete anos de sua vida com sua família em Washington, Georgia, escrevendo seus “Livros sobre Vida Espiritual”. Seu fervor e profunda devoção à oração são misturados com uma influência da teologia Reformada, que é evidente em suas muitas obras. Títulos: Essentials of Prayer; The Necessity of Prayer; Obtaining Answers to Prayers; The Possibilities of Prayer; Power Through Prayer; Purpose in Prayer; The Reality of Prayer; Winning the Invisible War .

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Qual o Papel do Crente e de Deus na Santificação?

por
John F. MacArthur Jr.

Alguém falou a certo pastor: "A Escritura afirma que 'Não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim'. Não temos que fazer nada por nossa santificação, mas simplesmente nos rendermos a Deus e deixarmos que Ele faça tudo".

Na verdade esta pessoa estava refletindo o ensino de um movimento nos Estados Unidos, chamado "Vida Mais Profunda" (deeper life), o qual afirma que, para se vivera vida cristã em santidade não se precisa fazer esforço algum, pois o poder deve vir de Cristo. Isso tem um pouco de verdade, mas exclui uma outra verdade igualmente importante: A Escritura exorta o crente a viver a vida cristã com esforço. Veja o que nos diz Hebreus 6:11-12 e 2 Pedro 1:5-7. Mas gostaria de enfatizar o que nos diz o apóstolo Paulo em Filipenses 2: "Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor. Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade."

Quietismo e Pietismo

O que aquela pessoa falou ao pastor sobre santificação é chamado de "quietismo". O quietismo afirma que o cristão deve ser passivo no crescimento espiritual. Devemos deixar que Deus faça tudo, pois nosso frágil esforço só faz atrapalhar a ação de Deus. Devemos apenas "render-nos" ao Espírito Santo, e Ele nos dará a vitória.

O oposto do quietismo é o "pietismo", que ensina que os crentes devem trabalhar muito e praticar uma autodisciplina extrema para conseguirem piedade pessoal. Devemos fazer estudos bíblicos enérgicos, ser auto-disciplinados, obedientes, diligentes para conseguirmos vidas santas. Mas não pára aí; adota padrões legalistas no seu modo de vestir, de comer, no seu estilo de vida, etc.

Muitos quietistas e pietistas concordam em que a salvação é pela graça, por meio da fé, mas a discordância deles é na área da santificação. Os quietistas desprezam o esforço do crente e arriscam-se a promover a irresponsabi1idade, a apatia espiritual. Os pietistas exageram o esforço humano e tendem a provocar o orgulho e a cair no legalismo.

Equilíbrio Adequado

Vejamos o que Paulo nos diz no capítulo 2:12-13 de sua carta aos Filipenses: "Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém muito mais agora na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em, vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade."

No capítulo 12, Paulo fala como um pietista, que nós ternos de agir: "desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor...". No versículo 13 ele fala como um quietista: que Deus é quern age: "Deus é quem efetua em vós...". Vemos aqui o perfeito equilíbrio, apesar de não compreendermos tudo completamente, pois o texto diz que devemos agir, mas na verdade é Deus que está operando em nós tanto o querer como o efetuar. Paulo não se preocupa em dar explicações, mas simplesmente afirma os dois lados. Quem pode compreender a mente de Deus? Seus pensamentos são muito altos para nosso entender limitado (Isaías 55:9; Deuteronômio 29:29).

O mesmo problema existe no ensino bíblico sobre a salvação. O Evangelho exige um ato do homem no qual o pecador se arrepende e põe sua fé na pessoa e obra de Cristo. No entanto, a Escritura garante que a salvação é uma obra totalmente de Deus (Efésios 1:8,9) e que Ele escolheu pessoas para a salvação antes da fundação do mundo (Efésios 1:4-5).

O mesmo se observa no ensino sobre a perseverança dos santos. Da mesma forma que a Bíblia exige "Sê fiel até a morte e dar-te-ei a coroa da vida", ela nos garante que ninguém pode nos arrebatar das mãos de Deus (João 10:27-29) e que ninguém pode nos separar do amor de Deus (Romanos 8:33-35). A salvação está garantida, mas temos de perseverar.

Na questão da santificação vemos o esforço do crente unido ao soberano controle de Deus. Paulo exemplifica este ensino ao dizer em 1 Coríntios 15: 10– "Pela graça de Deus sou o que sou; e sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã" Aqui soa como quietismo, mas logo diz: "antes, trabalhei muito mais do que todos eles", agora soa como pietismo, e termina afirmando: "todavia não eu, mas a graça de Deus comigo." Isso é quietismo novamente. Paulo não estava defendendo nem o pietismo nem o quietismo, mas mostrando um perfeito equilíbrio entre Deus, o qual opera no crente, e o crente mesmo, que se deve esforçar por ser santo.

Ele nunca falou de sua santificação sem reconhecer ambos os lados. Dessa forma vemo-lo afirmando novamente, em Colossenses 1:28-29, que se afadiga e se esforça segundo a eficácia que opera nele. "Afadigo-me", no grego, é a palavra kopiao, que se refere ao trabalho cansativo, à exaustão. "Esforçando-me" no grego, é a palavra agonizomai, que significa agonizar, lutar, sofrer. Porém, completa: "Segundo a eficácia que opera eficientemente em mim". Os crentes devem usar todas as suas energias para servirem ao Senhor com diligência. Ao mesmo tempo, tudo que se realiza em nosso íntimo é a obra de Deus.

Qual a nossa parte? Desenvolver a nossa salvação.

"Desenvolvei a vossa salvação". No grego é o presente do imperativo "esforçai-vos incessantemente para desenvolver a vossa salvação". Não é uma ordem dada a incrédulos mas a crentes. Não é, portanto, um esforço para se ganhar a salvação, pois esta é um dom de Deus. Mas é um chamado aos crentes para que se esforcem e sejam diligentes no viver santo (2 Coríntios 7: 1; Efésios 4: 1). O sentido mais correto não é "trabalhem pela salvação", mas "trabalhem na salvação" em direção à consumação da fé, em busca da santidade.

Vamos ao texto de Filipenses 2:12. Aqui vemos 5 frases que nos ajudam a entender como desenvolver a nossa salvação. "Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém muito mais agora, na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor".

1. "Assim, pois": Compreendam o exemplo que lhes foi apresentado. Essa expressão nos leva de volta a Filipenses 2:5-11, onde Jesus é apresentado como modelo de humildade, obediência e submissão. Ele é o nosso padrão de vida (1 João 16).

2. "Amados meus": Entendam que vocês são amados. A Igreja de Filipos era uma igreja fiel, mas tinha problemas de orgulho e desunião e por isso Paulo dá ênfase na questão da unidade. Evódia e Sintique, duas mulheres, lideraram facções opostas uma a outra (Filipenses 4:2,3). Porém, apesar de tudo, Paulo os amava e por isso os corrigia e chamava de "amados". Deus é assim, ama, tem misericórdia de nós, mesmo quando fracassamos no nosso processo de santificação.

3. "Como sempre obedecestes": Entendam o valor da obediência. A palavra grega traduzida por "obedecestes" (hupakouo), significa literalmente "atender à porta", ou "obedecer, como resultado de ouvir". Ou seja, submeter-se ao que se ouviu. Foi o que aconteceu com Lídia ao ouvir a pregação de Paulo. Ela atendeu ao apelo do Evangelho, converteu-se, foi batizada e passou a servir a Paulo e seus companheiros. O mesmo aconteceu com o carcereiro de Filipos. Eles atenderam à Palavra.

4. "Não só na minha presença, porém muito mais agora na minha ausência": Entendam seus recursos e responsabilidades. Eles buscaram a santidade por conta própria, e esta é uma responsabilidade de cada cristão. O apoio de irmãos é importante, mas é fácil nos tornarmos dependentes deles. Certos crentes perdem a pureza e a santidade, quando perdem o apoio espiritual de alguém. Mas, quando Paulo exige que eles desenvolvam a santificação ("vossa salvação"), está dando a entender que, em Cristo, eles podiam viver em santidade, independentes de qualquer ajuda externa. Nós somos responsáveis por nossa vida espiritual.

5. "Com temor e tremor": Entendendo as conseqüências do pecado. O pecado traz conseqüências, e esta é a razão porque devemos andar em santidade com temor e tremor. A palavra grega para "temor" é phobos da qual se originou fobia. A palavra grega para "tremor" é tromos que originou a palavra trauma. Estas palavras falam de um saudável temor de ofender a Deus, temor de pecar, de desonrar a Deus, do colapso moral, de entristecer a Deus e assim trazer a correção divina. lsaías no capítulo 66.2, fala do temor que Lhe agrada – "O homem para quem olharei é este: o aflito e abatido de espírito e que treme da minha palavra". E no versículo 5 afirma: "Ouvi a palavra do Senhor, vós, os que a temeis".

Portanto, a santidade exige esforço, não é algo fácil, pois significa ter disciplina, seguir a Jesus, ser obediente à Palavra, exercitar os dons e avaliar as conseqüências do pecado. Mas um temor saudável a Deus nos motivará a buscar esta santidade que Ele requer de nós.

Qual a parte de Deus? Operar em Nós

Em FI.2:13 Paulo explica.- "Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade". É Ele que habita em nós e nos dá o poder de fazermos a Sua vontade. Não temos capacidade em nós mesmos, a nossa capacidade vem de Deus. (2 Coríntios 15). Em Filipenses 2:13 vemos 5 verdades a respeito de Deus, que nos ajudarão a compreender o que Deus faz por nós na santificação.

1. A pessoa de Deus. "Deus é quem efetua em vós..." É Deus quem está envolvido com a nossa vida, com o nosso bem-estar espiritual. Ele habita em nós e quer que façamos o que Ele ordena. Nosso progresso espiritual não depende de nós, nem de nossas habilidades, nem da ajuda de outros crentes, nem dos pastores, nem mesmo de anjos. Mas é Deus quem opera em nós, realizando a nossa santificação. O mesmo Deus que nos conheceu de antemão, nos predestinou, nos chamou e nos justificou, é o mesmo que nos santifica e haverá de nos glorificar (Romanos 8:30). Que diferença dos deuses pagãos! Mas Deus nos acompanha e nos supre por toda a vida.

2. O poder de Deus: Operando. "É Deus quem efetua...". Esta palavra no original é energeo que se refere a uma energia ativa e produtiva. É um poder que opera o nosso progresso espiritual, a nossa santificação. Por isso estaremos seguros até o fim. "Aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até o dia de Cristo Jesus" (Filipenses 1:6).

3. A presença de Deus: Em nós. Deus opera em nós. Paulo diz, em Efésios 3:20, que Deus "é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o Seu poder que opera em nós". Paulo não diz que Ele opera nos céus e sim em nós. Ele é a nossa suficiência. Aqui devemos lembrar que no V.T. os crentes adoravam no Tabernáculo, no Templo. Mas agora somos templo de Deus, pois Cristo habita no coração de cada crente. "Nós somos santuário do Deus vivente..." (2 Coríntios 6:16). Ele está conosco, sustentando-nos, suprindo e fortalecendo a nossa santificação.

4. O propósito de Deus: O querer e o realizar. É Ele que nos impulsiona a querer e a efetuar, dá-nos tanto o desejo como a habilidade. A palavra "querer" no grego é thelo que significa intento e inclinação. Deus nos dá desejos santos, agradáveis a Ele. Como? Em primeiro lugar, Ele nos dá uma santa insatisfação para com a nossa natureza carnal e corrompida. Foi isso que fez Paulo dizer em Romanos 7:14: "Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?". Em segundo lugar, Ele nos dá um desejo pelas coisas santas e puras. Isso vemos na biografia dos santos do passado e percebemos o quanto estamos longe desta dedicação a Deus. Em terceiro lugar, Deus nos dá o desejo de Lhe agradar, de causar-Lhe satisfação e isso resulta em um proceder santo.

5. A satisfação divina: Segundo a Sua boa vontade. A palavra grega traduzida por "boa vontade" é eudokia que significa satisfação ou agrado. Deus opera em nós para que façamos aquilo que Lhe agrada e satisfaz. Ou seja, desenvolver a nossa salvação com temor e tremor agrada a Deus. Somos muito queridos de Deus e quando fazemos aquilo que Lhe agrada, Ele fica satisfeito. Esta é a essência de qualquer relacionamento: queremos agradar a quem amamos. Queremos causar satisfação Àquele que perdoa as nossas iniquidades, resgata-nos da condenação eterna, coroa-nos com graça e misericórdia, enche de bens os nossos anos, de modo que a nossa mocidade se renova como a da águia (Salmos 103:3-5).

Vemos que há uma maravilhosa combinação entre os nossos esforços e os recursos, providenciados por Deus. Servimos a um Deus que nos dá poder para vivermos para Sua glória. Este é o mistério do Cristianismo: "Cristo em vós, a esperança da glória" (Colossenses 1: 27).

Deus nos chama para vivermos vidas santas, mas é Ele quem nos santifica. Deus nos convoca a servi-Lo, mas, na realidade, é Ele mesmo que nos impulsiona a isso por meio do Seu próprio poder em nós. A obra é dEle, mas é nossa também. A glória, contudo, pertence, somente a ELE.

Soli Deo Gloria.

Extraído do Jornal "Os Puritanos" Ano IV – No. 4 – 1996

quarta-feira, 23 de abril de 2008

As Igrejas de Deus

por
Arthur W. Pink


"Pois vós, irmãos, vos tornastes imitadores das igrejas de Deus em Cristo Jesus que estão na Judéia" (1 Tes. 2:14)

A ignorância que prevalece no Cristianismo agora em relação às Igrejas de Deus é profunda e mais geral que qualquer outro erro sobre qualquer outro tema das Escrituras. Muitos que são fortes em relação ao Evangelho e são corretamente ensinados sobre os grandes fundamentos da fé, estão equivocados em relação à Igreja. Há de se notar que a confusão que abunda diz mais respeito a palavra "Igreja". Há poucas palavras com tamanha variedade de sentidos. O homem comum entende por "igreja" um edifício no qual as pessoas se congregam para a adoração pública. Porém os que compreendem melhor, sabem que o termo se refere as pessoas que se congregam neste edifício.

Outros usam o termo em um sentido denominacional e chamam de a "Igreja Metodista" ou a "Igreja Presbiteriana". Também se emprega para chamar de instituições do Estado como a "Igreja da Inglaterra" ou a "Igreja da Escócia".

Para os papistas, a palavra "igreja" é quase sinônimo da palavra "salvação", porque eles ensinam que todos os que estão fora da "Santa Igreja Mãe" estão eternamente perdidos.

Para muitos que são até mesmo povo de Deus, parece não interessar-lhes o que Deus pensa sobre o tema. É triste notar que homens devotos no Evangelho, que proclamam a Palavra de Deus, nos comentam que não se molestam em relação à doutrina da Igreja; que a salvação é um tema mais importante; e o estabelecimento dos Cristão nos fundamentos é tudo o que é necessário.

Vemos que eles dão capítulo e versículo para cada declaração que fazem e enfatizam a autoridade da Palavra de Deus, porém cerram os olhos à seus ensinamentos sobre a Igreja.

Que constitui uma Igreja Neotestamentária ?

Que haja multidões de supostos Cristãos que desdenham a importância desta questão em manifesto. Suas ações os demostram. Não se molestam em contestar a pergunta. Alguns estão contentes em ficar fora de qualquer Igreja terrenal. Outros se unem a alguma igreja por considerações sentimentais, porque seus pais ou seus parentes pertencem à ela. Todavia outros se unem a uma igreja por motivos mais baixos, por razões políticas ou de negócios. Porém isto não deve ser assim.

Se o leitor é um Anglicano, deve sê-lo porque está convencido de que sua igreja é a mais bíblica. Se é presbiteriano, deve sê-lo pela convicção de que sua igreja está mais de acordo com a Palavra de Deus. E assim também se és Batista, ou Metodista, etc.

Há muitos outros que não guardam nenhuma esperança de poder contestar satisfatoriamente a pergunta: O que é uma Igreja Neotestamentária ? A confusão que causam no Cristianismo, as numerosas seitas e denominações, que diferem amplamente na doutrina e na constituição da igreja e na sua idéia sobre o governo, tem desanimado a muitos. Não dispõe de tempo necessário para examinar as declarações de muitas denominações. Muitos Cristãos são pessoas muito ocupadas, que trabalham muito para ganhar a vida, e não tem o tempo necessário para investigar adequadamente os méritos escriturísticos dos diferentes sistemas eclesiásticos. Consequentemente deixam de um lado a questão, porque a vem demasiadamente difícil e complexa para poder chegar a uma conclusão satisfatória e conclusiva. Porém não, a solução não deve ser assim. Em vez de que estas diferenças de opiniões nos deixem perplexos, devem estimular-nos a chegar a compreender a mente de Deus em relação ao assunto. Se Ele nos diz que devemos "comprar a verdade", o que implica que o esforço e o sacrifício são necessários, somos convidados a "provar todas as coisas".

Agora, é óbvio a todos que deve haver uma maneira mais excelente do que examinar os credos e os artigos de fé de todas as demais denominações. O único método satisfatório para descobrir a resposta divina à pergunta é voltarmos para o próprio Novo Testamento e estudar seus ensinamentos relacionados à "Igreja"; não os pontos de vista de algum homem piedoso; não aceitando o credo de uma Igreja a qual pertencem os meus pais; mas sim provando todas as coisas por si mesma. O povo de Deus não tem nenhum direito de organizar uma igreja sobre fundamentos que não são os que governaram as Igrejas no tempo do Novo Testamento. Uma instituição cujos ensinamentos ou governo são contrários aos Novo Testamento sem dúvida não é uma igreja neotestamentária.

Agora, se Deus tem considerado de suma importância colocar entre as páginas de inspiração, o que é uma igreja neotestamentária, então deve ser importante para cada homem ou mulher estudar o que está escrito, e submetermos a sua autoridade e conformarmos à sua conduta. Assim que apelo ao Novo Testamento unicamente e busco a resposta a nossa pergunta.

1. Uma Igreja Neotestamentária é um corpo local de crentes. Muita confusão tem sido o resultado de se utilizar adjetivos que não se encontram no Novo Testamento. Se fossemos perguntar a alguns Cristãos: a que igreja você pertence ? Contestariam: a grande igreja invisível de Cristo – uma igreja que é intangível e invisível. Quantos repetem o Credo dos Apóstolos, "Creio na santa igreja católica ?, que certamente não era parte alguma no credo que os apóstolos mantiveram. Outros falam de uma "igreja militante" e de uma "igreja triunfante", porém nenhum destes termos se encontram nas Escrituras, e os empregarmos somente cria dificuldade e confusão. No momento que deixamos de reter "o modelo das sãs palavras" (2 Timóteo 2:13) e usamos termos não-escriturísticos, somente nos confundimos ainda mais. Não podemos melhorar as Sagradas Escrituras. Não há necessidade de inventar mais temos, fazê-lo é criticar o vocabulário do Espírito Santo. Quando alguns falam de uma igreja universal de Cristo, empregam um termo anti-escriturístico. O que querem dizer é "a família de Deus". Esta última expressão inclui toda a companhia dos eleitos, porém a palavra "Igreja" não tem o mesmo sentido.

O tipo de Igreja que é enfatizado no Novo Testamento, não é nem invisível nem universal, mas visível e local. A palavra para "igreja" é ekklesia e os que conhecem a língua grega estão de acordo que significa uma assembléia. Uma assembléia é uma companhia de gente que se reúne atualmente. Se nunca se reúnem, então isso seria um mal uso da linguagem dizer que são uma assembléia. Por isso, como todo o povo de Deus nunca tem estado em uma assembléia, juntos, não há uma Igreja ou assembléia universal. Essa igreja é todavia futura porque ainda não tem uma existência corporal.

Para provar o que se disse acima, vamos examinar as passagens onde o termo foi usado pelo nosso próprio Senhor durante os dias de sua carne. Somente duas vezes nos quatro Evangelhos encontramos a Cristo falando de sua "Igreja". A primeira está em Mateus 16:18, onde disse Jesus a Pedro "Sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela". A que tipo de Igreja se referia o Salvador ? A grande maioria dos Cristãos pensam que foi a grande Igreja invisível, mística e universal, que inclui todos os redimidos. Porém certamente estão equivocados. Se isto houvesse sido o sentido da palavras, necessariamente haveria dito "Sobre esta pedra estou construindo minha Igreja". Porém disse "construirei", tempo futuro. O que demonstra que quando falou estas palavras, a Igreja não tinha existência, salvo no propósito de Deus. A igreja à qual Cristo se refere em Mateus 16:18 não podia ser universal, isto é, uma igreja que inclui todos os santos de Deus, porque o tempo do verbo que emprega manifestamente exclui os santos do Antigo Testamento. Além disso, nosso Senhor não se referia à Igreja na glória, porque essa Igreja já não estará sob o perigo das portas do inferno. Sua declaração que "as portas do inferno não prevalecerão contra ela" sem dúvida esclarece que se refere a Sua Igreja sobre a terra, uma Igreja visível e universal.

O único outro exemplo de nosso Senhor falando da Igreja quando esteve na terra, se encontra em Mateus 18:17 : "Se recusar ouvi-los, dize-o à igreja; e, se também recusar ouvir a igreja, considera-o como gentio e publicano". Agora, o único tipo de Igreja a qual um irmão pode falar de seus problemas é um Igreja visível e local. Isto é tão óbvio que não há necessidade de falar mais deste ponto.

No último livro do Novo Testamento, encontramos o nosso Senhor usando o termo outra vez. Primeiro em 1:11 disse a João "Escreve em um livro o que vês, e enviá-lo às sete igrejas que estão na Ásia". Outra vez, é claro que o Senhor fala de igrejas locais. Depois disto, o Senhor usa a palavra 19 vezes no Apocalipse e em cada passagem a referência foi à Igrejas locais. Sete vezes repete "O que tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz as igrejas", não disse "ouça o que o Espírito diz à Igreja" - o que haveria dito se a opinião popular fosse a correta.

A última referência no Apocalipse está em Apocalipse 22:16: "Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos testificar estas coisas a favor das igrejas. Eu sou a raiz e a geração de Davi, a resplandecente estrela da manhã". A razão disto é que a Igreja de Cristo ainda não tem nenhuma existência tangível e incorporada, seja na glória ou sobre a terra; tudo o que tem agora são suas Igrejas locais.

Uma prova adicional de que o tipo de Igreja que é enfatizado no Novo Testamento é local e visível, está em outros passagens da Escritura. Lemos da "igreja que estava em Jerusalém" (Atos 8:1), "a igreja que estava em Antioquia" (Atos 13:1); "a igreja de Deus que está em Corinto" (1 Coríntios 1:2) – tomem nota de que ainda que esta Igreja tinha vínculos com as demais Igrejas, se distingue de "todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Coríntios 1:2). Outra vez lemos de Igrejas, plural no número. "Assim as igrejas em toda a Judéia, Galiléia e Samária, tinham paz..." (Atos 9:31); "...As igrejas de Cristo vos saúdam" (Romanos 16:16); "...as igrejas da Galácia" (Gálatas 1:2). Assim que se pode ver que a idéia proeminente e dominante no Novo Testamento, foi de Igrejas locais e visíveis.

2. Uma Igreja Neotestamentária é um corpo local de crentes batizados. Por "crentes batizados" quero dizer Cristão que tenha sido submergidos em água. Em todo o Novo Testamento, não há nem um só caso de alguém que chegara a ser membro de uma igreja de Jesus Cristo sem ser primeiro batizado; há muitos casos, muitas indicações e provas de que todos os que pertenciam às igrejas nos dias dos apóstolos eram Cristãos batizados.

Vamos ver primeiro a última parte de Atos 2:47: "E cada dia acrescentava-lhes o Senhor os que iam sendo salvos". Notem que o versículo não diz que "Deus" ou "o Espírito Santo" ou "Cristo" mas "o Senhor" acrescentava. A razão é esta: "o Senhor" leva a idéia de autoridade e os que Ele acrescentava à igreja haviam se submetido ao Seu senhorio. E a maneira pela qual haviam submetido a Ele está nos versículos 41-42: "De sorte que foram batizados os que receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas; e perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações". Assim que durante os dias mais primitivos desta dispensação, o Senhor acrescentava à Sua igreja pessoas que estavam batizadas. Vejam a primeira das epístolas. Romanos 12:4-5 demonstra que os santos em Roma formavam uma igreja local. Agora regressemos a Romanos 6:4-5 onde encontramos o apóstolo dizendo aos membros de Roma (e deles): "Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. Porque, se temos sido unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente também o seremos na semelhança da sua ressurreição". Assim que os membros da igreja local em Roma eram cristãos batizados.

Agora considerem a igreja em Corinto. Em Atos 18:8 lemos: "e muitos dos coríntios, ouvindo, criam e eram batizados". Outra prova de que os santos de Corinto foram batizados se acha em 1 Coríntios 1:13-14; 10:2,6. E 1 Coríntios 12:13 traduzido corretamente (espero comentar sobre esta passagem em outro artigo mais adiante) expressamente afirma que a entrada à assembléia local é pelo batismo nas águas.

E antes de passar a outro ponto, permita-me dizer que um igreja composta de crentes batizados é óbvia e necessariamente uma igreja batista – de que mais a vamos chamar ? Este é o nome que Deus deu ao primeiro homem que chamou e comissionou para batizar. O nomeou "João Batista". E por isso os verdadeiros batistas não devem ter vergonha do nome que levam. Se alguém perguntar: por que não chamou o Espírito Santo de a "igreja batista em Corinto"? ou, "das igrejas batistas na Galácia"? Contestamos, por esta razão: não havia, nesse tempo, necessidade de assinalar distinções utilizando este adjetivo. Não havia outros tipos de igrejas nos dias dos apóstolos, além de igrejas batistas. Todas eram Igrejas Batistas; isto é, todas estavam compostas de crentes batizados de acordo com as Escrituras. São os homens que tem inventado outras "igrejas" e nomes para as igrejas agora em existência.

3. Uma Igreja Neotestamentária é um corpo local de crentes batizados que formam uma organização. Uma assembléia é uma companhia de pessoas que se reúnem juntos em uma organização, de outro modo não haveria nada para distinguir-lhes de uma multidão qualquer. Prova clara disto se acha em Atos 19:39: "E se demandais alguma outra coisa, averiguar-se-á em legítima assembléia". Estas palavras foram pronunciadas pelo escrivão do povo à multidão que quebrantava a paz. E havendo "apaziguado a multidão" e havendo afirmado que os apóstolos não eram nem ladrões de igrejas ou blasfemadores da deusa do povo, lhes recordou a Demétrio e seus seguidores que "os tribunais estão abertos e há procônsules"; e lhes convida a acusar-se uns aos outros. A palavra grega para "assembléia" nesta passagem é ekklesia e a referência foi à corte jurídica Romana, isto é, uma organização governada por leis.

Também as figuras usadas pelo Espírito Santo em relação com a "igreja" são pertinentes unicamente a uma organização local. Em Romanos 12 e em 1 Coríntios 12 Ele emprega o "corpo" humano como uma analogia ou ilustração. Este exemplo não é próprio para representar uma igreja "invisível" ou "universal" cujos membros estão esparzidos por toda a terra. Não é necessário recordar ao leitor que não há organização mais perfeita na terra que o corpo humano, cada membro em seu lugar apropriado, cada um cumprindo seu dever e função. Em 1 Timóteo 3:15 a igreja é chamada "a casa de Deus". Esta "casa" fala de organização, cada habitante tendo sua própria recâmara, os móveis em seu lugar, etc.

Outra prova de que uma "igreja" neotestamentária é uma companhia local de crentes batizados, em uma relação organizada, se acha em Atos 7:38, onde o Espírito Santo aplica o termo ekklesia aos filhos de Israel – "na congregação (igreja) no deserto". Agora bem, os filhos de Israel no deserto eram uma assembléia organizada, redimida e batizada. Será que alguém se surpreenda que foram batizados ? Porém a Palavra de Deus é mui explícita neste ponto: "Pois não quero, irmãos, que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, e todos passaram pelo mar; e, na nuvem e no mar, todos foram batizados em Moisés" (1 Coríntios 10:1-2). Também estavam organizados; tinham seus "príncipes" (Números 7:2) e seus "sacerdotes", "anciões" (Êxodo 24:1) e seus "oficiais" (Deuteronômio). Assim pois podemos ver que foi correto aplicar o termo ekklesia a Israel no deserto. E podemos descobrir como sua aplicação a Israel nos ajudar a definir seu sentido exato. Vemos que uma igreja neotestamentária tem seus "oficiais", seus "anciões" (que é o mesmo que "bispos"), "diáconos" (Timóteo 3:11,12), "tesoureiro" (João 12:6; 2 Coríntios 8:19), e "escrivão" – a enumeração dos membros (Atos 1:15) claramente implica um registro.

4. Uma Igreja Neotestamentária é um corpo local de crentes batizados em uma organização pública e corporalmente adorando a Deus pela maneiras que Ele estabeleceu. Seria necessário citar uma boa parte do Novo Testamento, para amplificarmos sobre este tema. Melhor é que o leitor leia com cuidado o livro dos Atos e as epístolas, com uma mente aberta, e encontrará abundante confirmação do tema. Porém somente permita-me dizer em resumo: Primeiro, para manter "a doutrina dos apóstolos" e o companheirismo (Atos 2:42). Segundo, para preservar e perpetuar o batismo escriturístico e a ceia do Senhor: "as instruções tal como" Paulo as entregou à Igreja (1 Coríntios 11:2). Terceiro, para manter a disciplina santa: Atos 13:17; 1 Timóteo 5:20-21, etc. Quarto, para ir a todo o mundo e pregar o Evangelho a toda criatura (Marcos 16:15).

5. Uma Igreja Neotestamentária é independente de tudo, menos de Deus. Cada igreja local é completamente independente de todas as demais. Uma igreja em uma cidade não tem autoridade sobre outra igreja em outra cidade. Nem tampouco pode um grupo de igrejas locais eleger um "comitê", "presbitério" ou "papa" para assenhorar-se sobre os membros daquelas igrejas. Cada igreja tem seu próprio governo, conforme 1 Coríntios 16:3; 2 Coríntios 8:19. Por "governo" quero dizer que sua obra é administrativa e não legislativa.

Uma igreja neotestamentária deve fazer todas as coisas decentemente e em ordem (1 Coríntios 14:40), e sua única regra para ordenar as coisas, é a Sagrada Escritura. Seu único modelo, sua corte de apelação, é a Bíblia e nada mais que a Bíblia, pela qual todas as questões de fé, doutrina, e a vida Cristã são determinadas. Sua única cabeça é Cristo: Ele é seu Legislador, Fonte e Senhor.
A Igreja local deve ser governada pelo que o Espírito disse às igrejas. Por isso logicamente está separada do Estado e deve recusar o sustento econômico do Estado. Ainda que seus membros são instruídos a submeterem-se "às autoridades superiores" (Romanos 13:1), não devem permitir que o Estado lhes dite nos assuntos da fé ou da prática.

A administração do governo de uma igreja neotestamentária reside em sua própria membresia e não em um corpo especial de homens, seja dentro ou fora da igreja. Uma maioria de seus membros decidem as ações da igreja. Isto se vê claramente em 2 Coríntios 2:6: "Basta a esse tal (a pessoa disciplinada) esta repreensão feita por muitos". As últimas duas palavras "por muitos" é tradução de hupo ton pleionon. Pleionon é um adjetivo e literalmente significa pela maioria e é traduzido assim pelo Dr. Charles Hodge, um dos melhores e competentes conhecedores do Grego.

Em resumo: a menos que haja uma companhia de pessoas regeneradas, batizadas de acordo com as Escrituras, organizadas segundo o Novo Testamento, adorando a Deus segundo suas instruções, tendo companheirismo com a doutrina dos apóstolos, mantendo as ordenanças, preservando a disciplina estrita, ativa na evangelização, então não há uma igreja neotestamentária, chame o que se chame. Porém se uma igreja possui estas características, é então a única instituição em toda terra ordenada, construída e aprovada pelo Senhor Jesus Cristo. Assim que o escritor considera seu maior privilégio, depois de ser salvo, pertencer a uma de Suas igrejas. Que a graça divina me ajude a andar dignamente como membro de Sua Igreja!

Arthur W. Pink (1927)

Tradução livre: Felipe Sabino de Araújo NetoCuiabá-MT

segunda-feira, 21 de abril de 2008

A LEGIÃO DA BOA VONTADE - LBV É UMA RELIGIÃO CRISTÃ?

Diz-nos parte do poema do fundador da LBV, Alziro Zarur: "Por que odiarmos nós a Satanás, se ele, também, é criação divina?...Por que não transformar num bom amigo a Satanás, em vez de o combater? Amigos meus, oremos por Satã, amemo-lo de todo coração, e respondamos sempre com o perdão aos males que nos faça, hoje e amanhã. E, um dia, todos nós iremos ver Satanás redimido, a trabalhar por aqueles que veio tresmalhar dos rebanhos de Cristo, e reviver! Porque se assim, amigos, não quiserem aqueles que se chamam "os cristãos", lavemos, desde já as nossas mãos, ante às iniqüidades que fizeram. Por mim, com honra, eu amo Satanás, meu pobre irmão perdido nos infernos, com este amor dos sentimentos ternos, pra que ele, também receba a paz". (Mensagem De Jesus Para os Sobreviventes, Poema completo: p.130/132/133).
O que pensarmos de uma religião, que apesar de usar a Bíblia, faz tamanha afirmação? O que pensar de uma pessoa que nos induz a louvar e bendizer Satanás? Jesus afirmou positivamente que o diabo é e sempre será o Pai da mentira (Jo. 8:44), deixando-nos certos de sua condenação eterna. Leiamos:

"Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira (JO 8:44). "Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos(Mt.25:41).
Vamos nesse estudo fazer alguns comentário sobre a parte religiosa da LBV, pois se a parte religiosa estiver em dias, as caridades serão apenas uma conseqüência boa e dentro de uma ética abençoadora, pois para tal somos transformados; "Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas(Ef.2:10). Boas obras para Deus é, em primeiro lugar, atitudes de uma nova criatura e andar segundo a Palavra de Deus: "Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo(II Cor.5:17). "De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida(Rm.6:4). Ou seja, para agradá-lo precisamos não apenas ter boas obras, mas sermos as boas obras e isso envolve um comprometimento com a Sua Palavra: " Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho" (Sl.119:105).
Nessa ótica bíblica vamos tomar a liberdade de observar as doutrinas dessa entidade.

HISTÓRICO

ALZIRO ZARUR
O nome do fundador da LBV é Alziro Elias Davi Abraão Zarur e nasceu aos 25 de dezembro de 1914, de pais sírios, católicos ortodoxos. Zarur considerava-se a reencarnação de Allan Kardec como declara no livro "Jesus - A Saga de Alziro Zarur II". Casou-se com Iracy de Abreu, criou o Partido Trabalhista Nacional - PTN e se candidatou à presidência da república, perdendo as eleições. Em 4 de março de 1949 lançou o programa "Hora da Boa Vontade" na rádio Globo do Rio. Lá criou a "prece do copo d'água" (hoje este gesto é imitado por algumas denominações evangélicas). Alziro Zarur citava textos bíblicos na Rádio e dentre eles repetia Lc.2:14: "Paz na terra para os homens de boa vontade"(versão católica). Na verdade esse texto indica a boa vontade de Deus para com os homens no envio de Cristo a esse mundo - " Glória a Deus nas alturas, Paz na terra, boa vontade para com os homens" (versão Almeida). O Texto usado na versão católica, se fosse o correto, não estaria dentro do contexto e da mensagem apresentada pelos anjos aos pastores. A LBV foi fundada oficialmente em 7 de setembro de 1959 e se declarava uma organização criada pelo próprio Jesus Cristo (Religião do 3o milênio, p.95). E diziam ainda ser uma religião santíssima (idem p.115).

JOSÉ PAIVA NETO
Nascido a 2 de março de 1941, no Rio de Janeiro, tornou-se em 1979, com a morte de Zarur, presidente da entidade, é jornalista, radialista e escritor. Sua infância e juventude foram marcadas por uma preocupação incomum com temas filosóficos, espirituais, sociais, políticos, científicos, econômicos e por um profundo senso de auxílio aos necessitados. Deixou de seguir a vocação pela medicina para dedicar-se, ainda jovem, à LBV. Foi sempre o auxiliar de Alziro Zariur, tendo o cargo de Vice Presidente. O crescimento da LBV chega a uma estimativa de 70.000% (dados da própria LBV).

A MÁQUINA DE ARRECADAR
Geralmente nos vemos diante de um pedido telefônico, feito por uma voz feminina muito delicada, elogiando-nos como cidadão de bem e se, como tal, não estaríamos dispostos ao pagamento mensal para o custeio de uma criança.
Certa senhora e amiga, evangélica e simples em seus costumes, de tanto receber telefonemas da LBV, sentiu-se constrangida a colaborar mensalmente, sendo que o débito era colocado na conta telefônica. Quando tomei conhecimento fiz duas coisas; expliquei sobre a parte doutrinária para ela e, depois, liguei para a Telefônica que me disse, até um tanto bruscamente, que não podia dar explicações, pois para tal precisaria enviar um ofício à diretoria da mesma.
O mais triste disso tudo não é fazer uma doação a uma determinada instituição, mas de sabermos que o dinheiro de muitos evangélicos têm servido para alimentar não só o físico mais a alma de milhares de crianças, que se tornarão espíritas praticantes num futuro próximo, agindo contrárias à Palavra de Deus. Que possamos ajudar as nossas crianças de rua, mas que nessa ajuda elas estejam recebendo também um bom alimento espiritual.
Já pensou meu amigo leitor o seu filho chegando em casa dizendo que Satã é seu irmãozinho e que o ama de todo coração? Não nos enganemos, a caridade tem que ser completa, por isso disse Jesus: " Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus"(Mt.4:4).

O TEMPLO DA LBV

O Templo: Inaugurado em 21 de outubro de 1989, em Brasília, por J. P. Neto. É o monumento mais visitado da capital do Brasil (Livro: "As Profecias Sem Mistério", PVN, p.215). Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica da LBV: Inaugurado pelo Diretor-Presidente da LBV, em 25 de dezembro de 1994, em Brasília. O ParlaMundi da LBV é chamado pela imprensa brasileira de Parlamento dos Espíritos, porque Paiva Neto assim o definiu: "O Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica, que erguemos com o indispensável auxílio do Povo, ao lado do Templo da LBV,... manterá suas portas abertas a todos os seres de Boa Vontade, na matéria ou fora dela. Ele propõe a conciliação universal de todo o conhecimento humano e espiritual, numa poderosa força a serviço dos povos".
Paiva Neto, pelo que vemos, gastou uma boa quantidade de dinheiro na construção desses prédios religiosos, não sabemos quanto foi gasto, mas temos certeza, pelo que conhecemos de construção, que AQUELE PRÉDIO DARIA PARA CUSTEAR MUITAS CRIANÇAS. Outra questão fundamental, seria saber se o povo, que sempre contribuiu especificamente para obra social, estava informado de que a sua contribuição estava sendo destinada para a suntuosa construção do Templo da LBV, pois afirma Paiva Neto: " que erguemos com o indispensável auxílio do Povo". Não me lembro de propagandas avisando o povo sobre tais gastos com essas construções.

O TEMPLO E O ECUMENISMO PROMOVIDO PELA LBV
A respeito do Templo de Deus e porque a LBV é a "Religião de Deus" lemos o seguinte: "Que templo é esse no versículo 15?(capítulo 7 de Apocalipse). Tudo indica, pelo seu papel altamente solidário, que se trata do Templo do Ecumenismo Irrestrito, que a Legião da Boa Vontade levantou em Brasília"( As Profecias sem Mistério, P. Neto, p.193)
Bom, em primeiro lugar, o Templo citado no contexto do cap.7 de Apocalipse é o céu onde Deus habita e a partir do seu trono delibera todas as diretrizes universais. Em segundo, se a LBV entendesse a Bíblia verdadeiramente e conhecesse o evangelho de Cristo, jamais gastaria dinheiro com tamanho "descalabro Ecumênico" para promover um ato anti-bíblico - O ECUMENISMO IRRESTRITO. Nem Jesus e nem a sua Palavra, nunca ensinaram ao seu povo ser ecumênicos, mas sempre se preocuparam em ser o contrário: " Quando entrares na terra que o SENHOR teu Deus te der, não aprenderás a fazer conforme as abominações daquelas nações"(Dt.18:9); " Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Por isso saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; E não toqueis nada imundo, E eu vos receberei; E eu serei para vós Pai, E vós sereis para mim filhos e filhas, Diz o Senhor Todo-Poderoso" (IICor.6:14-18). O que o texto das sagradas Escrituras nos ensina a fazer é o contrário do ensinado pela LBV e, dentro da idéia Bíblica, separar-se (tornar-se santo) do mal e de todas as religiões que não professem crer nos ensinamentos de Deus, é o mandamento do Senhor. É claro que não vamos discriminar as outras expressões de religiosidade, pois cada um pode expressar sua fé da maneira que lhe bem parecer, mas biblicamente falando é nos apresentado uma única opção - DEVEMOS SERVIR A DEUS DENTRO DE UMA PERSPECTIVA BÍBLICA. A apologia que estamos fazendo acontece pelo fato do uso indevido da Bíblia por essa religião. Não podemos nos esquecer que o diabo até aceita dividir a sua glória, mas o nosso Deus é bem diferente: "Eu sou o SENHOR; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor às imagens de escultura"(Is.42:8). Queremos que você leitor entenda, que de acordo com as Escrituras Sagradas, religião de Deus é aquela que prega a santificação(consagração), pois sem isso ninguém verá à Deus (Hb.12:14).

JESUS CRISTO VOLTARÁ NO TEMPLO EM BRASÍLIA
Assim afirma a LBV, dando a entender que na sua volta, Cristo virá sobre Brasília: "Quando Jesus voltar encontrará erguido o Templo da Boa Vontade, o TBV"( As Profecias sem Mistério, P. Neto, p.193). Mais uma vez equivoca-se a LBV e, com tais afirmações, mostra sua ignorância em relação à Palavra de Deus. Jesus Cristo, quanto voltar fisicamente(Mt.24:27), virá sobre Israel, no Monte das Oliveiras, leiamos: "e olharão para mim, a quem traspassaram; e pranteá-lo-ão sobre ele, como quem pranteia pelo filho unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito" (Zc.12:10); "... e o monte das Oliveiras será fendido pelo meio..."(Zc.14:4); " Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória"(Mt.24:30). O ponto de referência mundial que serve de base para os acontecimentos bíblicos é a nação de Israel. O próprio Senhor mandou que observássemos nesta direção: " Aprendei, pois, esta parábola da figueira (simbolizando a nação de Israel): Quando já os seus ramos se tornam tenros e brotam folhas, sabeis que está próximo o verão" (Mt.24:32, parênteses nosso). Que o leitor não se deixe passar por desconhecedor da verdade. Essa grande obra assistencial, que tanto empolga e até realiza bons trabalhos sociais, é uma grande camuflagem para uma nova religião e, como de costume das seitas, o "único" ou "mais certo caminho" à Deus.

O QUE PENSA A LBV SOBRE A BÍBLIA?
"...Que a fé dos cristãos míopes é refutar fatos concretos, e justificar contradições na Bíblia dos Hebreus. Senhor, não creio que este Livro Santo tenha , todo ele, inspiração Divina porque tua santíssima doutrina não pode rebaixar-se tanto e tanto!". (Livro da LBV: "Mensagem de Jesus Para os sobreviventes, pág.179,180).
É lamentável o que certas religiões fazem com a Palavra de Deus; mormonismo, espiritismo, jeovismo... e a LBV, usam a Bíblia para enganar o verdadeiro povo de Deus, citando o que lhes interessa e chutando para escanteio o que lhes tira a autoridade. A LBV, como todos as religiões equivocadas à respeito da Bíblia, faz a mesma coisa e sofisma de maneira astuta iludindo o povo cristão, que na sua maioria crê na Bíblia, mas por pouco conhecê-la se misturam com religiosidades tão ecléticas.
O que estamos lhe mostrando é, seja lá qual é a sua religião, que se você crê em uma parte da Bíblia têm que crê em tudo - OU TUDO ESTÁ CERTO OU NADA É DE 100% DE CONFIABILIDADE. E como acreditarmos na LBV, que usa a Bíblia, e ao mesmo tempo a coloca como um livro de contradições? Como entendermos uma religião que se diz cristã e qualifica a doutrina Bíblica de rebaixada?

POR QUE DEVEMOS CRÊR NA BÍBLIA?
- “Quando vieres traze a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo, e os livros, especialmente os pergaminhos (que eram os livros santos que formaram a Bíblia)” (II Tm.4:13 – parênteses do autor)
- “sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade dos homens, mas os homens da parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo” (II Pedro 1:20 -21)
O apóstolo Pedro diz que as Escrituras foram inspiradas e vieram da parte de Deus. Os apóstolos deixaram as orientações básicas, que formam o fundamento apostólico, que é o Novo Testamento, junta com o Velho Testamento, para que a Igreja se direciona-se por essa Escritura. O Velho Testamento e o Novo Testamento, que compõem a Palavra de Deus, são o fundamento e a última palavra em relação a vida da Igreja em todos os tempos. Leiamos;
- “Segundo a graça de Deus que me foi dada, lancei eu como sábio construtor, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele. Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo.” (I Coríntios 3:10-11).
- “...por amor de vós; para que em nós aprendais a não ir além do que está escrito(A Bíblia)...” (I Coríntios 4:6 – parênteses do autor).
- “edificados sobre o fundamento dos apóstolos (Novo Testamento) e dos profetas(Velho Testamento), sendo o próprio Cristo Jesus a principal pedra da esquina” (Efésios 2:20 – parênteses do autor ).
Veja, o evangelho de Jesus Cristo, não é de qualquer jeito como querem os líderes da LBV, que, como os espíritas, se declaram a última a revelação de Deus e possuidores da verdade. Para começar, Jesus disse que a Palavra de Deus era a verdade (João 17:17), deve ser por isso que tantas religiões querem que os seus escritos sejam tal, mas a Bíblia é o único fundamento do cristianismo verdadeiro. Paulo disse que “NINGUÉM PODE LANÇAR OUTRO FUNDAMENTO”, ou seja, os livros de Kardec, Alziro Zarur, Paiva Neto e seja lá quem for, não foram e nunca serão fundamentos das doutrinas cristãs. No cristianismo não há novas revelações (I Coríntios 2:10), pois Deus já se revelou através de Jesus (Hebreus 1:1). O que temos a fazer é ler, entender e aceitar a Palavra de Deus. Na carta aos Efésios, Paulo deixa claro que o verdadeiro cristianismo é fundamentado nos ensinamentos dos apóstolos e nos profetas, ou seja, no Velho e no Novo Testamento, pois é lá que encontramos as profecias, as doutrinas e os ensinamentos únicos e sublimes de Jesus Cristo. Paulo levava tão a sério os ensinamentos aplicado por ele e os demais apóstolos que, na carta aos Coríntios, declara: “para que em nós aprendais a não ir além do que está escrito”. É lógico que Paulo estava falando do Velho Testamento que estava escrito e já era considerado Sagrado e do Novo Testamento, que em sua época estava praticamente todo escrito. Os cristão só têm uma bússola - A BÍBLIA.

NEGAM A DIVINDADE DE JESUS CRISTO
Afirma a LBV: "...Jesus, o Cristo de Deus, não é Deus nem jamais afirmou que fosse Deus". (Jesus - A Saga de Alziro Zarur II, pág.112).
O Senhor Jesus, em sua forma humana, nunca disse ser o Deus - Pai, mas sempre as Escrituras reiterou a sua divindade:
“Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não só violava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus” (Jo.5:18).
“de quem são os patriarcas; e de quem descende o Cristo segundo a carne, o qual é sobre todas as coisas, Deus bendito eternamente. Amém” (Rm.9:5).
“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (Jo.1:1).
Os textos acima são mais que necessários para provarmos a Deidade de Jesus Cristo, ou seja, O Filho é tão Deus como o Pai e o Espírito Santo (Mt.28:19, II Cor.13:13, Ef.4:4-6, I Jo.5:7). O Deus dos Cristãos é Trino - Pai, Filho e Espírito Santo. Mais uma vez a LBV mostra-se uma religião fora dos parâmetros da cristandade.

A LBV É UMA RELIGIÃO ESPÍRITA
Declara Alziro Zarur: "Só a reencarnação e os séculos - expiação, reparação, e progresso - poderiam preparar as inteligências e os corações..." (Jesus - A Saga de Alziro Zarur II, pág.259).
A Bíblia jamais fez qualquer referência à palavra “reencarnação”, e, tampouco, confunde-a com a palavra “ressurreição”. Segundo o dicionário da Língua portuguesa, de F. S. Bueno, “reencarnação” é o ato ou efeito de reencarnar, pluralidade de existência com um só espírito; enquanto que a palavra ressurreição é: levantar, erguer, surgir, sair de um local ou situação para outra. No latim, “ressurreição” é o ato de voltar a vida, reanimar-se. Biblicamente, entende-se o termo ressurreição como o mesmo que ressurgir dos mortos. Para o cristianismo bíblico só existe a ressurreição. (Dicionário da Bíblia – Davis)
“E, como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois o juízo” (H.9:27).
É por isso que a LBV, como os espíritas, temem à Bíblia, pois Ela desmantela a sua teoria central, que é a reencarnação. Veja, o texto de Hebreus é claríssimo, o homem só morre uma vez, e por quê? Porque ele só nasce uma vez. E, ainda acrescenta; “vindo depois o juízo”, ou seja, a luz da Palavra de Deus não há espaço para a teoria da reencarnação. O texto deixa claro, que ao morrer, você será julgado, para ser salvo ou condenado, sem meios termos, é céu ou inferno.

CONCLUSÃO
Diante do explicitado fica a decisão do julgamento ao leitor atento. Entendemos que o lado social é muito importante e que religiões como a LBV faz até bem esse papel. Entretanto, a problemática é muita séria quando falamos de Bíblia e doutrina da salvação, ou seja, a LBV pode até ser uma boa religião, mas que não prega o caminho que leva o homem à Deus. Somente através da Palavra é que podemos conhecer o plano de salvação. Por isso, pense nisso.

Autor: Prof. João Flávio Martinez